O financiamento de longo prazo para investimentos em tecnologias de baixo carbono foi considerado a questão-chave, nesta quinta-feira, em Paris, durante evento do We Mean Business na COP 21, informa Lilia Caiado, assessora técnica do Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (CEBDS). Segundo ela, do ponto de vista dos negócios, o rascunho do novo acordo global do clima divulgado ontem deixa claro que o setor empresarial será fundamental para destravar os trilhões de dólares – e não bilhões, como se imaginava – necessários à economia de baixo carbono. – o draft não deixa isso claro. O draft ainda está com os us$100 bilhões. Está claro para o Cameron que o setor empresarial é fundamental e que são preciso trilhões e não bilhões.

“Podemos chegar a um acordo diplomático ou acordo catalítico da nova economia. Para que o acordo do clima seja catalítico, é necessário focar na questão financeira e o setor empresarial deve ser um parceiro em termos de inovação e financiamento”, disse Edward Cameron, diretor do Business for Social Responsibility (BSR).

Cameron, fala no evento do We Mean Business, tendo Nicolette à sua direita.

Cameron fala no evento do We Mean Business, tendo Nicolette à sua direita.

“É preciso destravar os trilhões de dólares para alcançarmos a meta de longo prazo do financiamento e, sejamos claros, para isso nós precisamos do setor privado”, acrescentou Nicolette Bartlett, do Prince of Wales Corporate Leaders Group.

“Sentimos que estamos no curso de um acordo ambicioso. O sinal de países como o Brasil, o primeiro país emergente a estabelecer uma meta voluntária absoluta de redução de gases de efeito estufa em sua INDC (metas voluntárias apresentadas às Nações Unidas), é muito importante, disse Cameron.

Segundo Cameron, discussões ambiciosas estão acontecendo no sentido de energias renováveis, florestas etc. Para ele, a revisão periódica dos compromissos de cinco em cinco anos dá ao business a confiança para agir sem o temor de que as políticas climáticas não serão – colocaria sejam desfeitas por uma troca de governo.

 Empresas já adotam precificação de carbono

Em relação à precificação do carbono, Edward Cameron disse que incontáveis empresas no mundo todo já adotam um preço interno para o carbono como medida de gestão de riscos. “É crucial a precificação, ainda que possa não ser politicamente viável nesse momento. Para esse acordo, existem outros mecanismos que podem ser cruciais – mudaria a palavra pois está repetida como a revisão periódica dos compromissos e o financiamento de longo prazo”, afirmou.

Mesmo que a precificação não fique no texto do acordo, muitos instrumentos que sabidamente são muito importantes também não estarão e nem por isso deixarão de ser perseguidos como, por exemplo, promover o dobro de investimento em pesquisa e desenvolvimento de tecnologias de baixo carbono, completou Cameron.

Para Nicolette Bartlett, se a precificação do carbono estiver no acordo, ainda que de forma tímida, isso dará um sinal para que o preço já praticado torne-se mais alto. “A precificação é, acima de tudo, uma ferramenta de gestão”, disse ela.

 Jeffrey Sachs: a sustentabilidade precisa ser orientada para os negócios

“É uma grande agenda, obviamente relacionada às empresas. Por que o desenvolvimento da América Latina não deslancha? Porque a educação é muito pobre. Eu proponho que os governos se conectem com outros agentes como as empresas. Isso precisa ser orientado para os negócios”, disse hoje o economista Jeffrey Sachs, durante evento do World Business Council for Sustainable Development (WBCSD) na COP 21. Quem informa é a gerente de Projetos e Conteúdo do Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (CEBDS), Ana Carolina Szklo, que assistiu a apresentação junto com a coordenadora da Assessoria Técnica do CEBDS e coordenadora Relacionamento como WBCSD, Fernanda Gimenes.

Jeffrey Sachs falando sobre a Rede de Soluções para o Desenvolvimento Sustentável (SDSN, na sigla em inglês), eu também atua no Brasil.

Jeffrey Sachs falando sobre a Rede de Soluções para o Desenvolvimento Sustentável (SDSN, na sigla em inglês), eu também atua no Brasil.

Jeffrey Sachs fala do Brasil e o protagonismo do país no combate ao aquecimento global, assista:

A presidente do CEBDS, Marina Grossi, também participou do evento como palestrante, e falou sobre a iniciativa de Parcerias de Tecnologias de Baixo Carbono (LCPTi, na sigla em inglês).

Sachs discorreu sobre a rede global Sustainable Development Siltions Network (SDSN), que incentiva o desenvolvimento sustentável e apoia a implementação dos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS). A rede atua no Brasil por meio da SDSN Brasil e da SDSN Amazônia, que trabalham com foco mais regional.

Marina Grossi apresentando os resultados do LCPTi no Brasil, durante o evento do WBCSD.

Marina Grossi apresentando os resultados do LCPTi no Brasil, durante o evento do WBCSD.

Marina Grossi apresentando os resultados do LCPTi no Brasil, durante o evento do WBCSD.

Marina Grossi apresentando os resultados do LCPTi no Brasil, durante o evento do WBCSD.

Linda Murasawa, do Santander, vê evolução na COP 21

Linda Murasawa, superintendente executiva e de sustentabilidade do Santander, analisa a COP 21 em nota enviada especialmente para o hotsite do CEBDS.

“Nesta Conferência, temos temas como “Adaptação baseada em ecossistemas” e “Carbon Pricing” surgindo com uma certa intensidade. Questões econômicas como a necessidade de instrumentos financeiros aparecem como um dos pilares para a transformação na busca de uma Economia Descabornizada, outra nomenclatura muito utilizada aqui em Paris, que tem uma atitude diferente do termo Baixo Carbono – pois o objetivo é a busca do zero carbono e não manter emissões, mesmo que baixas. Sutil, mas representa uma evolução”, diz ela, diretamente de Paris.

 Presidente da COP 21 divulga novo rascunho do acordo

O ministro dos Negócios Estrangeiros – foreign affairs é relações exteriores em português da França e presidente da COP 21, Laurent Fabius, divulgou ontem um novo rascunho do acordo do clima que está sendo negociado por 195 países durante a Convenção das Nações Unidas, em Paris.

Com 29 páginas, em vez das 48 da versão anterior, o texto busca um consenso sobre a redução das emissões de gases de efeito estufa. Os ministros envolvidos nas negociações tiveram que entrar pela madrugada para tentar superar os pontos de discordância. Para mais informações: acesse.

Rascunho indica que pode ser fechado um bom acordo

Em nota divulgada ontem, o Observatório do Clima avalia que “O texto apresentado pelo chanceler francês Laurent Fabius na tarde desta quarta-feira ainda permite um bom acordo em Paris.” acesse para ler a íntegra do texto.