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12/03/2019 às 15:16

Sistema de Itabirito já pode tratar 100% do esgoto gerado

Sistema de Itabirito já pode tratar 100% do esgoto gerado

Aquasfera, com informações do CBH Rio das Velhas

Responsável pelo tratamento de esgoto no município mineiro de Itabirito, o Serviço Autônomo de Saneamento Básico (SAAE), está em plena operação para captação e tratamento de 100% do esgoto. O efluente era antes lançado direto nos córregos da Carioca, São José e Criminoso, que correm para o rio Itabirito, afluente do rio das Velhas. O projeto “Córrego Limpo, Vida Saudável” vai atender aproximadamente 11 mil pessoas em 18 bairros da cidade.

Iniciado em 2018, o projeto realiza obras de interligações dos esgotos domiciliares à rede interceptora, monitoramento da água e ações de educação ambiental para conscientizar a população sobre a importância de cuidar do rio Itabirito e dos córregos da cidade. Desde que o projeto começou, 88% dos córregos São José e Criminoso e 96,8% do córrego Carioca já estão limpos e sem mau cheiro.

O município de Itabirito está localizado no Alto Rio das Velhas e faz parte da Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH), com uma população de pouco mais de 50 mil habitantes, dividida em, aproximadamente, 60 bairros.

“Temos 23 bairros na região do córrego de São José e isso representa quase 50% do município. Antes, o esgoto desses bairros era todo lançado in natura para o curso d’água. Nós interligamos quase tudo (na rede interceptora)”, explica o engenheiro sanitarista da SAAE, Wanferson Ricardo Murta, responsável pelos esgotos e drenagens na empresa.

Morador do bairro São José desde que nasceu, o lanterneiro Raimundo Alves Gonçalves convive há 51 anos com o córrego São José, que passa ao lado de sua casa. Um lugar que na infância foi motivo de diversão, mas foi se transformando em incômodo e ameaça à saúde dos moradores que vivem na margem do curso d’água devido a poluição com o passar dos anos.

“Eu pensei que ia morrer e não ver isso pronto. Antes ninguém aguentava não. Era mau cheiro, mosca, rato, barata, coisas de arrepiar o cabelo”, conta Raimundo sobre como era a realidade do córrego antes do início das obras da SAAE.

Processo de tratamento de esgoto
Todo o esgoto de Itabirito, coletado nas nove estações elevatórias em funcionamento, são enviados para a Estação de Tratamento de Esgoto (ETE), no bairro Mazagão, onde passa por várias etapas de tratamento antes de retornar ao curso d’água no rio Itabirito. Atualmente, a remoção de matéria orgânica vai de 85% a 90% de eficiência. Isso significa que, quando a água retorna ao rio, o próprio curso d’agua é capaz de depurar essa água antes de chegar nas zonas de captação de Bela Fama ou em zonas de confluência com o rio das Velhas.

Em breve, o resíduo que sobra no leito de secagem poderá encontrar um destino mais sustentável. Segundo o gestor da ETE, Raphael Silva, “são geradas 12 toneladas de resíduo por mês, que são encaminhadas para o aterro sanitário”.

Para evitar esse descarte no aterro, o gestor da ETE está desenvolvendo um projeto de reutilização desse material para que seja aplicado em solos degradados. “Já existe algo parecido no Paraná, inclusive eles já usam em atividades agrícolas. Em outros países, como nos EUA, isso já é normal e pode ser encontrado como produto em supermercados.

UTE Rio Itabirito
A Unidade Territorial Estratégica (UTE) Rio Itabirito localiza-se no Alto Rio das Velhas, possui uma área de 541,58 km2 e é composta pelos municípios de Itabirito, Ouro Preto e Rio Acima. A unidade tem uma população de aproximadamente 32 mil habitantes e o município de maior porte populacional é Itabirito, que concentra 90 % do total. Os rios principais são o Rio Itabirito, Ribeirão Mata Porcos e Ribeirão do Silva, com extensão de 73 Km dentro da área delimitada para a UTE.