A formação de uma rede global de pesquisadores para acelerar a ação climática foi anunciada nesta quinta-feira (17) pelo economista Nicholas Stern, autor do principal documento sobre economia do clima e presidente do Grantham Institute – Climate Change and the Environment, durante a 22ª Conferência das Partes da Convenção Quadro das Nações Unidas para as Alterações Climáticas (COP22), que acontece em Marraquexe até hoje (18).

A iniciativa Research for Climate Action (RCA) produzirá e reunirá conteúdos de ponta sobre a transição para uma economia de baixo carbono, impactos das mudanças do clima e caminhos para o alcance dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS).

Com a missão de aproximar formuladores de políticas e pesquisadores, a RCA deve abordar prioritariamente setores como cidades, energia, uso da terra e transportes. “Temos de ir onde as emissões estão e buscar o impacto disso. Também precisamos olhar para a adaptação, pois setores como o de transportes são importantes emissores, mas também são afetados pelos eventos climáticos”, ressaltou Stern. Ele destacou que o desafio é grande, mas também fascinante. “Normalmente, os formuladores de política não são muito bons em formular as perguntas e a academia não é boa em enquadrar as respostas. Vamos assegurar que a pesquisa e a economia se enxerguem e dialoguem”, afirmou.

A economista e diretora do Institute for Sustainable Development and International Relations (IDDRI), Laurence Tubiana, destacou que “a produção de conhecimento sobre mudanças climáticas foi capaz de mudar a visão que a economia global tem sobre o tema. Em um período de 10 anos, deixou-se de enxergar o combate às mudanças do clima como algo dispendioso”.

Para a presidente do Comitê Científico do Painel Brasileiro de Mudança Climática e pesquisadora da UFRJ, Suzana Kahn, “ainda existe muito espaço para o desenvolvimento de tecnologias disruptivas, com destaque para armazenamento de energia. Além disso, precisamos melhorar a comunicação sobre as questões climáticas”.

Diversas instituições de pesquisa integram a base da plataforma, como Massachusetts Institute of Technology (MIT), as universidades de Cambridge, Oxford e Berkeley, além da Universidade de Maryland, que encabeça a iniciativa. Na seleta lista de instituições também figuram a Universidade de São Paulo (USPe a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), únicas representantes brasileiras no grupo.

Quer saber mais sobre os ODS? Confira a publicação Contribuindo com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável: a abordagem de negócios inclusivos elaborada pelo WBCSD em parceria com CEBDS.