Nos últimos anos, especialmente após a crise mundial causada pela pandemia da Covid-19, grande parte das pessoas começou a repensar a maneira como consumimos e produzimos. Conceitos e temas como sustentabilidade, ESG, desigualdade social, mudanças climáticas – e a interdependência entre esses temas – ganharam mais visibilidade e passaram a ocupar com frequência maior as conversas e as preocupações da sociedade.

Termos alcançado esse ponto, no entanto, é resultado de uma história que começou muito antes da pandemia e que, no Brasil, está profundamente ligada à trajetória do Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (CEBDS).

No começo dos anos 1990, o desafio do desenvolvimento sustentável estava se consolidando, tanto no Brasil quanto no mundo: chancelada pela ONU, a Eco-92 reuniu representantes de 175 países no Rio de Janeiro, alcançou a opinião pública e deu um passo importante na semente da transformação global que viria a acontecer Era o evento mais relevante para a sustentabilidade desde Estocolmo-1972, a conferência que discutiu pela primeira vez de escala mundial o impacto da atividade humana sobre o planeta – e que completa cinco décadas neste ano.

Em março e abril de 1995, foi realizada a primeira Conferência sobre Mudança do Clima (COP), sediada na capital alemã. Na conferência, que contou com representantes de 117 países, foi estabelecido o Mandato de Berlim, que teve como foco principal o consenso de todos os países em se tomar ações mais enérgicas quanto à mitigação do efeito estufa.

Como resultado dessa inquietação diante dos desafios ambientais, sociais e produtivos e do papel do setor empresarial responsável nessa mudança, o CEBDS foi fundado em 1997 por um grupo de grandes empresários brasileiros, atento aos desafios e oportunidades que a sustentabilidade trazia. O Conselho surgiu para ser o braço brasileiro dessa representação das empresas e a ponta-de-lança de um esforço que ajudasse a transformar boas intenções em ações práticas.

Eram tempos de raras e esparsas iniciativas concretas envolvendo as dimensões econômica, social e ambiental. Vinte e cinco anos depois, são muitas as empresas que passaram a incorporar esses princípios à estratégia do negócio.

A história do Conselho caminha lado a lado dos acontecimentos econômicos e sociais relevantes. Logo em seu ano de fundação, o CEBDS elaborou o primeiro Relatório de Sustentabilidade Empresarial no Brasil.

No mesmo ano, o Protocolo de Kyoto foi elaborado e assinado no Japão, criando o primeiro mecanismo global de controle de emissões de gases do efeito estufa. A elaboração desse acordo aconteceu durante a terceira Conferência do Clima da ONU, ou COP 3.

Também em 1997, a Assembleia Geral da ONU realizou uma sessão especial, chamada de “Cúpula da Terra + 5”, para revisar e avaliar a implementação da Agenda 21. Como resultado, o documento recomendou a adoção de metas para reduzir as emissões de gases de efeito estufa, uma maior movimentação dos padrões sustentáveis de distribuição de energia, produção e uso, e o foco na erradicação da pobreza como pré-requisito para o desenvolvimento sustentável.

A agenda da sustentabilidade avançava, e o CEBDS também. Em 1998, o Conselho foi o único representante do setor privado brasileiro a participar da 4ª Conferência sobre Mudança do Clima (COP4), em Buenos Aires, Argentina. A presença na COP ampliou para níveis internacionais a atuação da organização, que participou de todas as conferências desde então.

Dentro de casa, o setor empresarial também ganhava relevância na formulação de políticas públicas. Em 2000, o CEBDS foi convidado para coordenar a discussão da Política Nacional de Biodiversidade. Em 2003, foi escolhido para integrar a Comissão de Honra da Conferência Nacional do Meio Ambiente, como representante do setor empresarial. E, em 2006, passou a integrar a Comissão Coordenadora do Plano Nacional de Áreas Protegidas, composta por representantes do governo, do setor empresarial e da sociedade civil.

