Representantes do setor empresarial brasileiro defenderam, durante o workshop virtual “Engajamento do Brasil nas negociações da COP 15 de Biodiversidade”, a necessidade de olhar a conservação da biodiversidade como uma oportunidade de negócios. O Fórum Econômico Mundial (WEF, na sigla em inglês) aponta no relatório Nature Risk Rising: Why the Crisis Engulfing Nature Matters for Business and the Economy a dependência que não só as pessoas, mas especialmente os negócios e a indústria, têm da biodiversidade. A pesquisa mostra que mais da metade do PIB total do mundo (cerca de 44 trilhões de dólares em geração de valor econômico) é dependente da natureza e de seus serviços.

O objetivo da série de debates, realizada em parceria entre o Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (CEBDS) e a Fundação Brasileira para o Desenvolvimento Sustentável (FBDS), foi reunir contribuições que subsidiarão a plataforma de propostas do Brasil para as negociações da nova Estratégia Global de Biodiversidade Pós-2020, que será apresentada pela delegação brasileira durante a próxima Convenção da Diversidade Biológica das Nações Unidas (COP-15). É esperado que o documento resultante do encontro esteja pronto ainda em agosto para que possa ser utilizado nas reuniões de negociação das Partes que acontecem antes da COP 15 da Biodiversidade, onde será apresentada a nova agenda global pós-2020.
Entre as contribuições do setor privado, estão o papel do setor na busca de soluções para perda de biodiversidade e metas quantitativas para conservação, esforços mais robustos em pagamentos por serviços ambientais (PSA) e engajamento na criação de mecanismos e incentivos econômicos para não destruir mais florestas nativas.

“Uma das principais bandeiras do setor empresarial é o desmatamento ilegal líquido zero nos biomas brasileiros, principalmente na Amazônia. É velha a ideia que produzir e preservar são antagônicos. Vemos exemplos com visibilidade internacional de empresas brasileiras que geram valor agregado para a floresta em pé. Também é fundamental que façamos o olhar cruzado do tema com as mudanças climáticas que, até 2030, se tornará o principal fator de perda de biodiversidade”, defende Marina.

A reunião de trabalho durou três dias e contou com a participação de representantes de mais de 10 universidades brasileiras, que trabalham com conservação, e empresas de diferentes setores, incluindo agricultura, óleo e gás, geração elétrica, mineração, florestas e cosméticos. O Itamaraty, responsável Brasileiro pela negociação da nova Estratégia que irá definir metas para 2030 e 2050, esteve presente nos três dias de encontro, representado por Leonardo Athayde, diretor do Departamento de Meio Ambiente.