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21/07/2019 às 01:40

Saneamento básico: universalização somente em 2060

Saneamento básico: universalização somente em 2060

Com o atual ritmo de investimentos em saneamento básico no Brasil, a universalização do serviço levará mais de 40 anos para ser alcançada. Essa é uma das conclusões de levantamento realizado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), com base em informações do Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SNIS).   

O trabalho mostra uma queda de 7,8% nos investimentos do setor em 2017 na comparação com o ano anterior. Ao todo, foram desembolsados R$ 10,9 bilhões em saneamento, o que representa o menor investimento anual realizado nesta década.

Meta do Plano Nacional de Saneamento Básico

O valor é 50,5% inferior à média de R$ 21,6 bilhões anuais necessários para o Brasil universalizar os serviços até 2033, conforme a meta prevista pelo Plano Nacional de Saneamento Básico (Plansab).

O retrato de 2017, conforme dados mais recentes do SNIS, coloca o Brasil na contramão do caminho de universalizar os serviços. Com base na média dos investimentos dos últimos quatro anos (2014-2017), seria necessário aumentar a destinação de recursos em cerca de 70%.

“A terceira queda consecutiva nos investimentos do setor mais atrasado da infraestrutura brasileira torna a universalização ainda mais distante. Nesse ritmo, acontecerá só daqui a mais de 45 anos, na década de 2060”, afirma o presidente da CNI em exercício, Paulo Afonso Ferreira.

Tratamento de água

O quadro é ainda mais preocupante quando o assunto é a evolução dos indicadores de abastecimento e tratamento de água e coleta de esgoto. O acesso da população a água encanada está estagnado nos últimos três anos analisados.

O índice passou de 83%, em 2015, para 83,5%, em 2017. Já em relação às redes de esgoto, a coleta passou de 50,3% para 52,4% no mesmo período.

Estudo da CNI estima que cada R$ 1 investido em saneamento gera retorno de R$ 2,50 ao setor produtivo. A ampliação das redes de esgoto impactaria também na valorização de imóveis.

Saúde e saneamento

Outro ganho seria o aumento da produtividade dos trabalhadores e nos ganhos diretos na saúde da população. Fazem parte dos benefícios queda da mortalidade infantil, redução da incidência de doenças como diarreia e vômitos e diminuição dos gastos com médicos, internações e medicamentos.

O maior investimento na qualidade da água e na coleta e tratamento de esgoto impactam também na redução da transmissão de doenças causadas pelo mosquito Aedes aegypti, como dengue, zika vírus, chikungunya e febre amarela.