Nos últimos anos, o Brasil tem protagonizado uma série de blecautes (termo utilizado para referir-se a uma queda brusca de energia elétrica em uma determinada área ou região) que impacta diretamente a vida de milhares de pessoas em todo o país. O último deles aconteceu no mês passado no Amapá, estado da região norte do país; quando em 03 de novembro, a principal subestação do Estado pegou fogo, causando o corte no fornecimento de energia para 90% da população do Amapá. Dos 16 municípios do Estado, 13 tiveram o abastecimento de energia interrompido, ocasionando o apagão, que deixou cerca de 765 mil pessoas sem energia elétrica por mais de 10 dias.

O caso foi tão grave que as eleições municipais da capital Macapá tiveram de ser adiadas pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). As causas do acidente na subestação ainda estão sendo investigadas.

Apesar da gravidade deste caso, o Amapá não é um caso isolado. Em 2018, um apagão  atingiu todas as regiões do país, tendo maior intensidade e duração no Norte e Nordeste. Os estados  de Alagoas, Amapá, Amazonas, Bahia, Ceará, Maranhão, Pará, Paraíba, Piauí, Pernambuco, Rio Grande do Norte, Rondônia, Sergipe e Tocantins foram os mais prejudicados. Em 2013, uma queimada realizada em uma fazenda na cidade Canto do Buriti, no Piauí resultou em um apagão que atingiu os nove estados nordestinos. Casos semelhantes se repetem no país desde 1985.

Todas as situações citadas acima poderiam ser evitadas se houvesse um investimento efetivo em energias renováveis. Assunto que envolve tanto a esfera pública quanto a privada e que nós do CEBDS tratamos já há um bom tempo (ver post sobre o tema). Mas o que é energia renovável? E por que mesmo sabendo dos benefícios deste tipo de energia, o Brasil ainda investe pouco nesse tipo energia?

A energia renovável ou energia sustentável é a energia obtida a partir de recursos inesgotáveis. Por definição, a energia sustentável atende às necessidades do presente sem comprometer a capacidade das gerações futuras. São exemplos de energia sustentável: a energia solar, eólica e hídrica. Além de contribuírem para a diminuição dos impactos ao meio ambiente, as fontes renováveis também auxiliam na economia das contas de luz em até 95%, o que permitiria que localidades de baixa renda tivessem mais facilidade de acesso à energia elétrica.

Existem, porém, inúmeros desafios para a implementação desse tipo de energia; a dificuldade de acesso ao crédito é um deles, pois grande parte do investimento está nas mãos do governo. A falta de informação e a ausência de estudos mais precisos sobre o tema são outras barreiras encontradas.

Na contramão disso tudo e tentando enfrentar todas as dificuldades relacionadas a implementação desta energia limpa, a equipe da Fundação Amazônia Sustentável (FAS) e os representantes da Unicoba, empresa do ramo de energia, visitaram a comunidade Santa Helena do Inglês, localizada na Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS) do Rio Negro, para dar inicio ao processo de desenvolvimento de um sistema solar fotovoltaico na comunidade.

A iniciativa denominada “Sempre luz” visa desenvolver um sistema de energia solar para melhorar e aumentar a capacidade e qualidade de vida dos moradores da comunidade. 

O projeto já está em andamento e tem como meta implantar o protótipo do sistema solar fotovoltaico até março de 2021 na comunidade.

Leia mais: https://portalamazonia.com/noticias/projeto-proporciona-sistema-de-energia-renovavel-em-comunidades-ribeirinhas

Veja também https://economia.uol.com.br/noticias/redacao/2020/12/01/se-nada-fizermos-poderemos-ter-apagoes-diz-bolsonaro-sobre-conta-de-luz.htm 

https://www.unicamp.br/unicamp/index.php/ju/noticias/2018/11/07/custos-sociais-e-ambientais-de-usinas-hidreletricas-sao-subestimados-aponta