Emissões evitadas de carbono do Legado das Águas/Votorantim somam U$ 14 milhões

Data: 29/01/2017
Area: Clima, Comunicação
Autor:
Categoria: Biodiversidade, Clima

Foto: Luciano Candisani

A Votorantim é a proprietária da maior reserva privada de Mata Atlântica – o Legado das Águas, que oferece inúmeros benefícios ao meio ambiente e para a região em que está inserida no Vale do Ribeira, sul do estado de São Paulo. Esta Reserva corresponde a 1,5% dos 8,5% restantes do bioma no estado de São Paulo, um habitat protegido para espécies ameaçadas de extinção como a Onça-parda, o Muriqui do Sul, a Anta Albina e toda a biodiversidade presente na Mata Atlântica.

O local é conservado há mais de 50 anos pelo Grupo Votorantim. De acordo com a ESALQ/USP, 75% da área apresenta elevado grau de conservação. E ainda possui em sua área espécies que são joias da Mata Atlântica: árvores e figueiras centenárias, mais de 800 espécies vegetais catalogadas e 150 espécies de orquídeas, algumas na lista vermelha.

Uma importante contribuição do Legado das Águas para o planeta é a quantidade de carbono que foi retirada da atmosfera e está estocada lá, decorrente do desenvolvimento daquela floresta por milhares de anos. Em 2016, foi concluído o Inventário de Estoque de Carbono da Reserva, que trouxe um número impactante. O volume de CO2 removido da atmosfera e estocado na floresta é de 6.236.948 toneladas equivalentes [1]. Como comparação, é como se a cidade de Curitiba não tivesse casas, prédios e pessoas, apenas arvores trabalhando para o equilíbrio do Planeta. O valor da conservação deste estoque de carbono nas florestas do Legado das Águas foi estimado em, no mínimo, US$ 14.328.315,00, segundo cálculos do “Custo Social do Carbono[2]” estocado.

O que é o Legado das Águas

A história do Legado está diretamente ligada aos serviços ecossistêmicos. Na década de 1950, Antônio Ermírio de Moraes, presidente da CBA (Companhia Brasileira de Alumínio), decidiu pela construção de pequenas usinas hidrelétricas (UHE), para auto geração de energia que alimentaria a fábrica da CBA em Alumínio (SP).  Aproveitando o curso do Rio Juquiá, foram construídas seis UHEs ao longo da bacia, com pequenas áreas alagadas e hoje totalmente inseridas na natureza.

Acreditando na importância das florestas para o ciclo da chuva e a proteção das nascentes do Rio Juquiá, que garantiria abundância de água para geração de energia nas UHEs, entre as décadas de 50 e 80, a Votorantim adquiriu 31 mil hectares de área, o que em 2012 seria institucionalizado como Legado das Águas – Reserva Votorantim.

O resultado desse inventário evidencia a importante contribuição da Votorantim, por meio do Legado Águas, ao proteger por mais de meio século uma área do tamanho da cidade de Curitiba (PR). Além dos inegáveis benefícios para a ameaçada Mata Atlântica e para o Estado de São Paulo, o Legado das Águas também contribui para mitigar os impactos do Aquecimento Global no mundo.

[1] Equivalentes devido a existência de outros gases além do CO2 que aquecem na atmosfera, então cria-se um índice para trazer todos os gases para o valor do CO2. Exemplo, o metano tem o potencial de 21 vezes mais de aquecer a atmosfera que o CO2, então multiplicamos por 21 as toneladas de emissão de metano para chegar no cálculo de CO2 equivalente, o mesmo para outros gases.

[2] De acordo com o estudo do governo americano o Custo Social do Carbono é um parâmetro que representa o custo estimado dos prováveis impactos da adição de uma tonelada de CO2 na atmosfera, na produtividade agrícola e na saúde humana, dos danos a propriedades públicas ou privadas associados a riscos de enchentes, entre outros impactos que possam ser estimados e valorados monetariamente no contexto das mudanças climáticas.



David Canassa

Informações do Autor

David Canassa

Diretor da Reservas Votorantim Mestre em Engenharia Elétrica pela Politécnica / USP (2003) com MBA em Administração / EAESP (2003) e Sustentabilidade / CES (2012) na Fundação Getúlio Vargas e MBA em Gestão Ambiental pela Universidade Gama Filho (2010). Formado em 1999 na Faculdade de Engenharia de Sorocaba (FACENS). Há 24 anos no Grupo Votorantim, ocupa atualmente o cargo de Gerente Geral Corporativo de Sustentabilidade. Em sua carreira, atuou nas áreas de Manutenção, Novos Projetos, Produção, Sistemas de Gestão, Planejamento Estratégico e Sustentabilidade no Brasil e Exterior. Também é professor desde 2006 no curso de Pós-Graduação no SENAC em Gerenciamento de Projeto com a metodologia do Project Management Institute. Em projetos, é formado em Black Belt na metodologia Six Sigma pela Werkema Consultores (2001). Desde 2011 é Vice-Presidente da Câmara Técnica de Energia e Mudança do Clima do Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (CEBDS) e membro do Fórum Clima (ETHOS). Participa desde 1992 do Nupep/Sorocaba, nos diversos curso e atividades culturais da entidade. É membro da diretoria da organização desde 2009.