Notícias

Global Water Summit incentiva diálogo intersetorial e voltado para ação

Data: 04/07/2017

Área: Institucional

Fotos: Flavio Emanuel 

Foi navegando pelo Rio Amazonas, uma das principais bacias de água de doce do país, que representantes da sociedade civil e do setor privado discutiram durante três dias, entre 29 de junho e 1º de julho, a segurança hídrica e os desafios de como as mudanças climáticas podem afetar a população, diante de um cenário desafiador: até 2030, se nada for feito, duas em cada três pessoas não terão acesso à água. Realizado no percurso de barco entre Manaus e Parintins, no Amazonas, o Global Water Summit tem como objetivo contribuir para a construção da agenda do  8º Fórum Mundial da Água, que acontecerá em março de 2018 em Brasília.

A Carta de Parintins endereçará uma série de demandas e sugestões, como a necessidade de um diálogo voltado para ação, e sem protagonismo individual, mas sim coletivo, com um pensamento integrado e intersetorial. O evento foi realizado pela Coca-Cola Brasil em parceria com o Grupo Focal de Sustentabilidade do 8º Fórum Mundial da Água, sob liderança do CEBDS e WWF Global.

Os painéis de diálogo reuniram representantes de diversas entidades brasileiras e internacionais que trabalham com o tema água, aproximando o setor privado e a sociedade civil. As discussões foram embasadas nos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS) das Organizações das Nações Unidas (ONU), em especial o ODS 6+, que trata especificamente de água e saneamento para todos.

A avaliação dos organizadores

Foi muito inspirador ouvir todas as discussões que tivemos nesses três dias. Sabemos que é através do diálogo que evoluímos nas nossas estratégias. Isso tem sido uma constante para a Coca-Cola Brasil. Nosso papel, como líderes do setor, é começar a ouvir e chamar a indústria e outros parceiros. Estamos convencidos de que é papel das empresas atuar além dos marcos regulatório e leis”, disse Henrique Braun, presidente da Coca-Cola Brasil.

“Queremos fazer do tema água uma alta prioridade, levá-lo para um patamar como os das discussões de mudanças climáticas. Temos sempre de buscar novas formas e soluções que nos ajudem a conscientizar, engajar e mobilizar a sociedade, os governos e as empresas para essa agenda. Água é fundamental e sem ela não temos nada nesse mundo. O Fórum no Brasil será a oportunidade que teremos de juntar uma série de stakeholders de diferentes níveis. Nosso desafio é conseguir incentivar essa agenda única, com objetivos convergentes, em prol de todos”, disse Karen Krchnak, diretora do World Wide Fund for Nature, e membro do Conselho do Fórum Mundial de Água.

“A parceria entre a Coca-Cola Brasil e o CEBDS para a realização do Global Water Summit foi inovadora e muito importante para construção da agenda do Fórum Mundial da Água. Nestes três dias de encontro, tivemos a oportunidade de falar e debater temas relevantes e fundamentais para o desenvolvimento da agenda. Juntamos representantes do setor privado e da sociedade civil em um diálogo livre. Pudemos vivenciar isso em um ambiente propicio para a reflexão e discussão. No fim, criamos consenso e apontamos caminhos. O Brasil tem muita relevância quando se fala de água, mas precisamos partir para as ações”, ressaltou Marina Grossi, presidente do Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (CEBDS).

“Água é um tema prioritário para a sustentabilidade do nosso negócio e para o planeta. Sem água não há vida e não há negócio. Ao longo da nossa trajetória e da nossa relação com os recursos hídricos, conseguirmos afinar a nossa estratégia e evoluir no nosso papel a partir de diálogos com a sociedade civil. Agora estamos indo além, viabilizando o acesso à água potável para comunidades por meio da nossa plataforma Água+Acesso. Nesse caminho, o diálogo com a sociedade civil sempre foi o ponto de inflexão. O Global Water Summit é mais um passo. Queremos usar o momento do fórum para acelerar essa agenda”, explicou Pedro Massa, diretor de Valor Compartilhado da Coca-Cola Brasil.

Os painéis do Global Water Summit

No primeiro painel, que trouxe o debate “Água para todos – garantindo a segurança e a biodiversidade”. Alan Bojanic, da Food and Agriculture Organization (FAO), ao falar sobre eficiência dos recursos hídricos e da necessidade de soluções inovadoras na produção de alimentos, lembrou que hoje a agricultura consome 70% da água. “Precisamos de mais criatividade nos sistemas de irrigação, por exemplo. Israel tem exemplos de boas práticas”, afirmou.

