Saneamento é Valor Compartilhado

Data: 17/04/2014
Area: Água
Autor:
Categoria: Saneamento

 

O dado publicado no estudo do CEBDS em parceria com o Trata Brasil, sobre a 112º posição do Brasil frente a outros 200 países em relação ao saneamento, mobilizou a opinião pública. Tal desdobramento é compreensível, dada à precariedade deste serviço, como o próprio nome diz, básico na 7º maior economia do mundo. Este é um dos direitos humanos das Nações Unidas e, portanto, garantir que o saneamento alcance a todos é, indubitavelmente, uma responsabilidade moral de toda a sociedade.

Além disso, a necessidade de universalização dos serviços de abastecimento de água, coleta e tratamento de esgoto fica evidente e inadiável quando se analisa suas vantagens financeiras, sociais e ambientais. Com a fragilidade do saneamento básico há perda de produtividade e, por conseguinte, geração valor. Por exemplo, conforme divulgado no estudo “Benefícios Econômicos da Expansão do Saneamento Brasileiro”, estima-se que a universalização do saneamento possibilitaria um crescimento da folha de pagamentos nacional de R$ 105,5 bilhões por ano. Assim, percebe-se que esta queda de produtividade implica não apenas em perdas diretas para as empresas, mas também indiretas por conta da redução do consumo.

Também é válido refletirmos sobre a necessidade de saneamento tendo em vista o recorte das bacias hidrográficas. A falta de coleta e tratamento dos esgotos se traduz em aumento da poluição difusa em diversas bacias, principalmente nas urbanas. A poluição por esgoto doméstico implica numa queda drástica de qualidade de água, comprometendo a vazão destinada a outros usuários. Isso gera um custo enorme ao longo da bacia uma vez que é preciso tratar a água antes de usá-la para qualquer fim mais nobre. Desta forma, se obriga a todos que dependem de água de melhor qualidade a pagar mais pela água tratada e a ir, cada vez mais longe, em busca de novas fontes. Ao buscar água em locais mais longínquos, incorre-se em custo maiores, e por vezes impeditivos, de logística e energia. Tudo isso, em grande parte, porque não há saneamento básico.

E mais, esta demanda por saneamento precisará ser atendido e para isso serão necessários serviços, equipamentos e mão de obra qualificada. Parcerias público privadas ganham destaque neste cenário, podendo trazer soluções mais ágeis e flexíveis para o setor. Engajamento das empresas neste sentido significará um grande ganho, não apenas econômico, mas reputacional.

O conceito atual de desenvolvimento sustentável está inexoravelmente vinculado ao valor compartilhado. E, certamente, agir em prol da universalização do saneamento no Brasil será uma grande oportunidade de mostrar como compartilhar valor pode ter resultados extremamente positivos.



Marina Santa Rosa

Informações do Autor

Marina Santa Rosa

Marina Santa Rosa é Engenheira Ambiental formada pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Foi pesquisadora, durante um ano, do Laboratório de Transporte de Carga da COPPE/UFRJ, participando de projetos envolvendo logística reversa, ACV e inventários de gases do efeito estufa. Entre 2012 e 2013 estagiou na Vale S.A., na gerência de Relatórios e Índices de Sustentabilidade. Atualmente é Assessora Técnica do CEBDS.