Setor privado busca soluções

Data: 12/12/2014
Area: Clima
Autor:
Categoria: COP

Enquanto as negociações permanecem travadas, o setor privado avança nas discussões e na busca de soluções práticas para a limitação da temperatura a 2°C. A noite de ontem foi reservada para a discussão sobre precificação de carbono. Tema importante que está na pauta do dia! Em jantar oferecido pelo CEBDS, CDP, CNI e Ethos, o assunto foi muito bem conduzido pelo representante do Banco Mundial, Thomas Kerr, e pelos presentes. Países, estados e empresas já estão adotando a precificação de carbono (seja mercado ou taxa) em suas operações.

Precificar carbono é uma ação importante para a internalização das externalidades negativas derivadas, principalmente, da utilização de combustíveis fósseis. Porém, pode trazer como resultado a perda de competitividade econômica do setor produtivo, afetando o crescimento e desenvolvimento econômico dos países. Portanto, é um tema importante que merece muita atenção e muita discussão, com ampla participação de todos os agentes de mercado.

Thomas ressaltou os resultados alcançados com a ação realizada em setembro deste ano, no Climate Summit, quando o Banco Mundial buscou o apoio de empresas, governos e sociedade civil na declaração pela precificação de carbono. O CEBDS apoiou o documento juntamente com mais de 200 empresas, em grande maioria, multinacionais. A expectativa do Banco Mundial é aumentar esse número até o final de 2015.

O Brasil ainda não se manifesta neste sentido. Ainda é cedo para discutir mecanismos de mercado quando ainda estamos definindo o texto do novo acordo de clima, é a posição do governo brasileiro. Instrumentos de mercado só devem ser discutidos após a assinatura do Acordo de Paris, em 2015. Nos anos conseguintes até a sua entrada em vigor, mecanismos de mercado devem ser discutidos.

Independente da posição oficial do governo brasileiro, é importante acompanharmos, discutirmos e melhor nos prepararmos para as mudanças em curso. É possível que a precificação seja inevitável e, sendo assim, temos que desmistificá-la, buscarmos as oportunidades nesse processo e avançarmos na agenda de clima.

 



Raquel Souza

Informações do Autor

Raquel Souza

Raquel Souza é Assessora do Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável, desde 2012, onde coordena as Câmaras Temáticas de Energia e Mudanças Climáticas e a de Mobilidade Sustentável. Antes disto, foi analista de energia na Energia do Rio S.A., desenvolvendo projetos na área de petróleo e gás e, na analista na Celta Capital Sustentável em projetos de biocombustíveis e desenvolvimento sustentável. Também foi pesquisadora da COPPE em projetos de biocombustíveis, petróleo e gás e transportes. É economista com mestrado e doutorado em planejamento energético.