Fórum Econômico indica fatores ambientais emergenciais 

Data: 11/10/2019
Autor:

O Fórum Econômico Mundial divulgou o The Global Competitiveness Report 2019, que indica fatores ambientais emergenciais em duas atividades humanas predominantes: uso de energia e produção de alimentos. Os fatores ambientais incluem as mudanças climáticas – causada principalmente pelas emissões de gases de efeito estufa (GEE) e a escassez de recursos naturais, como a água.

Além disso, o crescimento populacional – a população deverá atingir 9 bilhões em 2050 – necessita de esforços para garantir o desenvolvimento sustentável. Com base em Estimativas da Footprint Network, uma população de 9 bilhões de pessoas com o padrão de vida da média de hoje teriam uma pegada ecológica que exigiria cerca de 3,4 planetas, excedendo claramente limites ambientais.

 

Fatores Ambientais Emergenciais 

1. Alterações Climáticas

As temperaturas crescentes e modificações nos padrões de chuva causados ​​pelas mudanças climáticas reduzirão a produtividade, levando à uma menor produção agrícola. Segundo o relatório, os danos à infraestrutura, causados pelas mudanças climáticas extremas, também poderiam reduzir a produtividade. Esses efeitos das mudanças climáticas provavelmente irão exacerbar a pobreza.

Um relatório da FAO de 2018 conclui que “em regiões de baixa latitude, onde a maioria dos países em desenvolvimento e países menos desenvolvidos estão localizados, a agricultura já está sendo afetada adversamente por mudanças climáticas, especificamente, por uma frequência mais alta de secas e inundações ”. De acordo com este estudo, o rendimento das safras na África Ocidental e na Índia pode cair de 2,6 a 2,9% até 2050. Combinada com população significativa crescimento nessas áreas, é provável que essa redução reduzir déficits massivos em alimentos.

  • Como se adaptar às alterações climáticas?

O Relatório Business Climate Resilience: Thriving Through the Transformation, que pode ser baixado aqui, reúne importantes cases e as últimas reflexões sobre adaptação e resiliência do clima, tendo como foco a resiliência climática do setor privado. A publicação mostra a necessidade das empresas se preparem para os riscos associados às mudanças climáticas.

“Cenários transformadores de longo prazo precisam ser parte das estratégias de negócios, ou as empresas logo se tornarão irrelevante. As empresas que já têm uma visão de longo prazo vão ser as campeãs de amanhã.” Joyashree Roy, autor do IPCC.

O WBCSD já vem trabalhando junto à comunidade empresarial para a resiliência climática. As empresas devem se preparar para os riscos físicos associados às mudanças climáticas, bem como os riscos de transição. O CEBDS conta com a publicação Riscos Climáticos: como o setor empresarial está se adaptando?, que mostra as respostas das organizações sobre os efeitos das mudanças climáticas nos seus negócios.

Entres os riscos associados às mudanças climáticas, podemos citar, os riscos físicos, que se relacionam às mudanças extremas, como furacões, ciclones e inundações. Com o risco reputacional, a marca perde valor perante seus stakeholders, tanto em função da falta de um gerenciamento de riscos climáticos, como pela contribuição de sua atividade para as emissões de gases de efeito estufa. 

Devido às ameaças que estão expostas, as empresas precisam integrar as mudanças climáticas em seus processos de gerenciamento de riscos. A norma ISO 31000, adotada pela Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) foi criada para descrever em detalhe o processos sistemático e lógico da gestão de riscos, com o objetivo de auxiliar as organizações a realizarem uma gestão de risco de maneira eficaz.

 

2. Escassez de água 

Os casos de escassez de água mostraram ter um efeito extremamente negativo sobre a produtividade na agricultura. Assim como na fundição, produtos químicos e atividades de mineração. Um dos mais importantes recursos naturais, a água é essencial para a sociedade e para os processos produtivos. Seja como componente bioquímico de seres vivos, meio de vida de várias espécies vegetais e animais, elemento representativo de valores sociais e culturais e fator de produção de vários bens de consumo final e intermediário. 

As crises de abastecimento estão levando a sociedade a compreender que a gestão da água se tornou uma prioridade global. As questões relacionadas ao risco hídrico, gestão de perdas, reutilização de água e novas tecnologias para mitigação são temas cada vez mais recorrentes entre empresas que buscam maior eficiência em seus processos. 

  • Reúso de água

Embora tenha ganhado maior atenção nos últimos anos, o conceito de reúso é antigo. A definição remete a própria existência do ciclo natural da água, que normalmente considera a captação, utilização e descarte.

A água, porém, possui um mecanismo natural de circulação que a torna reutilizável várias vezes e para diversos fins. Partindo desse conceito, podemos definir reúso da água como o uso de efluentes tratados para fins benéficos. Tais  como irrigação, uso industrial e fins urbanos não potáveis. Antes de descartar a água, aproveitá-la ao máximo, utilizando técnicas eficientes de tratamento, para que a mesma água possa ser reutilizada várias vezes.

Brasil sobe uma posição entre os mais competitivos

Segundo o documento, a inflação sob controle e uma melhora na eficiência do mercado de trabalho fizeram com que o Brasil subisse, neste ano, uma posição no ranking global de competitividade. O País ficou em 71.º lugar, com uma nota de 60,9 pontos (escala de 0 a 100) – a média de 141 economias foi de 61 pontos. Na primeira posição, ficou Cingapura, com 84,8 pontos.

Apesar da melhora, o Brasil ainda precisa de progressos mais significativos em estabilidade econômica (quesito em que ficou no 115.º lugar), abertura comercial (125.º), segurança (123.º) e estabilidade governamental (130.º), segundo relatório do fórum. A organização analisou 103 indicadores agrupados em 12 pilares.

O relatório mostra que no longo prazo, governantes brasileiros terão de estabelecer políticas mais inclusivas socialmente e responsáveis ambientalmente para o País conseguir competir em um mundo onde as principais economias têm se esforçado nessas frentes.

 

Você conferir o relatório The Global Competitiveness Report 2019completo em inglês aqui.

Créditos da foto: Dharshie Wissah / 2019 fotógrafo ambiental do ano de Ciwem