O que é o Acordo de Paris e as metas da NDC brasileira?

Data: 19/01/2018
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Categoria: Energia e Clima

O que é o Acordo de Paris e as metas da NDC brasileira?

Você sabe qual é a responsabilidade do Brasil no acordo climático global?

O Acordo de Paris e a NDC brasileira são convenções que regem medidas de redução da emissão de dióxido de carbono (gás carbônico) a partir de 2020.

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Neste texto, você saberá em detalhes como foi realizado esse acordo e qual é o papel do Brasil e das empresas nacionais nas metas climáticas globais.

Caso tenha alguma dúvida ou sugestão, deixe o seu comentário no fim do artigo.

Boa leitura!

Introdução – O que é o Acordo de Paris

O Acordo de Paris é um tratado mundial que possui um único objetivo: reduzir o aquecimento global. Ele foi negociado durante a COP21, em Paris, e foi aprovado em 12 de dezembro de 2015. Entrou em vigor oficialmente no dia 4 de novembro de 2016, tempo recorde para um acordo climático dessa envergadura.

Suas medidas e metas passam a valer para todos os 195 países signatários do acordo a partir de 2020. E caso você ainda não tenha conhecimento do aquecimento do globo, esse é um processo nocivo ao planeta desencadeado pela ação humana.

Os oceanos e a atmosfera esquentam mais ano a ano por causa das massivas emissões de gases. Os maiores vilões nessa história são a queima dos combustíveis fósseis e o desmatamento das florestas (responsáveis por renovar o oxigênio).

Existem opiniões divergentes sobre isso. Alguns acreditam que é impossível haver crescimento demográfico e econômico sem agredir a natureza. No entanto, é vital para o futuro e qualidade de vida de todos que haja um desenvolvimento sustentável desde já!

O crescimento só faz sentido quando é bom para todos. E é por isso que o acordo de Paris é tão importante para a história mundial.

O que é a NDC brasileira

Existe uma nova realidade do mundo depois do Acordo de Paris. Até mesmo as grandes potências estão mais conscientes de suas atitudes e da importância da sustentabilidade, cuidando dos processos produtivos, emissões de gases, uso das florestas e da água.

Assim, a implementação de políticas e medidas para enfrentar as mudanças do clima é fundamental para que o Brasil cumpra com a sua responsabilidade.

Nunca foi tão importante colocar num mesmo patamar os esforços para reforçar a economia, considerar os impactos sociais e reduzir os danos ambientais causados pelos negócios.

É preciso pensar em diversos aspectos ao mesmo tempo para que um desenvolvimento pleno e sustentável seja alcançado.

Em 2015, o Brasil ratificou o Acordo de Paris para reduzir suas emissões de gases de efeito estufa.

Esse compromisso é fundamental para obtenção de resultados concretos rumo à economia de baixo carbono. Entenda agora o papel da Contribuição Nacionalmente Determinada (NDC, na sigla em inglês):

Principais metas da NDC brasileira

O compromisso do Brasil é conseguir reduzir as emissões de gás carbônico em 37% em relação às emissões de 2005. A data limite para isso é 2025, com indicativo de reduzir 43% das emissões até 2030.

Mas como alcançar essas metas?

Veja algumas formas previstas em nossa NDC para reduzir as emissões de CO2 no país:

Aumentar a participação da bioenergia sustentável na matriz energética brasileira para 18%;

  • Fortalecer o cumprimento do Código Florestal;
  • Restaurar 12 milhões de hectares de florestas;
  • Alcançar desmatamento ilegal zero na Amazônia brasileira;
  • Chegar a participação de 45% de energias renováveis na matriz energética;
  • Obter 10% de ganhos de eficiência no setor elétrico;
  • Promover o uso de tecnologias limpas no setor industrial;
  • Estimular medidas de eficiência e infraestrutura no transporte público e áreas urbanas.

