Olimpíadas 2016 e Sustentabilidade

Data: 15/06/2016
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Os Jogos Olímpicos e Paralímpicos são marcados por momentos inesquecíveis em que atletas se encontram a cada quatro anos numa nova oportunidade de entrar para a história dos esportes. Seja nos gramados, nas quadras, no tatame ou nas pistas, competidores realizam feitos memoráveis, alcançando recordes, trazendo prestígio e alegria às suas nações.

Assim como os desportistas, o país sede dos Jogos Olímpicos também tem uma oportunidade singular para mostrar ao mundo um pouco de sua cultura e capacidade de ser um bom anfitrião. Para o Brasil, é a chance de apresentar ao planeta nosso nível de organização, modernidade e eficiência administrativa, bem como nossa capacidade de coordenar um megaevento. E o que essa celebração esportiva tem a ver com sustentabilidade? Muito! Você vai entender ao longo desse texto.

O espírito das Olimpíadas abriga conceitos importantes de Sustentabilidade

O conceito das Olimpíadas está mais ligado às práticas sustentáveis do que pensamos. Além das competições em si, o Movimento Olímpico está permanentemente trabalhando com diversos países, pregando valores como a busca da prosperidade para todos, a importância do investimento em práticas sociais e em inovação, o trabalho em equipe e a harmonia entre as nações.

São conceitos cruciais para que seja possível desenvolver um modelo global e viável de crescimento econômico aliado ao ambiental e social, ao qual chamamos de Sustentabilidade. Por exemplo: sem recursos financeiros é impossível fomentar investimentos no campo. Sem atividade física, não há como atingir uma saúde plena. Seguindo a mesma linha de raciocínio, o avanço científico – inovação – é indispensável para repensarmos maneiras de gerir recursos.

Contudo, é muito difícil aplicar o desenvolvimento sustentável de forma parcial: por mais que exista um esforço de conscientização em um país ou grupo de países em prol da adoção de práticas sustentáveis, esse trabalho precisa ser realizado a nível verdadeiramente global para que produza resultados tangíveis. E isso demanda diálogo, compreensão, boa-vontade, respeito e confiança mútua. Valores que o Movimento Olímpico prega ao redor do mundo há mais de um século.

Como você pode notar, não cito a sustentabilidade apenas do ponto de vista dos cuidados com o meio-ambiente. É claro que essa questão está no núcleo desse pensamento, pois é próprio do trabalho humano transformar a natureza. Mas não se trata apenas da preocupação ambiental óbvia que o tema suscita. A Sustentabilidade vai muito além disso. Trata-se, também, de colocar a perpetuação da prosperidade e do desenvolvimento social num pódio onde só existe o primeiro lugar.

Nesse sentido, há uma modalidade em que já podemos nos considerar vitoriosos antes mesmo da pira olímpica ser acesa: a implementação de práticas sustentáveis no evento. Na verdade, essa “medalha” foi garantida ainda em outubro de 2009, quando a Cidade Maravilhosa ganhou a honra de promover os Jogos com uma candidatura sustentável, aliando a preocupação com a utilização dos recursos do planeta aos empreendimentos locais e benefícios que o evento trará à comunidade. E já podemos afirmar que estes são os Jogos mais sustentáveis de todos os tempos.

As Olimpíadas de 2016: eficiência e redução do impacto ambiental

A realização de um megaevento exige a utilização de muitos recursos humanos, financeiros e naturais do país anfitrião. Há uma grande demanda por água, energia e matéria-prima para as obras de infraestrutura e execução da competição propriamente dita, desde as disputas até o alojamento dos atletas. Por isso, o planejamento dos Jogos Olímpicos Rio 2016, sob o ponto de vista ambiental, foi construído sobre três pilares: uso eficiente de recursos, baixa emissão de carbono e gestão de resíduos.

A Rio 2016 deu um grande exemplo neste sentido. Sua sede foi concebida como uma estrutura temporária à base de contêineres, para abrigar até 2,4 mil pessoas. O prédio conta com sistema de aproveitamento de águas da chuva e um sistema de iluminação com 2,9 mil luminárias de led da GE, que economizam até 90% da energia. O sistema de ar condicionado reduz o gasto de energia em até 50% e permite o controle de temperatura por zona. Também faz parte do projeto a utilização de placas de captação de energia solar.

