IPCC divulga relatório sobre mudança climática e terra

Data: 08/08/2019
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O IPCC (Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas), lançou nesta quinta-feira (8) em Genebra o Relatório especial sobre mudança climática e terraO sumário executivo aponta para a importância de combater o desmatamento, promover recuperação florestal, mudar práticas agrícolas e frear a degradação das terras no mundo inteiro como medidas capazes tanto de combater a mudança do clima quanto de promover a adaptação da sociedade a elas.

As conclusões são resultado de dois anos de trabalho de 103 peritos de 52 países, que participaram voluntariamente do estudo. Segundo o relatório divulgado pelo IPCC, a redução do desmatamento e da degradação tem o potencial de mitigar até 5,8 bilhões de toneladas de CO2 por ano no mundo. O Brasil, que tem a maior floresta tropical do planeta, pode responder por parte importante da redução.

O Brasil também tem vantagens competitivas e pode se tornar um líder global em produção com redução de emissões, como o Plano de Agricultura de Baixa Emissão de Carbono recomenda.  O Plano ABC deve ser entendido como o instrumento de integração das ações dos governos (federal, estadual e municipal), do setor produtivo e da sociedade civil, para a redução das emissões dos Gases de Efeito Estufa (GEE) provenientes as atividades agrícolas e de pecuária.

O IPCC faz um alerta: a demora do mundo em atacar decididamente a crise do clima pode fazer com que as soluções baseadas no uso da terra fiquem menos eficientes, já que o aquecimento da Terra induz à degradação dos ecossistemas e à perda de produtividade agropecuária.

O documento destaca como, em uma espécie de círculo vicioso, solos e florestas doentes agravam as mudanças climáticas, que, por sua vez, causam impactos negativos na saúde das florestas e do solo.

Você pode conferir o Relatório em inglês aqui. O IPCC também divulgou de maneira inovadora e dinâmica as informações no trello, que você pode ter acesso aqui!

Acordo de Paris

O relatório aponta que, se o aquecimento global ultrapassar o limite de 2º Celsius estabelecido no Acordo de Paris, provavelmente as terras férteis se transformarão em desertos. As infraestruturas vão se desmoronar com o degelo do permafrost – tipo de solo encontrado na região do Ártico, constituído por terra, gelo e rochas permanentemente congelados -, e a seca e os fenômenos meteorológicos extremos colocarão em risco o sistema alimentar.

Os autores enfatizam que as recomendações poderiam ajudar os governos a prevenir os piores danos, reduzindo a pressão sobre a terra e tornando os sistemas alimentares mais sustentáveis, enquanto atendem às necessidades de uma população crescente.

“Minha esperança é que este relatório tenha algum impacto sobre como consideramos a terra no contexto das mudanças climáticas e sobre as políticas que promoverão a gestão sustentável da terra e sistemas alimentares sustentáveis”, afirmou Alisher Mirzabaev, coautor do relatório do IPCC.

 

Discussão da Mudança Climática no Brasil 

As discussões sobre mudança climática estarão em pauta na Latin America and Caribbean Climate Week – LACCW (Semana do Clima da América Latina e Caribe), que será realizada em Salvador entre os dias 19 e 23 de agosto. O encontro integra a Convenção do Clima da Organização das Nações Unidas (ONU), que é destinada à implementação do Acordo de Paris e o Combate às mudanças climáticas.

O Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável – CEBDS estará presente com diversas atividades na Climate Week. O CEBDS junto ao World Business Council For Sustainable Development (WBCSD) será um dos apoiadores oficiais do bloco temático de Transição Energética, sob coordenação da IRENA. A programação deste e outros blocos temáticos podem ser consultados aqui e ocorrerão quarta-feira 21 de agosto de 2019.

Além disso, o CEBDS irá realizar o Workshop “Article 6 Business Dialogue” em parceria com a IETA – International Emissions Trading Association no dia 19 de agosto de 2019. O evento reunirá diversos atores dentre líderes empresarias, autoridades governamentais e parceiros. E, na parte da tarde, num momento fechado, construirá em junto às empresas um posicionamento do setor privado sobre o Artigo 6 do Acordo de Paris.