Já Telma Rocha, da Fundação Avina, trouxe a discussão sob o prisma das pessoas. “A base do trabalho é estar em processos que envolvam pessoas, sejam de acesso ou de políticas públicas. Quem tem acesso hoje não tem garantia que terá acesso amanhã. A informação é algo essencial nessa jornada”, garantiu ela. Pedro Massa, da Coca-Cola Brasil, trouxe a experiência da empresa que, a partir do diálogo, entendeu que precisava ir além dos muros. “Mudamos a forma de encarar o tema água e abraçamos o diálogo, o que nos fez evoluir muito na forma como tratamos esse tema e para estar onde estamos hoje. Nossa evolução é da inciativa privada como um todo – não só para nossos produtos, mas também para os insumos que compramos para a produção. Água é essencial para o nosso negócio”, disse.

Para Samuel Barreto, representante da The Nature Conservancy (TNC), o principal desafio é a questão climática. “Precisamos rever nossas relações de trabalho já na nossa geração para conseguirmos tratar a questão climática, temos de desenvolver novas habilidades e isso exige soluções rápidas. O horizonte de impacto é daqui a 15 anos. Se não conseguirmos estabilizar o clima, podemos comprometer os outros esforços”, alertou ele. Foi de Barreto também a iniciativa de propor a construção de uma cúpula no âmbito da ONU para tratar de água e discutir compromissos que monitorem o tema e culminem em ações efetivas. A ideia foi abraçada por todos os participantes.

Como inserir o tema água na agenda dos governos e da iniciativa privada, além da criação de um legado, foi o cerne da discussão no painel “Água para sempre – construindo o futuro”.  Tatiana Fedotova, diretora de água do World Business Council for Sustainable Development (WBCSD), lembrou que não há mais tempo para novas discussões. Ela também destacou a importância da comunicação e a melhoria na transparência e linguagem da informação. “Há uma falta de unidade entre os profissionais de água, o que é um desafio para compromissos. Não se trata de reinventar nada de novo, mas potencializar todos os entes que já trabalham o tema”, apontou.

Um dos grandes desafios é o uso eficiente da água nas produções agrícolas, como ressaltou Rafael Pizzi, diretor da start up Agrosmart. Ele apresentou um caso que utiliza dados para ajudar produtores rurais a tomarem decisões e terem melhores práticas de irrigação, evitando o desperdício. “Há um desconhecimento sobre as melhores formas de se irrigar, inclusive por parte de grandes produtores. Não temos muito investimento em tecnologia de irrigação no Brasil. Isso é um desafio que precisa ser superado”, disse. Hugo Flores, representante do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), e Perpétuo Cajazeiras, do Banco do Nordeste (BNB), fizeram apresentações sobre as políticas de investimentos de recursos em projetos de água.

No encerramento do encontro, Marina Grossi, do CEBDS, liderou a roda de diálogos com Karin Krchnak, do WWF, e Marússia Whately, da Aliança pela Água. Elas falaram sobre expectativas, resultados, inclusão e participação da sociedade no Fórum Mundial de Água, além de impactos, estratégias, evolução e próximos passos. “Falta consenso entre os diferentes atores que trabalham na agenda de água. Sabemos que ela é ampla e talvez o mais interessante seja escolher um foco para fazer um trabalho mais assertivo, monitorado e que apresente resultados” sugeriu Marina. “Temos de pensar como dar continuidade ao que será discutido no fórum, principalmente na questão da governança, envolvendo as empresas e os governos. Vamos propor uma carta de compromissos das empresas para chegarmos a um novo patamar. Precisamos fazer disso um movimento mais virtuoso”.

Marússia lembrou que, nos últimos 20 anos, o tema água vem ganhando uma nova dimensão e se tornou emergente. “A crise hídrica saiu da categoria de um problema ambiental e entrou na de um desafio global da sociedade. O gap de gestão no Brasil é imenso para lidar com problemas como escassez. A governança é muito complexa, envolve diversas esferas governamentais, assim como várias instituições, o que dificulta entender quem efetivamente cuida da água”, assinalou ela.

