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30/01/2019 às 22:20

Barragens: especialista alerta sobre risco hídrico

Barragens: especialista alerta sobre risco hídrico

Aquasfera com informações do jornal O Globo

A probabilidade de novos rompimentos de barragens no Brasil, a exemplo do que aconteceu nos municípios mineiros de Mariana e Brumadinho, equivale atualmente a uma bomba relógio. A afirmação é da coordenadora do Programa Rede Águas da SOS Mata Atlântica, Malu Ribeiro.

Em entrevista ao jornal O Globo, a especialista em gestão de recursos hídricos lembrou que existem em Minas Gerais 400 barragens e as nascentes das principais bacias hidrográficas do país, como o sistema Cantareira, o Rio Doce e o Paraíba do Sul.

“Qualquer prejuízo a essa região pode afetar quase 70% dos recursos hídricos do território brasileiro”, avaliou Malu Ribeiro.

De acordo a coordenadora da SOS Mata Atlântica, levantamento da entidade revelou que o estado foi recordista de desmatamento por cinco anos devido à atividade de mineração, com queda na qualidade da água.

Um dos alvos de críticas da especialista é a defasagem dos relatórios da Agência Nacional de Águas (ANA), que não listam a barragem como estrutura de alto risco, mesmo diante de sua proximidade com a Bacia do Rio Paraopeba, que abastece mais de 34 municípios. O desmonte da política ambiental nos últimos anos e o novo Código de Mineração também são citados por ela com fatores de retrocesso no setor.

“Temos uma bomba relógio nas mãos. A boa notícia é que contamos com ferramentas técnicas e institucionais para desmontá-las. Para isso, deve-se evitar o enfraquecimento dos órgãos ambientais. Já temos uma legislação de Primeiro Mundo, mas que não é colocada em prática. Pelo contrário, está sendo revista de uma maneira que, se for aprovada, vai nos jogar de volta aos anos 60. Não vamos inventar a roda. Só cobrar aquilo que já está escrito”, afirmou.