Le Bourget, França, 30 de novembro de 2015 – Foi dada a largada para o início das negociações de um novo acordo global do clima, com a presença de cerca de 150 chefes de estado e representantes da sociedade civil, incluindo o setor privado. A histórica 21ª Conferência das Partes das Nações Unidas (COP21) começou hoje, no centro de convenções de Le Bourget, ao norte de Paris.

Marina Grossi, presidente do Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (CEBDS), acompanhou a abertura da Conferência e principais eventos. O discurso de abertura do evento ficou por conta do ministro do Ambiente do Peru, Manuel Pulgar Vidal, representante do país em que a COP foi realizada no ano passado. “Se estamos aqui hoje é porque podemos lutar tanto contra as mudanças climáticas quanto contra o terrorismo”, disse ele, antes de passar a palavra ao ministro das relações exteriores da França, Laurent Fabius.

A COP 21 ocorre menos de três semanas depois dos atentados terroristas que deixaram 130 mortos em Paris, o que torna ainda mais relevante a presença maciça dos chefes de estado, que deram impulso político às negociações. O governo francês reforçou o policiamento em hotéis, aeroportos e fechou diversas ruas na cidade para circulação de autoridades.

“É o maior encontro já feito com chefes de estado em um dia sob um único teto”, afirmou a secretária-executiva da Convenção do Clima da ONU, Christiana Figueres, destacando a importância dada pelo mundo à agenda climática.
A previsão é de que o novo acordo global do clima, que irá substituir o Protocolo de Quioto, seja anunciado dia 11 de novembro e seja a chave para limitar o aquecimento do planeta a 2°C em relação à era pré-industrial.

Brasil na COP 21
Em seu discurso na COP 21, pela manhã, a presidente Dilma Rousseff defendeu que sejam estabelecidos compromissos legalmente vinculantes pelos países – ou seja, que os compromissos tenham força de acordo internacional – e que o acordo global do clima faça diferenciação entre os países.
Antes do almoço a presidente participou de evento organizado pelas Nações Unidas sobre proteção das florestas como elemento-chave de combate às mudanças do clima.
Ela falou também sobre mitigação e adaptação, destacando a importância crescente das energias renováveis, especialmente solar. O potencial hidroelétrico do país também foi citado como alternativa a combustíveis como o carvão e o gás. Defendeu que a matriz de transporte seja descarbonizada, e as energias renováveis solar, eólica e biomassa, hidrelétrica, enfatizando também o avanço da tecnologia para produção de etanol.

A presidente destacou ainda a importância da implementação do acordo, tanto do ponto de vista de financiamento quanto de transferência de tecnologias e transparência. Reafirmou as metas voluntárias apresentadas pelo país às Nações Unidas (INDC, na sigla em inglês).

EMPRESAS NA COP 21

O setor privado marcou presença no primeiro dia da COP 21. A boa notícia veio logo pela manhã, quando foi anunciada a disponibilização de US$ 600 milhões para o Fundo Amazônia, basicamente com recursos doados pela Noruega.
No fim da tarde, o World Business Council for Sustainable Development (WBCSD) realizou evento em conjunto com a International Emissions Trading Association’s (IETA). O evento lotou, confirmando a mobilização sem precedentes do setor privado em relação a uma conferência do clima.
Já no primeiro dia foi debatida a importância da precificação do carbono no evento do espaço business do WBCSD e IETA. Nos depoimentos e exemplos, ficou claro que estamos em um outro momento desta discussão, pois já temos cases e ações exitosos tanto por parte das empresas quanto nos países que adotaram este modelo”, afirma Marina Grossi.

Galeria de fotos:

Al Gore. Foto de Marina Grossi

Al Gore. Foto: Marina Grossi

1 min silêncio. Foto de Marina Grossi

Um minuto de silêncio em respeito as vítimas do atentado em Paris. Foto: Marina Grossi