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29/01/2020

Gestão hídrica da ArcelorMittal supera escassez

Gestão hídrica da ArcelorMittal supera escassez

Aquasfera

Cinco anos após enfrentar a maior crise hídrica dos últimos 40 anos na Região Metropolitana da Grande Vitória (ES), onde está instalada, a unidade siderúrgica da ArcelorMittal em Tubarão colhe hoje os frutos de aperfeiçoamentos operacionais realizados para superar o cenário desafiador, sem comprometer sua produção. Os resultados alcançados pelo programa de gestão hídrica da ArcelorMittal foram apresentados na última terça-feira (28) a representantes de empresas signatárias do Compromisso Empresarial Brasileiro para a Segurança Hídrica, que visitaram a unidade.

O encontro foi realizado como parte da programação do 3º Workshop do Compromisso Empresarial Brasileiro para a Segurança Hídrica, que incluiu uma visita à unidade de reúso da siderúrgica, responsável por manter o índice de recirculação das instalações no índice atual de 97,5%. Outro resultado significativo dos esforços realizados pela ArcelorMittal durante a crise foi a redução da ordem de 45% da utilização de água por aço produzido, atualmente na proporção de 2,8 m3 por tonelada. O índice está entre os menores níveis, se comparado à média da indústria mundial.

Segundo Danielle Bernardi, especialista em Águas da ArcelorMittal Brasil, os resultados se devem à criação do Plano Diretor de Águas (PDA) ainda em 2014, quando a empresa mapeou os riscos potenciais da escassez hídrica para as suas operações e se antecipou aos seus impactos. A decisão foi tomada em virtude do cenário de estresse hídrico apresentado pelo rio Santa Maria da Vitória, principal fonte de captação de água doce da unidade.

Em janeiro de 2015, a empresa foi orientada pela Companhia Espírito Santense de Saneamento (Cesan) a reduzir, em um primeiro momento, a captação em 50%. A restrição, explicou Bernardi, impactaria diretamente na produção da empresa, uma vez que a água é um componente fundamental no processo siderúrgico, principalmente em sistemas de resfriamento de altos-fornos e de coqueria, unidade onde é fabricada um dos principais insumos utilizados na produção do aço.

“Quando aprovamos o plano em 2014, já tínhamos mapeado a crise hídrica na bacia do Santa Maria, que acabou se manifestando muito maior e mais rápido do que tínhamos projetado. Porém, já tínhamos algumas ações mapeadas e até ações de emergência em caso de necessidade”, explicou a especialista da ArcelorMittal. “Se não tivéssemos feito isso, poderíamos ter enfrentado a necessidade de desligar um dos altos-fornos, o que acabaria comprometendo a produção da unidade”.

Gestão hídrica com reuniões periódicas

A mobilização de diversas áreas da empresa, avaliou Danielle Barnardi, foi um fator fundamental para o êxito do plano de emergência, conduzido em paralelo com negociação de metas com a concessionária. Mesmo após a crise, as lideranças incorporaram as reuniões periódicas como rotina do programa de gestão hídrica, além de um monitoramento diário de desempenho.  

Uma das primeiras medidas, tomada ainda em 2015, foi a modernização da estação de reúso. Outra iniciativa foi a utilização de polímeros em substituição de água na aplicação de pilhas de carvão, como forma de contenção da dispersão de poeira no ar. A perfuração de poços artesianos também foi outra solução encontrada para a utilização de água doce.

Estação de reúso da ArcelorMittal Tubarão

O principal projeto atualmente é o da usina de dessalinização de água do mar, que terá capacidade para produzir 500 m3 de água dessalinizada por hora a partir do início do ano que vem, o que representa 27% do limite máximo atual de captação do rio Santa Maria, de 1.840 m3 por hora. A unidade, contudo, foi projetada para ser capaz de ampliar essa produção para até 1.500 m3 por hora. A água doce representa 3,5% da captação da ArcelorMittal Tubarão. Os 95,5% restantes vem do mar, utilizados basicamente em sistemas de resfriamento.

Segurança hídrica na ArcelorMittal

Maior produtora de aço do país, a ArcelorMittal Brasil tem capacidade anual instalada de 12,5 milhões de toneladas. A empresa é uma das 21 signatárias do Compromisso Empresarial Brasileiro para a Segurança Hídrica e se comprometeu com o cumprimento de quatro metas do documento – Ampliar a inserção do tema água na estratégia de negócios, Mitigar os riscos da água para o negócio, Medir e comunicar publicamente a gestão da água na empresa e Incentivar projetos compartilhados em prol da água.

Felipe Cunha, do CEBDS, durante o 3º Workshop do Compromisso

“Esta visita das empresas signatárias às instalações da ArcelorMittal é uma oportunidade de os participantes trocarem experiências. Além disso, propicia a troca de experiências com base em resultados práticos”, disse Felipe Cunha, coordenador da Câmara Temática de Águia, do Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (CEBDS).

Lançado pelo CEBDS durante o Fórum Mundial da Água de 2018, no Brasil, o Compromisso tem o objetivo de mobilizar empresas instaladas no país em torno de melhores práticas relacionadas à segurança hídrica. O documento propõe seis metas às empresas signatárias, e os desempenhos dos projetos submetidos são relatados no hub digital Aquasfera. O objetivo é apresentar e os resultados na próxima edição do Fórum Mundial, no Senegal, em 2021.