Notícias

27/10/2019

Plano Estratégico do DF prevê ações para abastecimento

Plano Estratégico do DF prevê ações para abastecimento

Aquasfera, com informações da Agência Brasília

De 2016 a 2018, o Distrito Federal registrou a maior crise hídrica de sua história. Com o objetivo de contornar e resolver as consequências desse problema, que tende a se agravar, o governo local incluiu em seu Plano Estratégico do DF (PEDF) ações a curto, médio e longo prazo. O abastecimento de qualidade e uso correto da água é uma das frentes de trabalho previstas no documento.

Entre os objetivos estabelecidos estão o de triplicar a proteção de nascentes em bacias hidrográficas prioritárias, aumentar em 100% o monitoramento do consumo de água nos setores urbano e rural e aumentar em 100% o número de instrumentos de gestão de recursos hídricos implementados nas bacias hidrográficas.

A continuação das obras de interligação dos sistemas Torto-Santa Maria e Sobradinho-Planaltina, a cargo da Caesb, é uma das principais medidas. Ela propicia, por exemplo, maior possibilidade de manobras operacionais, diminuindo a vulnerabilidade de um sistema individualmente. As novas captações de água no ribeirão Bananal (750 L/s) e no Lago Paranoá (700 L/s), juntamente com a interligação entre os sistemas Torto/Santa Maria ao sistema Descoberto reforçam a preocupação do GDF com o tema.

Além disso, os sistemas Sobradinho/Planaltina e São Sebastião passam por obras de interligação e melhorias das unidades operacionais para dar continuidade à prestação do serviço de abastecimento. Após a finalização das integrações, será possível a transferência de água entre os sistemas, facilitando e dando maior segurança para o abastecimento da população.

O GDF também trabalha na finalização do sistema Corumbá IV, em parceria com a Companhia Saneamento de Goiás (Saneago). Com capacidade de 2,8 m³/s na primeira etapa de operação, o sistema irá abastecer inicialmente as regiões do Gama, Santa Maria e Riacho Fundo II, podendo alcançar, no futuro, todas as RAs atendidas pelo sistema Descoberto.

Reativação de pequenas captações de água

Há outras intervenções em andamento importantes, como a reativação de pequenas captações – a da Ponte de Terra II, Crispim e Alagado, e a implantação de uma nova Estação de Tratamento de Água Gama.

Também foram intensificadas as ações de acompanhamento pela Agência Reguladora de Águas, Energia e Saneamento Básico do Distrito Federal (Adasa) do programa de combate à perda d’água da Caesb, com fiscalização das ações de setorização de redes em regiões como São Sebastião, Taguatinga e Ceilândia.

A setorização por meio da instalação de distritos de medição e controle propiciam maior gerenciamento das perdas de água na rede de abastecimento, possibilitando localizar mais facilmente qualquer rompimento ou vazamento nas tubulações.

Monitoramento de crises hídricas

A tecnologia é outra aliada da Adasa e Caesb. Na Adasa, o apoio da inteligência artificial permite o monitoramento de cenários e a antecipação a possíveis crises hídricas no DF. Sensores instalados em diferentes pontos medem os níveis de água em rios e reservatórios, bem como os índices de chuvas, com medições programadas para cada 15 minutos.

Essas informações são utilizadas pela Adasa a partir da ferramenta de análise de dados da Microsoft utilizada pela Agência. O Power BI possibilita análises programadas, tais como a comparação das medidas coletadas em tempo real, com base em dados de uma série histórica de mais de 30 anos de registros.

Os dados são compartilhados com o público em geral por meio do Sistema de Informações sobre Recursos Hídricos (Sirh) do Distrito Federal, acessível no site da Adasa.

Canais subterrâneos de irrigação

Na área rural, o GDF tem investido na construção de canais subterrâneos de irrigação. Além de evitar a perda de cerca de 50% do volume de água, que corria nos antigos canais a céu aberto, a nova tubulação possibilita a distribuição de forma igualitária a todos os produtores.

Em Tabatinga, o produtor rural criador de aves José Eduardo Azeredo aprova o uso da tubulação. “Ela nos gerou economia, reduzindo perdas. A outra questão é o uso racional da água, tentar controlar e melhorar o acesso. Nossa captação, se tivesse, por exemplo, uma outorga de uso de 300 milímetro de água agora nós retiramos 150 milímetros. Passamos por uma crise e uma vez que isso acontece você automaticamente passa a economizar mais”, aponta.

Ele conta que a economia também foi adotada em casa e espera uma boa produção em 2020. “Fico melindroso com tudo, seja no uso da torneira ou chuveiro, reduzimos drasticamente. Minha conta de água está sempre dentro da cota mínima e ganho bonificação da Caesb pelo baixo consumo”. Sobre a produção ele assegura: “Com esse serviço da tubulação vamos poder investir com menor risco. Em 2020 vamos ter uma diferença na produção”, acrescenta. Eduardo cria aves e pensa, a partir do próximo ano, investir no sistema de hidroponia.

Plantio de mudas e segurança hídrica

Nem só de tecnologias modernas é feito o trabalho de preservação e melhor uso dos recursos hídricos. Na Bacia do Ribeirão Pipiripau, localizada ao nordeste do DF, o plantio de mudas colaboram para a preservação da área, bem como a segurança hídrica e ambiental da bacia.

A Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Distrito Federal (Emater-DF) e a Agência Nacional de Águas (ANA), em parceria com a Secretaria de Agricultura, tocam o projeto Produtor de Água do Pipiripau com a produção de aproximadamente 96 mil mudas de espécies nativas. A meta é a restauração florestal do lugar, área de preservação permanente e reserva legal.