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11/03/2019 às 22:37

Apesar das chuvas, Sistema Cantareira preocupa

Apesar das chuvas, Sistema Cantareira preocupa

Aquasfera, com informações da ANA, da Sabesp e do Jornal da USP

Mesmo as ocorrências recentes de chuvas neste verão, o volume do Sistema Cantareira, maior reservatório de água da região metropolitana de São Paulo, continua sendo motivo de preocupação. De acordo com informações divulgadas pela Agência Nacional de Águas (ANA), o volume do sistema fechou o mês de fevereiro registrou um aumento de 3,88%, atingindo o nível de 47,15% da capacidade.

Nos dois primeiros meses do ano, o aumento acumulado foi de apenas 7,7%. Embora tenha saído do estado de alerta em janeiro, quando chegou ao nível de 43,27%, o quadro atual é pior do que o registrado há dois anos, quando o índice ficou acima de 60%. Isso significa que as chuvas recentes que chegaram a castigar a cidade de São Paulo nos últimos dias não deverão trazer mudanças significativas.

De acordo com o sistema de monitoramento de mananciais da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp), o volume operacional do Sistema Cantareira chegou a ultrapassar o nível de 50%, mas ainda é o pior desde 2016, quando oscilava em um patamar pouco superior a 30%.

De acordo com o professor Pedro Luiz Côrtes, do programa de Pós-Graduação em Ciência Ambiental do Instituto de Energia e Ambiente (IEA) da USP, o motivo dessa situação é a má distribuição das chuvas provocadas pelo fenômeno climático denominado “El Niño”.

“Isso não é bom para os mananciais, porque uma chuva intensa não permite sua infiltração no solo. Assim, a recarga do lençol freático e das represas fica prejudicada”, disse Côrtes ao Jornal da USP.

Em termos históricos, o volume de chuvas atual é menor no Sistema Cantareira. Em novembro e dezembro, choveu 81% da média histórica para os meses, sendo que janeiro o índice ficou em 84%. A média histórica foi superada somente em fevereiro, com uma alta de 16% acima, mas o nível ficou abaixo em relação ao mesmo mês do ano passado, que alcançou 52,4%.

“Se não houver um padrão regular de chuvas, pode ser que tenhamos dificuldades com o abastecimento”, alerta o professor.