O acordo global do clima não será concluído hoje, último dia da 21ª Conferência da Convenção-Quadro das Nações Unidas (COP 21), realizada desde 30 de novembro em Paris. Depois de dizer, em evento pela manhã, que o documento sairia neste sábado, a ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, informou que as negociações devem ir até domingo.

De acordo com a presidente do Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (CEBDS), Marina Grossi, a ministra Izabella Teixeira falou esta tarde à imprensa sobre o andamento das negociações e o novo número do processo, que deverá incluir a meta de limitar o aumento da temperatura do planeta a 1,5°C neste século – meta mais ambiciosa do que a de 2°C – para estabilizar o clima. “O ministro Figueiredo disse que esse é um item importante, que continua no texto”, reporta Marina.

O ministro Luiz Alberto Figueiredo e a ministra Izabella Teixeira falaram sobre as expectativas quanto ao novo acordo.

O ministro Luiz Alberto Figueiredo e a ministra Izabella Teixeira falaram sobre as expectativas quanto ao novo acordo em evento. 

Durante evento mais cedo, a ministra Izabella Teixeira tinha dito que hoje o dia seria de consultas bilaterais e que um novo texto do acordo poderia sair na manhã de sábado. A ministra tinha feito essas declarações durante evento paralelo à COP 21 sobre “A política climática brasileira pós-2020: desafios e oportunidades”, do qual a equipe do CEBDS esteve presente.

Ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, em evento na COP 21.

Ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, em evento da Iniciativa Empresarial em Clima (IEC) na COP 21.

Otimismo em relação ao acordo

De acordo com Lilia Caiado, assessora técnica do CEBDS presente ao evento organizado mais cedo pela Iniciativa Empresarial em Clima (IEC – da qual o CEBDS faz parte) e pelo Ministério do Meio Ambiente, a ministra transmitiu otimismo ao último rascunho do acordo: “O texto que saiu ontem foi animador e começa a ter uma cara de novo momento da discussão sobre mudança do clima”, disse Izabella Teixeira.

“Quais os desafios que se colocam daqui para frente?”, questionou a ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, a uma plateia lotada.

“Quais os desafios que se colocam daqui para frente?”, questionou a ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, a uma plateia lotada.

“Quais os desafios que se colocam daqui para frente?”, questionou a ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, a uma plateia lotada Na ocasião, a ministra disse que o mundo está saindo de um momento em que um conjunto de países tinha a responsabilidade de implementar estratégias de redução de emissões e passando para a fase em que 186 países estão oferecendo caminhos para a solução. “Necessitamos de uma clareza maior. Um alinhamento pós-2020, para não termos retrocesso”, acrescentou a ministra. “É preciso criar as condições para que as INDCs sejam implementadas – recursos, treinamento, capacitação nacional e tecnologia – para que todos estejam a bordo”, acrescentou a ministra. Mudança climática é ativo e não ameaça  A ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, disse ainda que a mudança climática passa a ser um ativo para o desenvolvimento do Brasil, e não ameaça. Para isso, serão necessárias mudanças institucional e política. “Instituições deverão se preparar para essa mudança e todo o diálogo político terá que mudar”. Izabella acrescentou que a construção da INDC do Brasil foi diferenciada, inovadora e não circunscrita ao governo e ao Ministério do Meio Ambiente, envolvendo também outros atores políticos importantes e que mobilizam segmentos distintos.  “A INDC é um instrumento de política de Estado”, afirmou a ministra. Segundo ela, o setor empresarial terá um novo papel e não poderá ser reativo, mas sim antecipar as oportunidades de mercado. “Qual a liderança que o Brasil quer ter, e em que setores?”, questionou à plateia lotada presente ao evento.  “Não oferecemos INDC condicionada a ter financiamento”, concluiu a ministra, prevendo também que não será possível resolver o problema do desmatamento na Amazônia se não houver alternativas de emprego.

Business integrado às negociações

“O business está cada vez mais integrado às negociações, afirmou esta manhã a presidente do CEBDS, Marina Grossi, na abertura do evento paralelo à COP 21 organizado pela Iniciativas Empresariais em Clima (IEC), que reune instituições como CEBDS , Ethos, CDP , FGV, Pacto Global, em parceria com o Ministério do Meio Ambiente.

Marina disse que o setor privado está mostrando que existem tecnologias e soluções de negócios que podem contribuir para tornar o acordo mais ambicioso.

Marina Grossi, presidente do CEBDS, na abertura de evento organizado por instituições do setor privado em parceria com o Ministério do Meio Ambiente.

Marina Grossi, presidente do CEBDS, na abertura de evento organizado pela Iniciativa Empresarial em Clima (IEC)  em parceria com o Ministério do Meio Ambiente.

