CEBDS defende ‘retomada verde’ pós-pandemia em debate na Frente Parlamentar Ambientalista

Data: 25/06/2020
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A presidente do CEBDS, Marina Grossi, participou na quarta-feira, 24/06, de agenda da Frente Parlamentar Ambientalista, coordenada pelo deputado Rodrigo Agostinho (PSB-SP). Adoção de um mercado de carbono, combate ao desmatamento ilegal, lei nacional de resíduos sólidos e substituição de combustíveis fósseis por renováveis, foram alguns dos temas abordados à luz da retomada pós-pandemia da Covid-19.

A Frente Parlamentar Ambientalista é composta por deputados e sociedade civil, e tem como objetivo pensar políticas públicas em prol da sustentabilidade, ao tratar de temas importantes para Brasil e que passam pelo Congresso Nacional. A possibilidade de uma “retomada verde” pós pandemia e como executá-la é um desses tema e foi a pauta central do debate.

“O Brasil pode utilizar esse momento histórico como começo de uma discussão mais madura sobre como vamos fazer daqui para frente em relação a sustentabilidade. Precisamos olhar para o futuro e que seja transformador. Não dá para continuarmos consumindo os recursos do planeta nessa velocidade. Precisamos avançar na agenda sustentável, mesmo sabendo que é um momento desafiador para todos nós”, declarou Agostinho.

Junto ao governo, o CEBDS trabalhou em uma agenda com 10 propostas, tendo o drive da sustentabilidade como gerador de competitividade para o país. Dentre esses pontos estão a universalização do saneamento básico, diminuição da desigualdade social e mudanças dos critérios para incentivos e financiamentos. “Se os investidores continuarem colocando os mesmos estímulos, da mesma forma, nos mesmos negócios, não vamos ter uma economia mais resiliente”, afirmou Marina, ao exemplificar. “Salvar empresas aéreas ou do setor automobilístico como estava sendo feito, não vai ser mais resiliente. Na hora de conceder os subsídios para as empresas, o governo tem que exigir uma operação mais limpa”, enfatizou.

Marina Grossi salientou que há uma mudança de paradigma vigente e após a pandemia as empresas serão reconhecidas pela empatia que tiveram com seus consumidores, com sua cadeia de fornecedores e funcionários. Ao mesmo tempo, o líder empresarial de sucesso será reconhecido por entender que tem que acelerar tendências diretamente ligadas à economia verde e mais limpa.

“Essa aceleração para termos uma retomada mais verde, passa por simplificação da narrativa da sustentabilidade e em traduzir isso para os diversos públicos. O país tem recursos para investir e vimos isso acontecendo na pandemia. Agora é a vez de fazer o mesmo com a sustentabilidade”, disse.

Outro ponto importante e que deve ser levado em consideração na retomada é a precificação do carbono. O CEBDS já desenvolveu uma proposta, que foi apresentada para o Ministério da Economia, fruto de articulação com lideranças empresariais de diversos setores da economia. “Foram oito meses de discussão com as lideranças das companhias que atuam no setor mais limpo, que é o de florestas e absorve carbono, até o mais emissor, que é o de óleo e gás. Criamos uma metodologia para precificar a tonelada de carbono, que já pode ser implementada”, afirmou Marina Grossi.

A precificação do carbono permite a rastreabilidade dos produtos e melhor poder de escolha por parte do consumidor.  “Há uma forte mudança nos hábitos de consumo por parte da sociedade pós-pandemia. Com o uso da tecnologia poderemos rastrear os produtos e saber exatamente o impacto ambiental deles”, afirmou Marina. “As empresas já estão prontas para entrar nesse mercado mais exigente e o Brasil não tem porque se furtar disso. As grandes empresas podem impulsionar toda a cadeia produtiva, usando tecnologia, aliada à biodiversidade e bioeconomia, agregando valor aos nossos produtos. Temos que olhar para a demanda futura e para onde podemos crescer”, concluiu.

O debate ainda contou com a participação de Ricardo Abramovay, professor Sênior do Programa de Ciência Ambiental do IEE/USP, Délcio Rodrigues, Diretor Executivo do Instituto ClimaInfo, Celina Martins Ramalho, Sócia diretora da Semear Consultoria e Sérgio Leitão, fundador e diretor executivo do Instituto Escolhas.