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12/01/2019 às 22:09

Secas e estiagens atingem 38 milhões de pessoas

Secas e estiagens atingem 38 milhões de pessoas

Aquasfera com informações da ANA

As secas e estiagens no Brasil atingiram 38 milhões de pessoas em 2017, o que significa um número quase 13 vezes superior ao de afetados pelas cheias. Foram registrados 2.551 eventos de seca associados com danos humanos, quase quatro vezes mais que os de cheias, que somaram 661 ocorrências. Dos últimos cinco anos, 2017 foi o mais crítico quanto aos impactos da seca sobre a população.

As informações constam no relatório Conjuntura dos Recursos Hídricos no Brasil – Informe 2018, que acaba de ser divulgado pela Agência Nacional de Águas (ANA). De acordo com o documento, cerca de 3 milhões de pessoas foram afetadas por cheias (alagamentos, enxurradas e inundações) no Brasil. O dano humano mais perceptível causado pelas cheias foi a perda da residência das pessoas afetadas. Danos mais graves (óbitos, desaparecimentos, enfermidades e ferimentos) afetaram menos de 5% dessas pessoas.

O levantamento revela ainda que, nas últimas duas décadas, houve um aumento de aproximadamente 80% das retiradas de água dos corpos hídricos nas últimas duas décadas no Brasil. A previsão é de que, até 2030, a retirada aumente 24%.

O histórico da evolução dos usos da água está diretamente relacionado ao desenvolvimento econômico e ao processo de urbanização do país. A retirada total estimada pelo relatório da ANA é de 2.083 m³/s em 2017.

Atualmente, o principal uso de água no país, em termos de quantidade utilizada, é a irrigação (52%), seguido do abastecimento humano (23,8%) e da indústria (9,1%). Juntos esses usos representam cerca de 85% da retirada total.

Uma das conclusões do relatório é a de que a alta vulnerabilidade decorrente de um balanço hídrico desfavorável, associada a baixos investimentos em infraestrutura hídrica, principalmente dos sistemas de produção de água, e períodos de precipitações abaixo da média, podem agravar ainda mais a situação. O resultado seria a ocorrência de períodos de crise hídrica por escassez, como verificado em diversas regiões do País nos últimos anos.

 

“O crescimento das demandas hídricas no Brasil, a partir do aumento da população e das atividades econômicas intensivas em uso de água, contribui para um aumento do estresse hídrico, ano a ano em diferentes localidades do País, sendo necessárias a adoção de outras medidas, a exemplo do reuso de água, frente a tais desafios. Em 2017 foi estimado que o reuso de água não potável direto no Brasil corresponde a 2 m³/s”, afirma o documento.

A íntegra do relatório pode ser acessada aqui.