Financiamento sustentável: uma jornada de desenvolvimento 

O protagonismo do Brasil no cenário internacional da sustentabilidade é resultado de uma trajetória construída com base em ativos como nossa matriz  elétrica majoritariamente renovável e avanços regulatórios e setoriais que vêm  consolidando o país como referência global. Na COP30, em Belém, o país pode  fortalecer ainda mais sua posição, liderando a discussão sobre financiamento  climático, um dos principais temas da Conferência. E, nessa questão, os bancos têm papel decisivo. 

Segundo a Boston Consulting Group (BCG), o mundo precisará investir cerca de  US$ 10 trilhões até 2050 para viabilizar a transição climática. No Brasil, estima se a necessidade de até US$ 2,4 trilhões. Esses números, embora desafiadores,  revelam uma oportunidade histórica: a de estimular inovação, crescimento e  criação de novos mercados. Com capilaridade e capacidade de mobilização, os  bancos podem ser agentes de transformações profundas ao direcionar recursos  para a transição. 

No Itaú Unibanco entendemos que a descarbonização é essencial para reduzir  impactos das mudanças climáticas e gerar novas oportunidades. Mas sabemos  que isso não se faz sozinho. Por isso, nosso compromisso vai além da redução  das nossas próprias emissões: buscamos engajar e apoiar nossos clientes em  suas jornadas de transição. É nesse sentido que revisamos, no ano passado,  nossa agenda ESG, nos comprometendo a mobilizar R$ 1 trilhão até o final de  2030 em finanças sustentáveis. E, como líderes no agronegócio entre os bancos  privados, temos atuado com inteligência e recursos para apoiar práticas  regenerativas e de baixo carbono no campo, setor estratégico para o Brasil e  para o mundo. 

A redução das emissões exigirá modernização da infraestrutura, adoção de  tecnologias limpas e transformação dos modelos produtivos. Há oportunidades  concretas na agricultura de baixo carbono, em todas as formas da bioeconomia,  na conservação dos nossos biomas e na transição energética. Nesse cenário, o  sistema financeiro pode ser um grande impulsionador oferecendo produtos  temáticos, incorporando critérios ESG nas análises, promovendo transparência  e fomentando parcerias estratégicas. 

Um exemplo é a parceria que temos com a Syngenta, com suporte da The Nature  Conservancy, no Programa Reverte, que recupera áreas degradadas  convertendo-as em terras agricultáveis. Desde o início do programa, em 2021,  já financiamos R$ 2 bilhões para recuperar mais de 270 mil hectares, um  exemplo prático de como a produtividade no campo pode crescer sem que seja  necessária a supressão da vegetação nativa, contribuindo para a redução das emissões do agronegócio. 

Além disso, o Itaú atuou como assessor financeiro na captação de R$ 1,5 bilhão  em Green and Transition Bond da Vibra, recurso que vai fortalecer o plano de  descarbonização da empresa. O banco foi ainda coordenador líder na emissão do primeiro CRA sustentável da Gencau, no valor de R$ 80 milhões, que serão utilizados na aquisição de cacau produzido com baixo impacto por pequenos  produtores, uma operação ESG com objetivos tanto ambientais quanto sociais. 

E nosso papel vai além do financiamento. Contribuímos ativamente para a construção da Taxonomia Sustentável Brasileira, que será fundamental para  estimular a padronização de critérios e atrair investidores comprometidos com  práticas responsáveis, e contribuímos com a regulamentação do mercado de  carbono. Também apoiamos iniciativas como o programa Eco Invest Brasil,  iniciativa de blended finance pela qual foram direcionados R$ 8,4 bilhões para  projetos sustentáveis, dos quais R$ 7,05 bilhões são capital alavancado do Itaú.  Essas ações fazem parte de um arcabouço que está sendo desenvolvido por  uma aliança diversa — formada por setor privado, academia, governos e  sociedade civil — e que tem como objetivo viabilizar o financiamento climático  em larga escala. 

A força do protagonismo brasileiro reside justamente nessa capacidade de  articulação. A COP30 será um marco, e o trabalho já começou. É tempo de  consolidar uma nova economia — mais verde, inclusiva e resiliente — em que  as finanças sustentáveis não sejam apenas uma tendência, mas uma alavanca  para o desenvolvimento.

Por Luciana Nicola, Diretora de Relações Institucionais e Sustentabilidade do Itaú

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