Vale: a mineração se reinventa

Data: 23/01/2017
Area: Clima, Comunicação
Autor:
Categoria: Clima

Imagine uma mina sem caminhões fora de estrada para transportar o minério de ferro e sem barragem de rejeito. Ela existe e fica em Canaã dos Carajás, sudeste do Pará. Inaugurado em 17 de dezembro de 2016, o Complexo S11D Eliezer Batista é o maior projeto de mineração da história da Vale e do setor. O empreendimento, que agrega tecnologia de ponta, baixo custo e alta produtividade, permitirá à Vale uma redução  anual de, no mínimo, 50% das emissões de Gases do Efeito Estufa (GEE), o que significa cerca de 130 mil toneladas de CO2 equivalente que deixarão de ser emitidas. Além disso, vai permitir uma economia de 18 mil MWh/ano de eletricidade, o equivalente ao consumo de 10 mil residências.

O S11D é um exemplo do compromisso da Vale em desenvolver soluções alinhadas aos esforços mundiais de redução das emissões de GEE e da manutenção de uma gestão equilibrada dos recursos naturais nos processos. São ações e compromissos que integram a Política Global de Mitigação e Adaptação às Mudanças Climáticas da Vale. A política estabelece a Meta Carbono, criada em 2012, na qual a empresa se compromete em reduzir em 5% suas emissões diretas de GEE em 2020[1], a partir de medidas de combate à mudança do clima e de seus impactos. A empresa ainda incentiva sua cadeia de valor a fazer o mesmo.

Vista aérea da usina S11D. Foto: Ricardo Teles.

Em 2015, a Vale desenvolveu planos para o monitoramento anual das reduções de emissões dos projetos que compõem a carteira da Meta Carbono para garantir que sua meta de redução seja atingida no ano planejado. Como resultado dessas iniciativas, a Vale foi reconhecida pela sexta vez como uma das empresas líderes em transparência no Brasil, integrando novamente o índice Climate Disclosure Leadership Index (CDLI), do Carbon Disclosure Project (CDP), cujo sistema permite às empresas medir, gerenciar e compartilhar informações sobre emissões de GEE e outros temas ambientais. A Vale teve ainda seu inventário qualificado, mais uma vez, com o selo Ouro do Programa Brasileiro do GHG Protocol.

Para se manter focada em suas metas, a Vale fez, no ano passado, uma revisão aprofundada em sua política de sustentabilidade baseada nos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável, da Organização das Nações Unidas (ONU). A política da Vale tem como objetivo estabelecer diretrizes e princípios para a sustentabilidade em seus projetos e operações, reforçando o compromisso com a vida em primeiro lugar e sua responsabilidade social, ambiental e econômica.

[1] A meta considera a diferença entre emissões evitadas ou reduzidas com a estimativa de emissões reais em 2020, caso a empresa não tomasse nenhuma iniciativa nesse sentido.

Saiba mais sobre o S11D

Uma das principais soluções tecnológicas que transformam a mina de S11D em referência em termos ambientais é a adoção do sistema truckless, um conjunto de estruturas composto por escavadeiras e britadores móveis interligados por correias transportadoras. Ao todo, as correias chegam a 68 quilômetros de extensão operando dentro da mina e da usina. O novo sistema substitui os tradicionais caminhões fora de estrada, comuns na mineração. Se fosse uma mineração convencional, seriam necessários usar 100 caminhões fora de estrada de 240 toneladas de capacidade. Sem eles, a Vale reduzirá em cerca de 70% o consumo de diesel. A menor utilização de equipamento de mineração também representa uma redução significativa na produção de resíduos como pneus, filtros de óleo e lubrificantes.

Vista aérea da mina

Localizada no alto da serra, a 400 metros acima do local onde está sendo instalada a usina, a mina do S11D contará com quatro sistemas de escavadeiras e britadores móveis operando simultaneamente. Depois de britado, o material recolhido na frente de lavra será transportado por correias até uma casa de transferência, onde o minério de ferro, a canga e o estéril serão separados e direcionados para a usina de processamento ou para o empilhamento. O minério será enviado à usina por meio do Transportador de Correia e Longa Distância, que tem mais de nove quilômetros de comprimento. Outras duas linhas, de aproximadamente cinco quilômetros cada, levarão o estéril e a canga (minério de ferro com maior teor de contaminantes) para a área das pilhas.

Toda essa estrutura de correias transportadoras permitiu que a usina, os pátios de estocagem e regularização de minério, as pilhas de estéril e canga e a área de manobra e carregamento de trens fossem instaladas em um terreno de pastagem, fora da Floresta Nacional de Carajás (Flonaca). Com a solução foi possível reduzir em mais de 40% a supressão vegetal na Flonaca quando comparado com o plano diretor original, de 2,6 mil hectares. A Floresta Nacional de Carajás tem 412 mil hectares e, mesmo depois da implantação do S11D, menos de 4% terão sofrido interferência pelas atividades de mineração desde que a Vale se instalou na região, há 30 anos.

A usina do S11D usará também uma rota de processamento desenvolvida pela Vale: o processamento à umidade natural – ou a seco, como também é conhecido -, já utilizado em algumas plantas de Carajás e que permitirá reduzir em 93% o consumo de água, o equivalente ao abastecimento de uma cidade de 400 mil habitantes. Outra vantagem é a eliminação de barragens de rejeitos por conta da alta qualidade do produto a ser lavrado e do processamento a seco. O ultrafino de minério com alto teor de ferro, que iria para a barragem, não será descartado, permitindo que seja incorporado à produção.

Sabia mais sobre o Complexo S11D Eliezer Batista:

 



Gleuza Jesué

Informações do Autor

Gleuza Jesué

Gerente-executiva de Meio Ambiente da Vale, Gleuza Jesué atua na área socioambiental há 28 anos, especialmente no setor de energia. É responsável pela área ambiental da Vale no Brasil e em todas as unidades da empresa no exterior. Atualmente é membro suplente do Conselho Curador da Fundação do Banco do Brasil e representante da Vale no Conselho do Cebds.