Gestão de Recursos Hídricos: o que é e como aplicar em minha empresa?

Data: 28/03/2017
Area: Água
Autor:
Categoria: Água
Blog Post sobre eficiência no uso da água

A discussão sobre Gestão de Recursos Hídricos ganhou força nos setores público e privado nos últimos anos. Os vários eventos de escassez registrados na região Sudeste em 2014/2015, no Nordeste nos últimos 06 anos e agora no Centro-Oeste  são indicadores de como os impactos ambientais, a má gestão e as mudanças climáticas podem afetar a disponibilidade de água para todos os setores da sociedade,  reacendendo o debate sobre o assunto.

No Brasil, especialmente, o problema em diversos reservatórios oriundos da falta de chuva e de planejamento sobre a gestão dos recursos hídricos também trouxe o tema à tona. Esse problema impacta em perdas de produção para as empresas, racionamento e rodízio de água para as pessoas e da conta de luz.

Reportagem publicada pelo Valor Econômico evidenciava a desproporção entre a grande importância da água para a produção das empresas e a pouca atenção a ela dedicada pelo setor privado. No caso, 48% das companhias disseram que o racionamento vigente no período de escassez prejudicava fortemente sua operação. No entanto, mais da metade sequer determinavam uma meta ou estimativa para diminuir o consumo de recursos hídricos, fato mais evidenciado entre as empresas pequenas e médias.

É importante deixar claro que Gestão de Recursos Hídricos vai muito além do simples racionamento ou economia. Trata-se de mapear riscos e oportunidades que englobam o tema. Assim será possível estabelecer métricas e objetivos concretos sobre o impacto da água nas operações e finanças do negócio.

Por exemplo:

  • a importância dessa gestão;
  • como fazer o processo de identificação de riscos, oportunidades e boas práticas;
  • o que sua empresa pode mudar;
  • casos bem sucedidos;
  • exemplos de projetos.

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O cenário atual: reflexo da má gestão

O Fórum Econômico Mundial (FEM), em 2015, elegeu o risco hídrico como a grande ameaça para a sociedade global nos próximos anos. O problema não é exatamente novo. Além das mudanças climáticas, as principais razões são:

  • Anos de mau comportamento em relação ao uso da água e do solo;
  • Acomodação com a falsa impressão de abundância de água, que faz com que o custo deste ativo esteja bem abaixo do que deveria;
  • Alto índice de desperdícios e baixo investimento em infraestrutura;
  • Falta de fiscalização quanto ao uso adequado da água.

Esse cenário exige que soluções para controlar esse perigo iminente sejam adotadas rapidamente pelo maior número possível de pessoas e instituições.

O que é risco hídrico?

Risco hídrico pode ser definido como todo o risco relacionado ao suprimento de água para atender à demanda populacional e empresarial em curto e longo prazos. O conceito abarca secas ou inundações, baixa qualidade, comprometimento de sistemas e ecossistemas aquáticos e incapacidade de suprir a demanda de água local ou global – quando os reservatórios ou fontes naturais não dão conta do abastecimento, por exemplo.

Essa definição é baseada nas ideias da entidade internacional OCDE – Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico. Entendê-la é indispensável para elaborar planos e metas eficazes de gestão de recursos hídricos.

O que sua empresa pode mudar?

A segurança hídrica é fundamental para a perenidade de quase todos os negócios. Problemas no suprimento afetam a produção, aumento dos custos e até eventual perda de licença para operar, problema com outroga de uso da água uma vez que a má gestão pode impactar o atendimento às normas legais e a imagem pública da organização.

Mais um dado que corrobora essa linha de raciocínio é que 68% dos entrevistados pela pesquisa do FEM identificaram-se como estando “expostos ao risco hídrico”. O número é ainda mais substancial quando levamos em conta que a pesquisa escutou profissionais de 573 empresas, detentoras de U$ 60 trilhões de ativos ao todo.

Uma pesquisa da indústria paulista mostra que a situação não é muito diferente no Brasil. Os dados indicavam que um possível racionamento de água afetaria drasticamente a saúde financeira de 29,5% das grandes companhias.

Como o mercado não vive de problemas, e, sim, de soluções, muitas empresas debatem entre si e com o poder público medidas para melhorar sua performance nesse sentido.

Algumas iniciativas de otimização do uso da água incluem:

  • Perfuração de poços para reutilização da água;
  • Investimento em técnicas de reúso;
  • Processos internos de recirculação;
  • Gerenciamento e mensuração do uso eficiente da água nas operações;
  • Tratamento interno da água utilizada;
  • Desenvolvimento de planos conjuntos de mobilização para elaboração de investimentos e ações focadas na economia de recursos hídricos.

Algumas medidas podem, sim, ser adaptadas e aplicadas internamente. Mas é sempre importante ressaltar a importância do engajamento de todos os setores da sociedade.

No caso de mudanças internas, é interessante seguir um passo a passo de implementação na gestão, conforme mostra o gráfico a seguir:

gestão empresarial da água

Mas vamos citar um exemplo prático: o caso Ambev.

Caso – Ambev

A Ambev atua há mais de 20 anos para garantir a economia de água em suas unidades. Este trabalho fez com que a organização diminuísse em 38% a captação de água entre 2002 e 2013, tornando-a referência internacional.

Além da adoção interna de boas práticas – diminuição de desperdício e inclusão de metas sobre o uso de recursos hídricos -, a Ambev fez parcerias voltadas à preservação e conservação para além de seus muros.

Um exemplo é o projeto de reutilização dos efluentes gerados pela Ambev no Maranhão pela refinaria Alumar. Ou seja, a água que seria descartada no rio da região é bombeada até uma lagoa de sedimentação da Alumar para ser reaproveitada. A engenharia propicia que a Alumar não precise captar água subterrânea e reaproveite o efluente que seria descartado no rio.

A iniciativa reduziu em 72% o descarte de água no Rio Pedrinhas, um dos mais importantes da região, resultando num total de 500 milhões de litros poupados, o equivalente ao consumo mensal de uma cidade de 118 mil habitantes.

Para entender melhor sobre o assunto e as novas propostas de precificação da água e outras maneiras de repensar o uso econômico dos recursos hídricos, confira nosso post sobre Infraestrutura Natural. O conceito está mudando a forma de se pensar economicamente a utilização de recursos naturais e é uma tendência global.

Aproveite para ler também nosso material completo sobre soluções para o uso eficiente da água em empresas e oportunidades para as instituições financeiras!

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