Gerenciar riscos e adaptar

Data: 29/04/2014
Area: Clima
Autor:
Categoria: Energia e Clima

 

O IPCC divulgou, nas últimas semanas, os dois últimos documentos do Relatório 5 relacionados à adaptação e mitigação às mudanças climáticas.

No final de 2013, o primeiro documento deste relatório foi divulgado e reforçou os resultados de seu relatório anterior de 2007: a mudança do clima é uma realidade. Se é uma realidade e se está de fato em curso, as perguntas corretas a serem feitas pela sociedade é ‘como vamos lidar com isto?’ e ‘de que forma a minha vida, o meu negócio são afetados por este novo cenário?’. Esse é o foco desses dois últimos relatórios divulgados no final de março e início de abril sobre como nos adaptamos e mitigamos à mudança do clima.

Os cientistas já alertam que o pior já está em curso, o aumento da temperatura será superior a 2ºC. As geleiras já estão derretendo, o que afetará a disponibilidade de água potável para muitas comunidades. Os oceanos estão aquecendo e se acidificando e o impacto será, além do aumento do nível do mar, a perda de biodiversidade marinha. A agricultura, recursos hídricos e os ecossistemas estão sendo impactados. E, os setores econômicos e a saúde humana estão sendo atingidos.

E como a sociedade se adapta a esta nova realidade global? Embora os impactos sejam sentidos por todos, os países são vulneráveis em escalas diferentes. Os governos precisam identificar os pontos fracos de suas economias e compreender que os impactos são diretamente relacionados à composição econômica do país, à existência de infraestrutura e à distribuição de renda. Quanto piores esses indicadores, maior o impacto e maior a perda econômica, social e ambiental.

No caso do setor privado, os impactos variam de setor para setor, de negócio para negócio. Já entendemos que a forma de lidar com mudança do clima e se adaptar à ela é por meio da aplicação das metodologias de gestão de riscos. Identificar os riscos e planejar as respostas a estes envolvem tomadas de decisão. E este processo, por sua vez, irá alterar o risco da mudança do clima no século XXI, como destacado nos documentos do IPCC. Os riscos conhecidos a este processo são apenas os já observados e ressaltados no próprio relatório do IPCC e outros documentos científicos. Porém, ainda é desconhecido sobre até onde esse processo vai, qual será a intensidade desses e o impacto na vida humana.  Não há tempo para esperarmos mais. Temos que agir. E o grande desafio é como se adaptar a esta nova realidade global.



Raquel Souza

Informações do Autor

Raquel Souza

Raquel Souza é Assessora do Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável, desde 2012, onde coordena as Câmaras Temáticas de Energia e Mudanças Climáticas e a de Mobilidade Sustentável. Antes disto, foi analista de energia na Energia do Rio S.A., desenvolvendo projetos na área de petróleo e gás e, na analista na Celta Capital Sustentável em projetos de biocombustíveis e desenvolvimento sustentável. Também foi pesquisadora da COPPE em projetos de biocombustíveis, petróleo e gás e transportes. É economista com mestrado e doutorado em planejamento energético.