Mudança Climática – O que o mundo está fazendo

Data: 19/07/2017
Area: Clima
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Categoria: Energia e Clima
Mudança Climática

Em nosso último post aqui no blog, abordamos os conceitos de efeito estufa, aquecimento global e mudança climática. Hoje, vamos falar um pouco mais sobre as consequências do aquecimento global e como o mundo tem agido para combater esses efeitos ao longo da história.

Efeitos da mudança climática

Você já deve ter visto muitas fotos e vídeos de geleiras derretendo, icebergs do tamanho de cidades sendo lançados ao mar – o último que se desprendeu na Antártida tinha o tamanho do Distrito Federal -, ursos polares ilhados e tantas outras quando o assunto é aquecimento global. Realmente o derretimento de todo o gelo da Antártida e do polo Norte é um dos efeitos mais fáceis de ver nessa catástrofe anunciada, mas não é o único.

Todo o gelo continental que derrete aumenta cada vez mais o nível do mar, fazendo ele subir e inundar diversas cidades que ficam no litoral: isso mudará a vida de milhões de pessoas que vivem nessas regiões para sempre. E não para por aí, a mudança climática pode ainda transformar terras férteis em desertos, prejudicando muito a produção de alimentos em alguns locais e gerando crises de abastecimento de água em outros.

Esses impactos afetam também as atividades das empresas, que encontrarão cenários altamente arriscados para realizar suas operações e podem enfrentar grandes prejuízos financeiros. Resumindo, não importa em que lugar do planeta você viva ou qual seja o ramo do seu negócio, o aquecimento global afetará você de alguma forma. Não há como fugir.

O papel da ONU e da COP

Se esse é um problema que afeta o mundo inteiro, nada mais natural do que o assunto ser tratado na Organização das Nações Unidas (ONU) – e foi exatamente isso que aconteceu. Esse ano celebramos os 25 anos da histórica Conferência da ONU sobre o Meio Ambiente e o Desenvolvimento, que aconteceu no Rio de Janeiro em 1992. Essa reunião, também chamada de Rio92, lançou as bases para muitas iniciativas que são importantes nos dias de hoje: uma delas foi a Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre a Mudança do Clima (sigla UNFCCC, em inglês).

Essa Convenção passou a realizar reuniões periódicas, intituladas “Conferência das Partes” (sigla COP), que congregam todas as partes interessadas no debate de mudanças climáticas: Estados, empresas, organizações e sociedade civil. Vale a pena destacar as COPs porque essas reuniões foram palco dos maiores acordos que os países da ONU fecharam sobre mudança climática.

O primeiro grande acordo de uma COP aconteceu em 1997, na cidade japonesa de Quioto, onde foi aprovado o Protocolo de Quioto (caso queira saber mais detalhes, acesse essa página do Ministério do Meio Ambiente). Esse acordo definiu metas de redução de emissões de gases do efeito estufa para os países desenvolvidos, já que eles eram considerados os responsáveis históricos pela grande poluição do ar que desencadeou o processo de mudança do clima.

Como esse tema ainda era algo muito recente e muitas pessoas até questionavam a real existência do aquecimento global, o Protocolo só entrou em vigor no ano de 2005 após conseguir a quantidade de assinaturas necessárias das partes.

A demora em assumir o Protocolo de Quioto só demonstrou o quanto a pauta de mudança climática ainda era vista como secundária pelos governos de todo o mundo. É certo que as iniciativas não deixaram de surgir nesses oito anos, porém as metas do acordo já não pareciam atualizadas e suficientes para enfrentar um problema que só cresce a cada ano.

As COPs continuaram acontecendo, muitos debates surgiram, mas parecia muito difícil chegar a um consenso sobre ações práticas que combatessem o aquecimento global e as mudanças climáticas. Eram muitos interesses em jogo e quase ninguém estava disposto a abrir mão de algumas coisas em prol de um bem maior.

Uma mudança no cenário: o Acordo de Paris

Em 2015, finalmente esse cenário começou a mudar. A COP21, realizada em Paris, costurou um novo acordo que trazia ações e planos práticos contra a mudança do clima. Agora, com apoio de muito mais estudos e pesquisas, as Partes começam a entender que esse século (XXI) será decisivo para a garantia da nossa vida na Terra e preservação da natureza como a conhecemos. Como vimos no post passado, isso não significa de forma alguma abrir mão de crescimento econômico e desenvolvimento dos negócios. Pelo contrário, o custo de não fazer nada é que trará prejuízos enormes a economia.

Realizar a transição para um mundo mais sustentável é urgente, necessário e também uma ótima oportunidade de novos negócios. O Acordo de Paris foi escrito nesse contexto e estabelece o compromisso de manter o aumento da temperatura média do planeta em menos de 2°C, acima dos níveis pré-Revolução Industrial, realizando esforços para limitar o aumento da temperatura em 1,5°C. Você encontra mais informações sobre o Acordo de Paris nessa página, também do Ministério do Meio Ambiente.

A grande inovação do Acordo de Paris foi a apresentação de contribuições de cada país signatário para frear o aquecimento global, intituladas Contribuições Nacionalmente Determinadas (sigla NDC, em inglês). O CEBDS tem um post que explica detalhadamente o que é NDC e quais são os compromissos que o Brasil assumiu no Acordo de Paris.

Para que o Brasil atinja as metas que se comprometeu no Acordo de Paris, é necessário que governo e empresas dialoguem bastante e desenvolvam um plano de implementação que torne nossa economia cada vez mais sustentável. Nesse contexto, o CEBDS divulgou um estudo sobre Oportunidade e Desafios das metas da NDC Brasileira para o Setor Empresarial – você pode acessá-lo aqui.

estudo ndc



Laura Albuquerque e Moises Ferreira

Informações do Autor

Laura Albuquerque e Moises Ferreira

Laura Albuquerque é Assessora Técnica do Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (CEBDS) e coordena as Câmaras Temáticas de Energia e Mudanças do Clima e Finanças Sustentáveis. Moisés Ferreira é assistente técnico de Mudança do Clima do Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (CEBDS), desde 2017.