Para alavancar a causa do desenvolvimento sustentável de forma ampla e consistente, a Assembleia Geral da ONU declarou o período entre 2005 e 2014 como a Década das Nações Unidas da Educação para o Desenvolvimento Sustentável.

Nesse contexto, o CEBDS lançou em 2005 o Congresso Sustentável. É um marco para o Conselho e para toda a sociedade civil, ao reunir governo, empresas, ONGs, pesquisadores e cidadãos para debater soluções para um novo modelo de desenvolvimento. O Sustentável também estreitou os laços do CEBDS com entidades importantes, como a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco). Além de disseminar o conceito e as empresas do cidadão comum e dos principais stakeholders, como único evento gratuito deste tipo.

Em 2008, o CEBDS promove a implementação, em parceria com o World Resources Institute (WRI) e a Fundação Getulio Vargas, da principal ferramenta de medição de emissões de gases de efeito estufa no país, o GHG Protocol.

A Rio+20, realizada em 2012, foi um marco. Lá, o CEBDS lançou a “Visão 2050 – Uma Nova Agenda para as Empresas”, que traz as propostas de transformação rumo à neutralidade climática em áreas como água, biodiversidade, pessoas, alimentos, energia e finanças. Esse documento foi atualizado em 2021, contemplando os avanços da nossa sociedade.

Ainda na Rio+20, o CEBDS apresentou outra iniciativa pioneira: o projeto Rio Cidade Sustentável. O trabalho reuniu empresas associadas, poder público e os moradores da Babilônia e Chapéu Mangueira para a construção de soluções para as duas comunidades. As propostas abordaram temas como habitação sustentável, infraestrutura urbana verde, agricultura urbana orgânica, turismo comunitário e desenvolvimento de empreendedores locais.

Prestes a completar 18 anos, o Conselho lançou, em 2014, a agenda “Por um País Sustentável”, que reunia um conjunto de propostas entregues aos candidatos à Presidência da República. Foi mais um movimento para estimular políticas públicas focadas no desenvolvimento sustentável, para assuntos como economia, biodiversidade, energia, cidades e desenvolvimento humano.

Já 2015 marcou dois grandes avanços globais. Naquele ano, ocorreu em Nova York, na sede da ONU, a Cúpula de Desenvolvimento Sustentável. Nesse encontro, todos os países definiram os 17 Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS), além de suas 169 metas.

Enquanto isso, na França, a Conferência do Clima (COP21) terminou com a assinatura do Acordo de Paris, em que quase 200 nações traçaram a estratégia de enfrentamento à emergência climática. É um dos documentos mais relevantes para os esforços de combate ao aquecimento global e um dos momentos-chave da transformação mundial rumo a uma economia verde, mais justa e inclusiva.

Os movimentos registrados ao longo da década passada consolidam também o papel fundamental dos negócios na construção de um novo modelo de desenvolvimento. O CEBDS avança com ações como a publicação, em 2017, do “Guia de Emissão de Títulos Verdes”, em parceria com a Febraban. A obra acaba premiada como Iniciativa do Ano no Green Bonds Awards. Em 2018, o Conselho repete sua carta aos presidenciáveis, iniciativa que será novamente adotada nas eleições de 2022.

Nos últimos anos, o CEBDS tem capitaneado esforços para reunir as principais vozes do setor empresarial brasileiro acerca de temas urgentes à sociedade, através do lançamento de diversos posicionamentos de impacto, como “Movimento Empresarial pela Amazônia”, “Neutralidade Climática: Uma grande oportunidade” e ”Empresários pelo Clima”, documento assinado por 119 CEOs e 14 entidades setoriais em defesa de uma agenda verde de desenvolvimento para o Brasil.

Em 25 anos, o CEBDS construiu uma trajetória de engajamento, soluções práticas e construção de consensos e de conhecimento coletivo em favor do desenvolvimento sustentável, tornando-se um personagem central da transformação do cenário dos negócios no Brasil.

As conquistas alcançadas ao longo desse tempo são o combustível necessário para aprofundar o caminho para um desenvolvimento ambientalmente correto, socialmente justo e economicamente viável.