Trabalhar pelo Acordo de Paris: um compromisso do Brasil

Data: 23/02/2017
Area: Clima, Comunicação, Institucional
Autor:
Categoria: Clima
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No final de 2016 o Acordo de Paris, um marco histórico da luta contra as mudanças climáticas, entrou em vigor desafiando o mundo a alcançar uma grande meta: manter o aumento da temperatura global abaixo de 2º C. Pouco antes, o Brasil ratificou seu compromisso com o Acordo e apontou qual seria a sua parcela de contribuição para a meta global.

Desde então, um dos principais focos de atuação do Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (CEBDS) tem sido trabalhar pela implementação de ações que nos levem a alcançar a meta prevista pelo Acordo. E este trabalho envolve muitas etapas, começando por dar conhecimento à sociedade sobre qual é a importância destes compromissos.

Assista o vídeo abaixo, produzido pelo CEBDS, em parceria com o We Mean Business, e entenda quais são os compromissos assumidos pelo Brasil no âmbito do Acordo de Paris.

Outra etapa fundamental neste trabalho é engajar o maior número de atores possível e, neste ponto, o CEBDS tem um papel estratégico a cumprir: mobilizar grandes empresas.

Seja promovendo a redução de emissões de gases de efeito estufa (GEE) em seus processos internos e em suas cadeias de negócio, seja articulando-se com outras corporações, governos e organizações da sociedade civil em torno de agendas que visem desenvolver e dar escala às soluções inovadoras, as empresas são o motor da transição para uma economia de baixo carbono.

Compete ao CEBDS ser o combustível desse motor. Foi com este espírito que incitamos nossas empresas associadas a, neste começo de ano, contar o que elas já têm feito para ajudar o Brasil a honrar os compromissos assumidos no âmbito do Acordo de Paris e, também, a convocar outras empresas para fazer o mesmo. Esta foi a corrente #JuntosPeloClima.

Tendo as redes sociais como principal plataforma, a ação articulada pelo CEBDS promoveu, ao mesmo tempo, a divulgação de ações concretas contra o aquecimento global e uma inusitada interação entre 17 das maiores empresas brasileiras.

Esta corrente que promovemos nas redes sociais é um pequeno ensaio do movimento que será necessário à inexorável transição para uma economia de baixo carbono: uma ação em rede, colaborativa e capaz de inspirar outras tantas empresas a trilharem o mesmo caminho.

Desafios e oportunidades

O engajamento do CEBDS nessa pauta prosseguirá com o lançamento, no primeiro semestre deste ano, de um estudo apontando os desafios e as oportunidades de negócio abertos pelas metas que o Brasil assumiu no âmbito do Acordo de Paris.

Este trabalho é estratégico para o Brasil planejar as ações que nos possibilitarão alcançar tais metas. Em outras palavras, vamos contribuir para o desenvolvimento dos meios e estratégias necessários para implementar os compromissos de redução de emissões de GEE assumidos pelo país. E é importante ter clareza de que nosso êxito só será alcançado se for encarado como um esforço a ser realizado pelo conjunto da economia brasileira.

Por isso, o estudo, realizado com apoio do We Mean Business, apresentará as oportunidades e desafios trazidos pelas metas em cinco setores: energia, florestas, agricultura, indústria e transportes.

Entretanto, apesar do enfoque setorial, o estudo também apontará mudanças estruturais que devem ser feitas em nossa economia.  Por isso, destacaremos questões transversais e relações intersetoriais, apresentando os desafios e as oportunidades organizados por dimensão: econômica; setorial; política e regulatória; e tecnológica.

Munidos deste estudo, os CEOs articulados pelo Conselho de Líderes do CEBDS irão, também no primeiro semestre de 2017, apresentá-lo ao governo federal para debater uma agenda capaz de sintonizar os compromissos assumidos em Paris com a retomada de um crescimento econômico sob bases sustentáveis.

Para além do trabalho diretamente ligado aos desdobramentos do Acordo de Paris, o CEBDS prosseguirá liderando em 2017 os esforços de implementação da agenda sustentável como um todo, cumprindo o papel que exerce há 20 anos na formulação e na articulação de governos, empresas e organizações. Água; biodiversidade; transporte e logística sustentáveis; mitigação de impactos sociais; precificação de carbono; e novos mecanismos financeiros que viabilizem a economia de baixo carbono, como os títulos verdes, são algumas das pautas sobre as quais atuaremos em 2017.

Acompanhe o CEBDS e faça parte dessa transformação.



Marina Grossi

Informações do Autor

Marina Grossi

Marina Grossi é economista e assumiu a presidência do Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (CEBDS) em 2010. No CEBDS desde 2005, Marina atuou como diretora-executiva e coordenadora das Câmaras Temáticas de Mudança do Clima e Energia, Construção Sustentável e Finanças Sustentáveis. Possui um vasto currículo ligado à área governamental, atuando como negociadora do Brasil na Conferência das Partes (COP) da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP do Clima) entre 1997 a 2001, e como coordenadora do Fórum Brasileiro de Mudanças Climáticas entre 2001 e 2003. Participou das negociações do Protocolo de Kyoto e representou o Grupo dos 77 (G77) mais China na área de Mecanismo Financeiro na COP 6 ½ (segunda fase da COP 6) que ocorreu em Bonn, Alemanha. Foi assessora do Ministério da Ciência e Tecnologia, na Coordenação de Pesquisa em Mudanças Globais, e na Coordenadoria de Comunicação Social e chefiou a Assessoria Internacional da Televisão Educativa (Funtevê).