Inovação

08/01/2020

CEFET-MG pesquisa bactérias para tratamento de esgoto

CEFET-MG pesquisa bactérias para tratamento de esgoto

Bactérias contidas no solo podem contribuir para redução de custos com tratamento de esgoto e auxiliar na limpeza de caixas de gordura residenciais. Esse foi o tema de um projeto de pesquisa desenvolvida pelo CEFET-MG, em Varginha, a partir de testes realizados com actinomicetos – bactérias gram-positivas comuns na terra – na quebra de moléculas de gordura.

A proposta foi apresentada durante a Semana Nacional de Ciência e Tecnologia no campus Varginha do CEFET-MG, e rendeu às professoras do Departamento de Formação Geral Aline de Oliveira e Cristina Roscoe e ao aluno Guilherme Branquinho (3º ano Técnico Informática) o primeiro lugar geral ao final do evento, realizado em outubro, dada a importância social e a inovação proposta pelo grupo.

A pesquisa teve como principal objetivo o isolamento de actinomicetos de húmus (matéria orgânica decomposta) de minhoca produzidos com resíduos orgânicos domésticos. “Essas bactérias possuem grande capacidade de degradação de compostos orgânicos complexos, contribuindo para a reciclagem da matéria na natureza. As enzimas lipases e proteinases auxiliam nesse processo de biodegradação”, explica a autora, Cristina Roscoe.

O volume de resíduos líquidos e sólidos produzidos nas residências é bastante significativo, por isso a ideia inicial do projeto era procurar soluções para reduzir os impactos dessas substâncias no meio ambiente.

Alternativa para caixas de gordura

A professora explica que o estudo buscava uma estratégia para o tratamento de espuma presente nas caixas de gordura residenciais ou comerciais que, mesmo descartadas adequadamente em aterros sanitários controlados, acabavam levando pequenas concentrações de lipídios (óleos, gorduras, ceras) para as estações de tratamento de esgoto (ETEs) ou corpos d’água.

“Por isso, acreditamos que um coquetel de enzimas extraídas desse micro-organismos seja promissor para um tratamento simplificado de uso doméstico, contribuindo com a otimização dos tratamentos nas ETEs, para a proteção dos corpos d’água contra os efeitos indesejados desses lançamentos, além de facilitar a limpeza das caixas de gordura”, detalha a professora Cristina.

Os testes da pesquisa foram bem-sucedidos: como os actinomicetos são facilmente isolados do substrato escolhido, a triagem de linhagem boas produtoras das enzimas foi conduzida com êxito. A ideia, agora, é “produzir o coquetel de enzimas para realizar os testes em escala laboratorial”, explica a professora, que está focada na continuidade do experimento.

Os resultados possíveis para a sociedade são animadores: um produto de qualidade produzido a partir dessa pesquisa poderá ser sentido no bolso do consumidor com uma maior eficiência no tratamento de efluentes domésticos, gerando menos custos nas taxas de tratamento de esgoto. Além disso, também reduzirá os gastos com as limpezas frequentes nas caixas de gordura das residências, que geram odores e atraem insetos vetores de doenças. “Também devemos destacar os custos ambientais, que na maioria das vezes não é contemplado em planilhas, mas a ele estão associados a sobrevivência das futuras gerações e também a qualidade de vida das gerações atuais e futuras”, argumenta a professora.

A pesquisa também representa uma alternativa no mercado aos vários coquetéis enzimáticos disponíveis à venda, ainda muito caros, por isso apresenta uma inovação. “O projeto prevê o desenvolvimento de um produto de custo reduzido com a recuperação de enzimas lipases de proteases de linhagens boas produtoras”, finaliza.