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07/06/2019

Perdas de água potável somam 7 mil piscinas olímpicas por dia

Perdas de água potável somam 7 mil piscinas olímpicas por dia

Aquasfera, com informações do Instituto Trata Brasil

Para cada 100 litros de água captada, tratada e pronta para ser distribuída anualmente no Brasil, 38 ficam pelo caminho. A perda é provocada por vazamentos, erros de leitura dos hidrômetros e furtos (os famosos “gatos”), entre outros problemas. O índice de perdas, estimado em 38,3%, representa um volume de 6,5 bilhões de m3, que equivale a mais de 7 mil piscinas olímpicas por dia.

Os dados constam no estudo Perdas de água 2019 (SNIS 2017) – Desafios para disponibilidade hídrica e avanço da eficiência do saneamento básico, realizado Instituto Trata Brasil em parceria com a GO Associados. O trabalho revela que apenas as perdas reais – vazamentos e desperdício em processos de limpeza de sistemas – representam 3,5 bilhões de m3, suficientes para abastecer 30% da população (60 milhões de pessoas) por um ano.

Em termos financeiros, a perda de faturamento custou para o país R$ 11,3 bilhões, valor superior ao total de recursos investidos em água e esgotos no Brasil em 2017 (R$ 11 bilhões).

Elaborado com base em dados do Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SNIS), ano base 2017, o estudo mostra que o indicador de perdas de água potável nos sistemas de distribuição é um dos mais negligenciados no país.

Desafio para a escassez de água

Uma das conclusões é a de que, mesmo após a crise hídrica que afetou a Região Sudeste entre 2014 e 2016, e que ainda afeta o Nordeste, ainda é preciso avançar na conscientização da população sobre a necessidade de se poupar água potável nas residências. Além disso, fica evidente a necessidade de melhoria da qualidade dos serviços prestados pelo poder público e pelas operadoras de água no país.

“As perdas de água são um sinônimo da eficiência do sistema de produção e distribuição das empresas operadoras. O aumento das perdas mostra que há um problema de gestão e que os investimentos na redução não vêm sendo suficientes para combater o problema. Mais preocupante é pensar que, num momento de crise hídrica, não será suficiente pedir para que a população economize água se as empresas continuarem perdendo bilhões de litros por deficiências diversas”, avalia Édison Carlos, presidente executivo do Instituto Trata Brasil.

O Brasil possui índices de perdas muito mais elevados que países menos desenvolvidos, tais como Bangladesh, Uganda e África do Sul, com perdas de 21,6%, 33,5% e 33,7%. O estudo revelou, ainda, que os indicadores brasileiros de perdas têm sofrido um aumento significativo, com um aumento de 1,3 ponto percentual de 2013 a 2017. Já o indicador de perdas de faturamento de 2017 praticamente se igualou a 2013, quando era de 36,9%.

Histórico das perdas na distribuição (IPD) no Brasil

Histórico do balanço hídrico

O trabalho apresenta uma análise dos principais indicadores ligados às perdas de água entre 2015 e 2017, que mostra um aumento na produção de água, ou seja, para atender a população as cidades brasileiras estão retirando mais água da natureza. O problema é que as perdas também aumentaram.

“O aumento da produção de água pode nos levar a crer que está havendo um consumo maior pela população e demais usos da água potável, mas na verdade podemos estar tirando mais água apenas para compensar o aumento das perdas. Isso seria péssimo para a sustentabilidade do próprio sistema e para os usuários. Incrível ver que, em 2017, perdemos uma quantidade de água que poderia abastecer metade da nossa população por um ano”, observa Édison Carlos.

Disparidades regionais

O índice de perdas de água no sistema de distribuição (IPD) no Brasil é consideravelmente alto, mas as médias escondem as disparidades regionais. No Norte do país, por exemplo, região com os piores índices de abastecimento de água, coleta e tratamento dos esgotos, o IPD também alcança uma porcentagem muito alta: 55,14%. Isso significa que mais da metade da água produzida não chega à população.

Já olhando as Unidades da Federação (UF), Goiás é o único estado que está abaixo dos 30% de perdas na distribuição. Roraima é o estado que mais perde, com 75% de perdas de água potável. Para estratificar as perdas de água potável nos maiores municípios brasileiros, o estudo abordou as 100 maiores cidades que, juntas, representam 40% da população do país. O nível de perdas dessas cidades é superior à média nacional.

Perdas na Distribuição nos Estados (IPD)

Os municípios que perderam mais e menos água foram Porto Velho-RO (77,11%) e Santos-SP (14,32%), respectivamente. Em Porto Velho, o índice de perdas na distribuição aumentou de um ano para o outro e apenas Santos possui níveis de perdas na distribuição menores que 15% (valores considerados como ótimos). Os dados mostram que 81% das grandes cidades têm perdas na distribuição superiores a 30%, existindo assim grande potencial de redução de perdas.

“Muitas capitais brasileiras já têm dificuldade de controlar suas perdas, até mesmo por serem populosas e terem relevos acidentados que justificam parte destes problemas. Estamos num momento em que é necessário avançar na redução das perdas de água, pois é o único recurso que não pode faltar para a humanidade. Ao tirar mais água da natureza para tratar e fornecer aos cidadãos, precisamos fazê-lo de maneira segura e responsável, com comprometimento para que não haja deficiência financeira e social no futuro”, afirma Gesner Oliveira, sócio da GO Associados.