Inovação

24/07/2019 às 07:23

Radiação solar viabiliza água potável no semiárido

Radiação solar viabiliza água potável no semiárido

Aquasfera, com informações da DSW

O sol, que pode parecer um vilão das condições climáticas do semiárido brasileiro, foi a solução encontrada pela startup Safe Drinking Water for All (SDW) para resolver o problema de acesso à água potável na região. Desenvolvido pela biotecnologista Anna Luísa Beserra, CEO da SDW, o Aqualuz é um sistema que utiliza a radiação solar para desinfecção de água de chuva captada e armazenada em regiões rurais.

O sistema já beneficiou pelo menos 250 pessoas no semiárido dos estados da Bahia, Pernambuco, Alagoas, Ceará e Rio Grande do Norte. Por meio de uma parceria com a Universidade Federal da Bahia e a Universidade Federal do Ceará, já foram instaladas mais de 50 unidades. O projeto recebeu reconhecimento do prêmio Jovens Campeões da Terra, realizado pela ONU Meio Ambiente, que apoia soluções inovadoras para problemas ambientais.

Em junho, a SDW foi uma das 10 empresas selecionadas para participarem do Braskem Labs Ignition, o programa de aceleração da Braskem em parceria com o Quintessa para startups em fase de validação. O programa é voltado para empresas que tenham uma ideia, produto ou serviço que contenha química ou plástico, e que impactem positivamente a sociedade em diversas áreas.

Solução eficaz e de baixo custo

O Aqualuz é uma caixa de inox coberta com uma placa transparente por onde passa a água de chuva captada. O equipamento filtra em média 30 litros de água por dia, com ciclos que duram entre duas e quatro horas, se for considerado um dia ensolarado. Um indicador que muda de cor indica quando a água está pronta para consumo.

A durabilidade é de cerca de 20 anos, com uma manutenção simples de limpeza semanal com água e sabão, sem precisar de manutenção externa ou energia elétrica, ou seja, dando independência e acesso livre à água potável.

A solução busca resolver a questão de abastecimento de água no semiárido nordestino a partir das características climáticas da região. O clima é caracterizado por um regime de chuvas fortemente concentrado em quatro meses, de fevereiro a maio.

A incidência de doenças de veiculação hídrica, associadas à má qualidade da água consumida por parte da população, se reflete nos indicadores de mortalidade infantil na região.

“Soluções como cloração, filtro de barro e fervura da água não são ideais para resolver esse problema. Por isso, é necessária a utilização de uma tecnologia social capaz de promover o acesso democrático à água potável, que considere todas as particularidades das condições de vida da população do semiárido para a solução do problema”, explica Anna Luísa Beserra, que destaca o baixo custo como um dos diferenciais do sistema, estimado em R$ 500 por unidade.

Reconhecimento internacional e plano de expansão

A implantação do Aqualuz em quatro estados do semiárido brasileiro foi possível com o ingresso do projeto no Academic Working Capital, programa de empreendedorismo universitário promovido pelo Instituto TIM. A iniciativa recebeu monitoria e foi selecionada para o HackBrazil, evento brasileiro de tecnologia em Boston (EUA) que premia iniciativas inovadoras.

Após concorrer com 400 startups de tecnologia, o Aqualuz ficou em segundo lugar, que resultou no pagamento deu um prêmio de R$ 25 mil. Como parte de parceria com ONGs locais, os recursos foram aplicados em municípios de Bahia, Pernambuco, Alagoas, Ceará e Rio Grande do Norte. A iniciativa contou com o apoio da Fundação Vedacit no projeto piloto no município de Feira de Santana (BA).

“Para criarmos cidades do futuro é preciso pensar que sejam mais sustentáveis, e por isso apoiar o Aqualuz é fundamental para buscarmos soluções inovadoras por meio de tecnologias que tornem as cidades lugares melhores para se viver”, afirma Luis Fernando Guggenberger, gerente de Inovação e Sustentabilidade da Vedacit. “É importante fortalecer o ecossistema de impacto para criar um campo fértil e saudável no Brasil para a busca de soluções aos nossos problemas socioambientais”.

A partir da experiência nesses municípios nordestinos, a meta da SDW é estender a implantação do Aqualuz em outras regiões semiáridas brasileiras, da América Latina, da Ásia e da África.

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