Para Karin Krchnak, o fórum é uma oportunidade para o engajamento das empresas. “Temos uma série de desafios para o fórum, como, por exemplo, documentar e compartilhar as soluções que surgirem ou que serão apresentadas. Vejo a importância de engajar todos em ações coletivas e regionais. É um grande momento para trazer as empresas e buscar ações práticas e concretas. É o caso da Coca-Cola Brasil, que tem sido referência para a agenda de água e pode compartilhar seus resultados. Quem sabe as empresas poderiam ajudar a financiar uma maior participação da sociedade?”, sugeriu a integrante do conselho do Fórum Mundial de Água.



Empresas Relacionadas

Coca-Cola
Veja todas as Empresas

Eventos Relacionados

Um desafio de 50 anos em 15 só será superado se estivermos todos juntos

Lançados há dois anos, os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) foram construídos sobre as bases estabelecidas pelos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM), de maneira a completar o trabalho iniciado e responder a novos desafios. A nova agenda mescla, de forma equilibrada, as três dimensões do desenvolvimento sustentável – econômica, a social e a ambiental […]

Água e falta de participação social

"Hoje a agenda [de água] enfraqueceu, justo quando deveria ser tema central, uma vez que a água será o recurso mais afetado pelas mudanças climáticas. A ONU estima que, até 2030, o deficit entre demanda e oferta deve alcançar 40%". Clique e confira mais sobre o artigo da presidente do CEBDS no Correio Braziliense.

Um novo amanhã é possível – Conheça o CEBDS!

Mais do que nunca, é hora de reunirmos as pessoas, empresas e governos para construirmos um novo amanhã.

Entenda o que é aquecimento global

Você já deve ter ouvido as palavras “efeito estufa”, “aquecimento global” e “mudança climática” por aí, mas você sabe realmente o que são? O nosso planeta está sofrendo hoje as consequências de um processo que o ser humano começou há séculos atrás.

Manual de compras sustentáveis: como proceder?

Veja um manual de como as empresas devem proceder para incluir os critérios de sustentabilidade ao realizar suas compras. Confira!

O que é Capital Natural?

Hoje somos afetados pelos impactos causados ao nosso modo de vida, devido ao mau uso desses recursos, sendo necessário repensar a maneira como lidamos com os recursos naturais. Conheça o conceito de Capital Natural e entenda o valor dos recursos naturais em relação a um produto ou serviço.

Carta aberta ao presidente Temer

Em artigo publicado na Folha de S. Paulo, Israel Klabin direciona uma carta ao presidente da República solicitando a não ratificação das MPs 756 e 758. Confira!

Industrialização Inclusiva X Negócios

A presidente do CEBDS, Marina Grossi, fala em entrevista exclusiva à FIESP sobre a industrialização inclusiva como forma de integrar o desenvolvimento sustentável em seu negócio. Confira a entrevista.

Sustentabilidade é bom negócio

Confira o artigo da presidente do CEBDS, Marina Grossi, publicado no jornal O Globo.

Sustentabilidade Urbana: uma nova agenda para as cidades

A construção de cidades mais sustentáveis é um desafio que só pode ser alcançado com base em modelos modernos e inovadores, capazes de construir instrumentos de congregação dos esforços da esfera pública com as forças da sociedade civil e da iniciativa empresarial.

Entenda a NDC brasileira

Assista ao vídeo produzido pelo CEBDS com o apoio do We Mean Business e entenda as metas da Contribuição Nacionalmente Determinada (NDC, na sigla em inglês) brasileira.

Quais são as metas do Brasil para o Acordo de Paris?

Entenda o papel da NDC brasileira nessa jornada e por que ela é tão importante para obtenção de resultados concretos rumo ao desenvolvimento sustentável. Confira!

Gestão de Recursos Hídricos: o que é e como aplicar em minha empresa?

Uma importante questão é que a gestão de recursos hídricos vai muito além do simples racionamento ou economia. Trata-se de mapear riscos e oportunidades que englobam o tema.

Títulos verdes no Brasil

Confira o novo artigo da presidente do CEBDS, Marina Grossi, no site do Projeto Colabora sobre como os gestores estão se unindo para estruturar o mercado brasileiro de investimentos em projetos ambientais.

Trabalhar pelo Acordo de Paris: um compromisso do Brasil

Compete ao CEBDS ser o combustível para incitamos nossas empresas associadas a mostrar suas ações realizadas para ajudar o Brasil a honrar os compromissos assumidos no âmbito do Acordo de Paris e, também, a convocar outras empresas para fazer o mesmo. Conheça mais sobre a corrente #JuntosPeloClima.

