Por que temos que falar sobre a 4ª Revolução Industrial?

Data: 27/11/2017

O conjunto de tecnologias e processos que vem sendo chamado de 4ª Revolução Industrial, ou quarta onda, representa uma profunda transformação no modo como produzimos e consumimos. Em 2011, o governo alemão liderou um projeto com o objetivo de criar as bases em que funcionaria a assim chamada fábrica inteligente.

Esse tipo de unidade de produção propicia que se multiplique muitas vezes a produtividade industrial com o uso cada vez menor de recursos humanos, por exemplo, e a potencial eliminação de processos sujos e custosos.

A virtualização das simulações permite que os processos relacionados com testes de protótipos —que, via de regra, representam cerca de metade dos esforços despendidos em uma unidade convencional de produção de máquinas— sejam realizados em ambientes controlados pelos softwares.

Considerando a parte que envolve apenas hardware, as peças já nascem identificadas e testadas, e as possibilidades de falhas na engenharia de produção passam a ser praticamente nulas.

Segundo o 1º Caderno FIESP sobre Manufatura Avançada e Indústria 4.0, publicado no segundo semestre de 2016, a quarta Revolução Industrial conta com o maior nível de complexidade tecnológica da história.

Dar escala e massificar o uso das novas tecnologias é um dos desafios que as grandes organizações enfrentam hoje. Temos a nosso favor, também segundo a mesma publicação, o fato de que no Brasil estão presentes as filiais das principais empresas à frente dessa revolução no mundo.

Não nos damos conta do impacto extraordinário que essa temática potencializará no médio e longo prazos, mas ela nos desafia a um novo patamar de planejamento e a uma visão muito mais acurada dos desafios que nos esperam, seja no campo da produção, seja no do emprego.

Não é possível assegurar que tipo de habilidades destacar-se-ão no curto prazo, mas temos certeza de que novos perfis de profissionais estão se configurando e serão necessárias adaptações para responder a tamanhas mudanças.

Por conta das transformações que vivemos diariamente, as diferenças entre indústria e serviços têm se tornado cada vez menos relevantes. As novas tecnologias possibilitarão mais igualdade.

Basta para isso que sejam criadas oportunidades para que as mulheres possam, por exemplo, ter mais acesso a carreiras nesse setor, tendo em vista que hoje há um pequeno percentual de participação delas em cursos de nível superior na área de Tecnologia da Informação, segundo estudo apresentado pela Sociedade Brasileira de Computação em 2014, apenas 15,27%.

Dessa forma, entre tantos outros aspectos, a 4ª Revolução Industrial pode ter papel ainda mais preponderante para que se atinjam metas relacionadas à diminuição de gases de efeito estufa, auxiliando no cumprimento do estabelecido por cada país no Acordo de Paris, através, por exemplo, da diminuição de deslocamentos por conta da comunicação que está muito desenvolvida, e também no cumprimento de Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Agenda 2030 da ONU.

A quarta onda tem tudo a ver com desenvolvimento sustentável, e estamos todos os dias escrevendo essa história que tem tudo para ser bem-sucedida e lembrada em um futuro não muito distante por nossos descendentes como o momento em que juntos salvamos finalmente o planeta do aquecimento global e da desigualdade através de uma revolução mais humana.

**Artigo publicado originalmente na Folha de S.Paulo, no dia 25 de novembro de 2017. 

Marina Grossi

Informações do Autor

Marina Grossi

Marina Grossi is an economist and has been president of the Business Council for Sustainable Development (CEBDS) since 2010. She was a Brazilian negotiator at the United Nations Framework Climate Change Convention Party Conference between 1997 and 2001 and coordinator of the Brazilian Climate Change Forum between 2001 and 2003. She also took part in the Kyoto Protocol negotiations.

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