COP15: Não podemos nos esquecer da biodiversidade

Data: 18/10/2021
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A COP15, conferência das Nações Unidas sobre diversidade biológica, trata de um tema tão crucial para o futuro da humanidade quanto as mudanças climáticas. O encontro, que vai de 11 a 15 de outubro e será realizado de forma virtual a partir de Kunming, China, tem recebido menos atenção do que a cúpula sobre clima, a COP26, que será realizada em Glasgow, Escócia. Mas não podemos deixar que as discussões sobre biodiversidade sejam invisibilizadas: as duas crises, do clima e da perda da diversidade biológica, se conectam. 

O mais recente relatório do IPCC, o Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas da ONU, aponta para uma série de consequências da elevação da temperatura global, já em curso, para a biodiversidade. O aumento do nível e aquecimento dos oceanos, o calor extremo, mudanças no regime de chuvas, entre outras alterações climáticas, podem levar ao colapso de ecossistemas e extinção de espécies. Esse cenário afetará a todos, inclusive os negócios – por isso é importante trazer à luz o que as empresas podem e devem fazer para contribuir com essa agenda.

Nesta semana, o Conselho Empresarial para o Desenvolvimento Sustentável (CEBDS) lança, durante a COP15, a publicação “Como as Empresas Brasileiras Vêm Contribuindo para as Metas Globais de Biodiversidade”, resultado do Compromisso Empresarial para a Biodiversidade, lançado há dois anos. Nela são relatadas as ações práticas das empresas para reverter a perda da natureza e os avanços obtidos nos últimos dois anos. São estratégias como sistemas de gestão ambiental e manejo florestal, desenvolvimento de ferramentas e serviços inovadores que melhoram práticas agrícolas e o uso da terra e engajamento de fornecedores na conservação da biodiversidade e manutenção dos serviços ecossistêmicos.  

Também enviamos nossas colaborações para a COP15 ao governo brasileiro, em uma carta endereçada ao Itamaraty enviada em 19 de agosto, fruto de um workshop realizado pelo Conselho e pela Fundação Brasileira para o Desenvolvimento Sustentável (FBDS), onde participaram empresas, academia e governo,, com o objetivo de discutir o Marco Global de Biodiversidade pós-2020, que será a grande discussão da conferência. A carta ao Itamaraty consolidou as contribuições recebidas com relação aos 4 objetivos para serem cumpridos até 2050 e uma série de metas para 2030 contidas no novo Marco Global. 

O primeiro objetivo é a melhora na integridade de todos os ecossistemas naturais, prevendo redução da taxa de extinções em pelo menos 10 vezes. O segundo objetivo trata da valorização, manutenção e aprimoramento das contribuições da natureza para as pessoas através da conservação e uso sustentável de seus recursos; o terceiro diz respeito ao compartilhamento de forma justa e equitativa dos benefícios a partir do uso de recursos genéticos. O quarto é o preenchimento da lacuna de financiamento e outros meios de implementação necessários para se alcançar a Visão 2050 da Convenção.

Também nos orgulhamos de participar da frente Negócios pela Natureza (sigla em Inglês BfN) pedindo medidas urgentes em prol da biodiversidade. Na abertura oficial da COP15, mais de mil empresas, com receitas de US $ 4,7 trilhões, incluindo 25 empresas brasileiras – como Eletrobras, Vale, Votorantim Cimentos, Natura e Suzano -, clamam que os governos adotem agora políticas para reverter a perda da natureza na próxima década. O movimento inclui uma carta aberta aos chefes de Estado assinada pelos CEOs de empresas líderes e apresentada no jornal britânico The Guardian. Entre os CEOs signatários da carta estão representantes das brasileiras Suzano e Natura & Co, bem como  H&M, Holcim, Mahindra Holidays & Resorts, Rabobank, Grupo Sintesa, Unilever, entre outras. 
O setor empresarial reconhece sua responsabilidade de rejeitar a mentalidade business as usual (“negócios como de costume”), de transformar seus modelos de negócios e apelar aos governos por mais ambição na COP15. Além disso, no CEBDS acreditamos que as Soluções Baseadas na Natureza (NBS, na sigla em inglês) representam um caminho de oportunidades para o Brasil, o país mais biodiverso do mundo. Temos potencial para ser o maior provedor de redução de emissões por diminuição do desmatamento e degradação florestal, e de sequestrar carbono por meio da restauração e reflorestamento. Assim como na questão climática, precisamos acelerar o passo: não temos tempo a perder.

Por Marina Grossi

Artigo originalmente publicado no Estadão