Vamos cumprir as nossas metas

Data: 03/12/2014

Por Marina Grossi

Com o maior amadurecimento político em relação ao tema – processo que se acelerou diante da gravidade de suas consequências para as atuais e futuras gerações – aumenta as chances de os países contribuírem para um resultado mais satisfatório da 20 a Conferência das Partes da Convenção Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP20), que será realizada em Lima, de 1 a 12 de dezembro próximos. Há uma expectativa concreta de que a COP20 possa ser uma importante etapa do processo de preparação para o acordo global de redução de emissões de gases de efeito estufa a ser formalizado daqui a um ano na COP21, em Paris.

Não é novidade para ninguém de que participamos de uma corrida contra o tempo. O IPCC – Painel Intergovemamental de Mudança do Clima tem alertado sobre a necessidade de limitarmos o aumento da temperatura em 2º C de forma a minimizarmos os impactos e riscos ao sistema humano e aos ecossistemas. E, apesar das advertências, o modelo de desenvolvimento ainda permanece baseado fortemente na produção e consumo de fontes não renováveis.

Contudo, não devemos depositar todas as nossas esperanças nos negociadores internacionais. Iniciativas unilaterais e bilaterais de países na direção de substituir os combustíveis fósseis por fontes limpas e renováveis já estão ocorrendo. Estados Unidos e China, os dois maiores emissores do planeta, estabeleceram um acordo bilateral para reduzir suas emissões. Detalhes do acordo serão divulgados em 2015.

Desde que o tema mudanças climática entrou na agenda global, há pouco mais de 20 anos, o Brasil é reconhecido por possuir a matriz energética mais limpa, quando comparada às grandes economias do mundo. Mas, com a crise hídrica nos últimos anos, temos observado um aumento das fontes fósseis na matriz elétrica brasileira.

No fim deste ano, o Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (Cebds) lançou o programa Ação 2020, uma adaptação elaborada a partir de consultas a especialistas do setor acadêmico e da sociedade civil e construção direta com as empresas associadas ao Conselho, tendo como base os resultados do Action 2020, do WBCSD (sigla em inglês do Conselho Empresarial Mundial para o Desenvolvimento Sustentável).

No Ação 2020 foram formulados os objetivos da sociedade (ou Must Haves, no jargão do projeto) para identificar pontos específicos que precisarão ser trabalhados no país, de forma conjunta pela sociedade civil, pelas empresas e pelos governos, até 2020. Tais objetivos foram identificados para sete áreas prioritárias, incluindo a de Mudança do Clima. Nesse bloco, foram elencados seis itens, para os quais soluções de negócio que sejam impactantes, escaláveis e além do business as usual deverão ser estruturadas. São eles: elevar a 50% a participação de energias renováveis na matriz energética nacional; reduzir significativamente as emissões relacionadas à agricultura e à pecuária; atingir o desmatamento líquido igual a zero em todos os biomas do Brasil e aprimorar os sistemas de controle e de monitoramento; ampliar o volume de investimentos e o número de projetos voltados à economia de baixo carbono; identificar, propor e implementar estratégias de adaptação para aumentar a resiliência das cidades; e diversificar a matriz de transportes de cargas e de passageiros e promover a mobilidade sustentável.

O estabelecimento das soluções de negócio, é claro, vai depender da remoção de algumas barreiras, fomento a parcerias e estabelecimento de marcos regulatórios. A questão chave está em estabelecer mecanismos para dar competitividade à economia de baixo carbono.

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Marina Grossi

Informações do Autor

Marina Grossi

Marina Grossi é economista e presidente do Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (CEBDS) desde 2010 e membro do CPLC (Carbon Pricing Leadership Colalition) do Banco Mundial desde 2018. No CEBDS desde 2005, Marina atuou como diretora-executiva e coordenadora das Câmaras Temáticas de Mudança do Clima e Energia, Construção Sustentável e Finanças Sustentáveis. Possui um vasto currículo ligado à área governamental, atuando como negociadora do Brasil na Conferência das Partes (COP) da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP do Clima) entre 1997 a 2001, e como coordenadora do Fórum Brasileiro de Mudanças Climáticas entre 2001 e 2003. Participou das negociações do Protocolo de Kyoto e representou o Grupo dos 77 (G77) mais China na área de Mecanismo Financeiro na COP 6 ½ (segunda fase da COP 6) que ocorreu em Bonn, Alemanha. Foi assessora do Ministério da Ciência e Tecnologia, na Coordenação de Pesquisa em Mudanças Globais, e na Coordenadoria de Comunicação Social e chefiou a Assessoria Internacional da Televisão Educativa (Funtevê).

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