Desafios e Oportunidades da NDC brasileira para os empresários

Veja alguns setores que têm grandes oportunidades à sua frente com a NDC brasileira na tabela a seguir:

SETOR PROPOSTAS NDC

Florestal

 

  • Fortalecer o cumprimento do Código Florestal, em âmbito federal, estadual e municipal;
  • Fortalecer políticas e medidas com vistas a alcançar, na Amazônia brasileira, o desmatamento ilegal zero até 2030 e a compensação das emissões de gases de efeito de estufa provenientes da supressão legal da vegetação até 2030;
  • Restaurar e reflorestar 12 milhões de hectares de florestas até 2030, para múltiplos usos;
  • Ampliar a escala de sistemas de manejo sustentável de florestas nativas, por meio de sistemas de georeferenciamento e rastreabilidade aplicáveis ao manejo de florestas nativas, com vistas a desestimular práticas ilegais e insustentáveis.

 

Energia

 

  • Aumentar a participação de bioenergia sustentável na matriz energética brasileira para aproximadamente 18% até 2030, expandindo o consumo de biocombustíveis, aumentando a oferta de etanol, inclusive por meio do aumento da parcela de biocombustíveis avançados (segunda geração), e aumentando a parcela de biodiesel na mistura do diesel;
  • Alcançar a participação estimada de 45% de energias renováveis na composição da matriz energética em 2030, incluindo:
  • expandir o uso de fontes renováveis na matriz, além da energia hídrica, para cerca de 28% a 33% até 2030;
  • expandir o uso doméstico de fontes de energia não fóssil, aumentando a parcela de energias renováveis (além da energia hídrica) no fornecimento de energia elétrica para ao menos 23% até 2030, inclusive pelo aumento da participação de eólica, biomassa e solar;
  • alcançar 10% de ganhos de eficiência no setor elétrico até 2030.

 

Transporte
  • Promover medidas de eficiência, melhorias na infraestrutura de transportes e no transporte público em áreas urbanas.
 

Indústria

 

 

  • Promover novos padrões de tecnologias limpas e ampliar medidas de eficiência energética e de infraestrutura de baixo carbono.

Agricultura
  • Fortalecer o Plano de Agricultura de Baixa Emissão de Carbono (Plano ABC) como a principal estratégia para o desenvolvimento sustentável na agricultura, inclusive por meio da restauração adicional de 15 milhões de hectares de pastagens degradadas até 2030 e pelo incremento de 5 milhões de hectares de sistemas de integração lavoura-pecuária-florestas (iLPF) até 2030.

Conclusão

Os países são feitos de governantes, empresas e pessoas. Dessa forma, o sucesso de cada um desses objetivos depende da ação de todos os envolvidos.

Principalmente no Brasil, que por possuir a Amazônia tem uma responsabilidade dupla: reduzir a emissão de gases e frear o desmatamento de uma das maiores florestas tropicais do mundo.

Se você quiser saber mais sobre desenvolvimento sustentável, leia outros textos do nosso blog:

  1. Sustentabilidade é bom negócio
  2. Como criar um plano de logística sustentável?
  3. Manual de compras sustentáveis: como proceder?

Muitas empresas acreditam ser impossível trabalhar de forma mais moderna, sustentável e consciente, mas isso tem se tornado um imperativo para os negócios.

Inúmeras companhias, em todo o mundo, estão se adaptando e descobrindo novas formas de se fazer negócio, investindo em tecnologia e inovação que geram vantagens competitivas em relação aos seus concorrentes.

Se as grandes empresas querem concorrer e vencer no presente e no futuro, elas precisam pensar não somente em produzir, mas também em atender às demandas de uma sociedade cada vez mais consciente de seus impactos no planeta.

Obrigada por ler até aqui!

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Gyssele Mendes

Informações do Autor

Gyssele Mendes

Gyssele é mestre em Comunicação Social pela UFF e assessora de comunicação do CEBDS desde 2016.