Um desafio de 50 anos em 15 só será superado se estivermos todos juntos

Data: 21/09/2017
Area: Comunicação, Social
Autor:
Categoria: Social

Lançados há dois anos, os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) foram construídos sobre as bases estabelecidas pelos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM), de maneira a completar o trabalho iniciado e responder a novos desafios. A nova agenda mescla, de forma equilibrada, as três dimensões do desenvolvimento sustentável – econômica, a social e a ambiental – e abrange temas como meio ambiente, igualdade de gênero, erradicação da fome, acesso à saúde e à educação, consumo responsável, crescimento econômico inclusivo, entre outros.

O sucesso dos ODS dependerá de uma parceria global e da participação ativa de governos, sociedade civil e setor privado. Como principal canal entre as empresas e a ONU, o Pacto Global tem a missão de engajar o setor privado no alcance dos 17 Objetivos e suas 169 metas até 2030.

Este engajamento é necessário não apenas pela crescente pressão por práticas empresariais que impactem menos o meio ambiente e os direitos humanos, mas também pela oportunidade de negócios que o alcance da agenda pode representar. Segundo o relatório Better Business Better World, lançado em 2017 pela Business and Sustainable Development Commission, o impulsionamento de modelos de negócios sustentáveis em prol dos ODS pode criar uma janela econômica de oportunidades em torno de US$12 trilhões, aumentando a geração de emprego em 380 milhões de vagas até 2030.

Para que isso aconteça, o engajamento do setor privado com esta agenda não pode ser marginal. As empresas precisam internalizar os ODS em seu core business, ou seja, na sua estratégia, buscando compreender de maneira realista seu impacto positivo e negativo nos 17 Objetivos. Nesse sentido, uma ferramenta interessante é o SDG Compass. Lançado em 2015 pelo United Nations Global Compact, World Business Council for Sustainable Development e Global Reporting Initiative, o SDG Compass traz cinco passos que representam o amadurecimento corporativo frente a esta nova agenda. Em âmbito local, este guia é foco de um treinamento desenvolvido e ofertado pela Rede Brasil do Pacto Global, CEBDS e GRI, que já impactou mais de 500 pessoas desde 2016.

Outra ação desenvolvida localmente pela Rede Brasil é a disseminação de conteúdos sobre o engajamento empresarial com a agenda ODS. Recentemente, publicamos o estudo Integração dos ODS na Estratégia Empresarial – Uma Contribuição do Comitê Brasileiro do Pacto Global para a Agenda 2030, cujo propósito foi conhecer os esforços e os desafios de 21 empresas do Comitê Brasileiro do Pacto Global, responsável pela gestão da iniciativa no Brasil, frente à implementação do 17 Objetivos Globais em sua estratégia.

Os resultados do estudo demonstram que metade da amostragem já considerou os ODS na revisão de sua estratégia de negócios. A maioria entende que o alinhamento com a agenda contribui para fortalecer a relação com parceiros, além de permitir o diálogo com o governo. Outro destaque é que 43% das participantes já comunicou os ODS internamente e está mensurando os impactos da sua atuação.

Reitero a premissa da ONU em defender que a Agenda 2030 é de todos e que ninguém pode ficar para trás. Sendo assim, o setor privado representa uma peça essencial nesta engrenagem, e as empresas devem buscar ajustar a sua agenda com os ODS. De acordo com o SDG Compass, a organização pode começar trabalhando com um único – ou alguns – ODS, talvez aquele que tenha uma relação mais direta com seu core business. Mas é essencial identificar como o(s) ODS escolhido(s) pode(m) afetar os outros, ou seja, não se deve perder a visão sistêmica de que todos estão interligados.

Afinal, é um desafio de 50 anos em 15. Junte-se a nós nesta empreitada.



Carlo Pereira

Informações do Autor

Carlo Pereira

Carlo é secretário executivo da Rede Brasil do Pacto Global. Químico e mestre em Ciências pela Universidade de São Paulo (USP), cursou MBA em Sustentabilidade pela Universidade de Lüneburg (Alemanha) e especialização em International Leadership Training pela Deutsche Gesellschaft für Internationale Zusammenarbeit (GIZ). Tem mais de 15 anos de experiência em temas relacionados à sustentabilidade corporativa, tais como mudanças do clima, energia renovável e investimento social privado, com passagem por inúmeros setores de empresas brasileiras. Nos últimos quatro anos, Carlo Pereira foi gerente corporativo de Sustentabilidade da CPFL Energia e representou a empresa no Comitê Brasileiro do Pacto Global. A vasta experiência em questões climáticas o credenciou para coordenar o Grupo Temático de Energia e Clima da Rede Brasil do Pacto Global entre 2015 e 2017.