Siemens neutralizará sua emissão de CO2 até 2030

Além de apoiar seus clientes, a Siemens estabeleceu o objetivo de ser a primeira empresa industrial do mundo a conseguir atingir a pegada de carbono zero até 2030 em sua própria operação. Saiba sobre essas e mais ações na corrente #JuntosPeloClima.

Unilever mostra que atuação sustentável impulsiona crescimento

De 2008 a 2015, a Unilever reduziu em 36,09 % a emissão de gases de efeito estufa (GEE) e o consumo de água, além de diminuir em 95,36% a geração de resíduo por tonelada produzida. Saiba mais ações sobre as ações da empresa na corrente #JuntosPeloClima.

Mais eólicas para o Brasil alcançar as metas do Acordo de Paris

FURNAS apostou na diversificação das fontes de energia, limpas e renováveis, que apresentam uma boa relação risco x rentabilidade e contribuem para o crescimento sustentável da empresa e do Brasil. Saiba mais sobre essa e outras ações na corrente #JuntosPeloClima.

Mudanças climáticas e o papel de cada um

A Ticket Log criou dois programas que conversam ativamente com a questão das mudanças climáticas. Conheça essas ações e de outras iniciativas da empresa na corrente #JuntosPeloClima.

Como contribuímos para um mundo mais sustentável

Conheça as ações da CPFL Renováveis apresentada na corrente #JuntosPeloClima que contribuem para a implementação dos compromissos assumidos pelo Brasil em Paris, por meio da geração de energia por fontes alternativas (eólica, solar e biomassa).

Da fazenda ao porto e do porto para fora, AMAGGI incorpora sustentabilidade em seus negócios

Ao longo dos anos, a AMAGGI vem progressivamente incorporando a sustentabilidade em todas as suas áreas de negócios. Conheça as ações e métodos apresentados na corrente #JuntosPeloClima. Confira!

Energia segura e sustentável também para as áreas remotas do Brasil

Conheça o Programa de Acesso à Energia que a Schneider Eletric apresenta na corrente #JuntosPeloClima em prol do desenvolvimento sustentável de comunidades rurais e remotas, aumentando a eficiência energética e diminuindo a emissão de gases de efeitos estufa.

O papel do setor privado no desenvolvimento de um futuro sustentável

Conheça as ações e resultados que a Suzano Papel e Celulose apresenta na corrente #JuntosPeloClima tornando a matriz energética da empresa mais limpa, além de outras ações que contribuem para a construção de um mundo melhor.

Inovar e cocriar para proteger o clima

Conheça as metas e soluções que a BASF apresenta na ação #JuntosPeloClima no combate às mudanças climáticas. Clique e confira!

Nossos produtos, as suas escolhas e o clima do Planeta

O Grupo Boticário apresenta na corrente #JuntosPeloClima as ações da empresa e da sua Fundação que estimulam atitudes sustentáveis impactando diretamente no clima no Planeta.

Emissões evitadas de carbono do Legado das Águas/Votorantim somam U$ 14 milhões

A Votorantim apresenta na corrente #JuntosPeloClima o Legado das Águas, a maior reserva privada de Mata Atlântica e uma importante contribuição para o planeta.

Aegea aposta na eficiência do uso da água e restauração florestal para reduzir emissões

Conheça os projetos e sistemas que a Aegea apresenta na corrente #JuntosPeloClima em prol da segurança hídrica e de ações de impacto positivo no ecossistema.

Monsanto fornece hidrogênio para reduzir emissão de gás carbônico na Bahia

Conheça as ações e as metas que a Monsanto apresenta na corrente #JuntosPeloClima que pavimentam o objetivo de chegar a 2021 com uma produção totalmente neutra na emissão de carbono.

Vale: a mineração se reinventa

Conheça os projetos e as ações que a Vale apresenta na corrente #JuntosPeloClima que agregam soluções alinhadas aos esforços mundiais de redução das emissões de GEE e da manutenção de uma gestão equilibrada dos recursos naturais nos processos.

Brasil Kirin aposta em iniciativas para reduzir emissões de CO2

Conheça as iniciativas que a Brasil Kirin apresenta na corrente #JuntosPeloClima que contribuem para reduzir a emissão de CO2 entregando benefícios para todo o planeta.

A Alcoa está comprometida com mitigação e adaptação às mudanças climáticas

Conheça as ações que a Alcoa apresenta na corrente #JuntosPeloClima que contribuem com os esforços nacionais e globais de redução dos impactos das mudanças climáticas.
Veja todos os eventos