É evidente que o planejamento não é garantia de sucesso. Entretanto, já é um grande salto colocarmos essa trinca de conceitos como diretrizes de um evento com a dimensão dos Jogos Olímpicos. Cabe a nós – representantes de empresas, governo e sociedade – reivindicarmos que essa lógica esteja inserida em cada empreendimento público ou privado sempre, quer os holofotes do mundo estejam sobre nós como durante os Jogos ou não.

Por que investir em pessoas e esporte é atitude sustentável?

Como disse anteriormente e já é sabido de muitos, a sustentabilidade vai muito além da questão ambiental. É uma forma equilibrada de gestão de recursos que permite o desenvolvimento econômico-social e a manutenção saudável do planeta. Portanto, o apoio do governo e das empresas às iniciativas de acessibilidade, inclusão social, saúde e inovação representa uma prática sustentável imprescindível. Dentro das possibilidades apontadas nesse contexto, poucas ações conseguem ser tão inclusivas, acessíveis, inovadoras e saudáveis quanto o esporte.

Promover os Jogos Olímpicos e Paralímpicos é uma grande oportunidade para gerar investimentos no país-sede. Os valores necessários para isso são altos e a responsabilidade precisa ser proporcional, desde o processo de licitação dos fornecedores e gestão dos recursos até a apresentação transparente das receitas e despesas para o público.

O CEBDS desenvolveu o Manual de Compras, utilizado pela  equipe de  planejamento do Rio 2016, que pode ser adaptado a diferentes projetos de larga escala tanto para o governo como  para o setor privado.

Olimpíadas e Sustentabilidade

Case da parceria entre GE e Confederação Brasileira de Canoagem

Além de termos uma parceria global com o Comitê Olímpico Internacional (COI) desde 2005, a GE firmou um acordo de co-patrocínio com a Confederação Brasileira de Canoagem em 2014. Acreditamos que apoiar a infraestrutura e o desenvolvimento do esporte no país pode criar um ciclo positivo e transformador: os atletas da modalidade alcançam melhores resultados e os jovens sentem-se motivados a praticar atividades esportivas.

Nesse caso específico, buscamos fomentar o desenvolvimento de ferramentas altamente tecnológicas com foco em aprimorar a performance dos atletas e paratletas brasileiros da modalidade. A parceria levou à criação de um aplicativo ultra-moderno pelo Centro de Pesquisas Global da GE no Rio de Janeiro, permitindo a coleta de dados e análise de desempenho em tempo real dos esportistas durante os treinos. É a inovação, tecnologia digital e Big Data ao serviço do esporte brasileiro – trabalhando para que nossos atletas e paratletas da Canoagem conquistem muitas medalhas para o país.

Enfim, além de esportes, medalhas e atletas, outro grande tema relevante relacionado aos Jogos Olímpicos e Paralímpicos Rio 2016 é o legado que eles deixarão para a cidade. As medalhas são muito importantes para a afirmação dos atletas, não há dúvida. Mas a maior vitória acontecerá quando, ao apagar da pira e que todas as delegações estrangeiras se forem, a população local olhar para os lados e sentir que o esforço, o trabalho e a paciência que teve durante as obras terá valido a pena; que a cidade pós-Rio 2016 será um lugar melhor, mais humano e mais sustentável para se viver.

Que a Rio 2016 seja a prova que nosso país é capaz de criar e implementar um modelo sustentável de gestão, harmonizando prosperidade econômica, repeito ao meio ambiente e inclusão social.

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Sérgio Giacomo

Diretor de Comunicação e Relações Institucionais – GE Latin America

Presidente da Câmara Temática de Comunicação e Educação do CEBDS

Sérgio Giacomo assumiu a área de Comunicação e Relações Institucionais para a GE na América Latina em março de 2014, trazendo consigo mais de 25 anos de experiência Comunicação Corporativa. Ele também é Presidente da Câmara Temática de Comunicação e Educação do CEBDS.

Sérgio é formado em Língua e Literatura Francesa pela Universidade de Paris-Sorbonne e em Comunicação Social/Relações Públicas pela Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo.

 

 

 

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