Marina destacou que o setor privado está unido em torno de iniciativas como o We Mean Business e a Coalizão Brasil, Clima, Florestas e Agricultura, construindo mensagens claras e reforçando a agenda comum das empresas.

Brasil tem sido liderança nas negociações

O secretário de Mudanças Climáticas e Qualidade Ambiental do Ministério do Meio Ambiente, Carlos Klink, reconheceu a importante contribuição do CEBDS ao criar o Conselho de Líderes, iniciativa cuja proposta é instituir um diálogo permanente e de alto nível com o governo para o desenvolvimento de parcerias público-privadas em setores estratégicos para a economia de baixo carbono.

“O Brasil tem tido liderança na negociação e defendido pontos muito importantes como transparência e revisões. O espírito de parceria com o setor privado, durante a construção da INDC brasileira (conjunto de metas voluntárias de redução de gases de efeito estufa apresentado às Nações Unidas) deve continuar. Com esse espírito, vamos lograr os arranjos necessários para chegar ao ano de 2020 no caminho que precisamos para a redução das emissões”, disse ele.

Klink informou que instituições como a Federação Brasileira de Bancos estão se engajando nesses temas de interesse nacional. “Estamos fazendo uma grande movimentação de recursos nacionais, mas precisamos do setor privado”, acrescentou.

Marina Grossi, ao lado de Carlos Klink. “Conseguimos para o Brasil a extensão do Fundo Amazônia. Já temos sinalização do governo alemão para uma contribuição de US$ 100 milhões”, disse ele.

Marina Grossi, ao lado de Carlos Klink. “Conseguimos para o Brasil a extensão do Fundo Amazônia. Já temos sinalização do governo alemão para uma contribuição de US$ 100 milhões”, disse ele.

Klink disse ainda que o Brasil conseguiu desenvolver sistemas eficazes de transparência e monitoramento, de forma que o país foi auditado pela Conferência e conseguiu apresentar seus números com relação a todos os biomas.

 Segundo ele, acaba de terminar a consulta pública do plano nacional de adaptação e o desenvolvimento de uma ferramenta coma qual as empresas podem se enxergar no contexto das mudanças do clima, como podem se adaptar. O Brasil reconhece que os setores-chave para a redução de suas emissões, para além do desmatamento, são agricultura e energia, e isso está refletido na INDC.

 “O espírito principal da INDC é que caminho queremos trilhar. Para a construção da INDC houve uma busca pela contribuição de todas as lideranças do país: lideranças políticas, de negócios, e até religiosas.

 CPFL Renováveis defende precificação de carbono Durante o evento, o diretor de Sustentabilidade da CPFL Renováveis, Rodolfo Sirol, propôs a Carlos Klink que o governo brasileiro institua a precificação de carbono no país. Segundo ele, a CPFL está revendo toda a sua cadeia de produção e enxergando a energia solar como grande player. A empresa já tem a maior capacidade instalada de produção de energia eólica do país, com mais de 1000 MW. “O desafio agora é inserir as questões climáticas no planejamento estratégico de todas as empresas do grupo, ao menos no horizonte até 2030, guiadas pela INDC do país. Está sendo todo um esforço ao longo da cadeia de valor”, acrescentou Sirol.  A CPFL Renováveis foi uma das empresas que apresentou case durante o evento. A empresa está investindo em geração distribuída, biogás e na geração por meio de resíduos sólidos.

Representantes da Braskem, CPFL Renováveis e Grupo Libra apresentam experiências de sucesso.

Representantes da Braskem, CPFL Renováveis e Grupo Libra apresentam experiências de sucesso.

Fotos de hoje:

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Na foto, pessoa fantasiada de mestre Yoda, o personagem de “Guerra nas estrelas”, ao lado do também cavaleiro Jedi Luke Skywalker, representando as forças do bem no universo. Yoda segura cartaz em que a presidente Dilma Roussef aparece ao lado do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, e da chanceler alemã Angela Merkel. Essas lideranças mundiais são convocadas a liderar acordo por um clima 100% limpo.

Na foto, pessoa fantasiada de mestre Yoda, o personagem de “Guerra nas estrelas”, ao lado do também cavaleiro Jedi Luke Skywalker, representando as forças do bem no universo. Yoda segura cartaz em que a presidente Dilma Roussef aparece ao lado do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, e da chanceler alemã Angela Merkel. Essas lideranças mundiais são convocadas a liderar acordo por um clima 100% limpo.

Imagem divulgada pelo Climate Group e CDP, informando que as energias renováveis podem evitar 10% a 15% das emissões de CO2 do planeta.

Imagem divulgada pelo Climate Group e CDP, informando que as energias renováveis podem evitar 10% a 15% das emissões de CO2 do planeta.