A Coalizão Brasil Clima, Florestas e Agricultura promoveu nesta quinta-feira (17) um debate sobre o papel da agricultura e das florestas brasileiras no cumprimento do Acordo de Paris. O evento contou com a participação dos ministros do Meio Ambiente, Sarney Filho, e da Agricultura, Blairo Maggi, e aconteceu durante à 22ª Conferência das Partes da Convenção Quadro das Nações Unidas para as Alterações Climáticas (COP 22).

Sarney Filho, apontou que o Brasil conseguiu reduzir em 80% o desmatamento e mantê-lo em níveis baixos com auxílio de tecnologia, mas ressaltou a importância de se ampliar os investimentos em ações climáticas. “Na Amazônia estão 25 milhões de pessoas e os municípios mais pobres do Brasil. Se o bem ambiental não for valorado, o desmatamento volta a crescer, por isso, é preciso utilizar instrumentos econômicos como REDD+, Bolsa Verde, fundos de compensação, que precisam ser efetivados de maneira rápida” explicou.

O ministro também destacou a importância das parcerias nesse processo. “A saída para continuarmos a redução de emissões, por contenção do desmatamento, passa necessariamente pela questão financeira, pelas parcerias e precisamos aprofundar a discussão sobre como parcerias como a Coalizão Brasil podem ajudar nesse processo”, indicou.

Já Blairo Maggi salientou que a agricultura é uma das principais atividades econômicas do Brasil, “responsável nesse momento por 50% das exportações”, e que ela é detentora de um enorme ativo que precisa ser valorado: as áreas preservadas. Maggi defendeu melhores condições para o setor poder contribuir com a implementação do Acordo de Paris. “Precisamos pensar em algo mais leve e mais factível para os produtores rurais”, afirmou.

A diretora Global de Agricultura do Banco Mundial, Ethel Sennhauser, também integrou a mesa e destacou que o Brasil possui grande potencial de exploração da pecuária intensiva, aumentando produtividade e permitindo que o país aumente a produção sem expandir a fronteira agrícola. “O programa ABC do Brasil é o mais importante programa de agricultura de baixo carbono do mundo, todos falam dele ao redor do mundo”, disse.

Ethel Sennhauser afirmou que o planeta está olhando para o Brasil e espera que o país seja um exemplo de agricultura de baixo carbono. “É um desafio, mas o Brasil já teve desafios mais difíceis antes e vocês conseguirão, mesmo com uma situação fiscal complicada, vocês irão encontrar alternativas de financiamento”, concluiu.

Plataforma para estimular mercado de biocombustíveis

Na última quarta-feira (16), os ministros Sarney Filho e Baliro Maggi lançaram, na COP22, a plataforma Biofuturo. A inciativa articula 20 países: Argentina, Brasil, Canadá, China, Dinamarca, Egito, Estados Unidos, Filipinas, Finlândia, França, Índia, Indonésia, Itália, Marrocos, Moçambique, Países Baixos, Paraguai, Reino Unido, Suécia e Uruguai.

O Brasil, autor da proposta original da plataforma, irá coordenar a sua implementação. A iniciativa representa um novo esforço coletivo para acelerar o desenvolvimento e a implantação de biocombustíveis avançados, nos setores mais diversos, como alternativas sustentáveis aos combustíveis fósseis.