O desenvolvimento da Usina Hidrelétrica de Baixo Iguaçu, no Paraná, foi um dos destaques do Relatório Global de Biodiversidade da Iberdrola, grupo espanhol que controla a Neoenergia, empresa responsável pelo empreendimento. O documento é publicado a cada dois anos, e nesta última edição apresenta mais de 1.450 ações globais relacionadas à proteção da biodiversidade.

Inaugurada em 2019, a Usina Hidrelétrica de Baixo Iguaçu recebeu investimentos de R$ 2,3 bilhões e possui potência instalada de 350 Megawats, suficiente para atender 1 milhão de pessoas. Com um reservatório de 13,5 km2, o empreendimento seguiu uma série de procedimentos relacionados a impactos ambientais desde antes do início das obras.

Um deles foi o inventário da fauna da região, onde foram registradas mais de 320 espécies de animais na área de influência da usina. A equipe de biólogos de Baixo Iguaçu realizou diversas ações de monitoramento e resgate de fauna, sobretudo nas áreas do canteiro de obras e do reservatório do empreendimento.

Preservação da fauna

Ao todo, foram resgatados mais de 970 animais pelos biólogos. As atividades de enchimento do reservatório chegaram a ser paralisadas para que fosse realizado o resgate de animais. O procedimento, que buscou garantir ao máximo a preservação da fauna, ocorreu por conta de espécies isoladas e sem opção de fuga para as áreas adjacentes.

Além disso, foram realizadas vistorias em toda a extensão do reservatório, e os animais resgatadas e em boas condições foram realocados para as áreas adjacentes. Os que necessitaram de cuidados específicos foram encaminhados para o Centro de Triagem de Animais Silvestres (CETAS) para ações de reabilitação e posterior soltura.

Outro ponto de destaque do projeto é a criação de um Corredor de Biodiversidade. A iniciativa tem como objetivo ligar as áreas de mata remanescente, as áreas de preservação permanente do empreendimento e as áreas protegidas do Parque Nacional do Iguaçu.

O relatório informa que as ações para a criação desse corredor já foram definidas. Quando as atividades de plantio estiverem concluídas, o corredor vai permitir a circulação da fauna entre os remanescentes florestais. Com isso, será possível troca gênica entre os espécimes das diferentes áreas, propiciando um habitat favorável ao desenvolvimento e preservação das espécies.

Monitoramento de espécies

Outra iniciativa realizada pela usina é o uso da tecnologia no desenvolvimento de programas de monitoramento de espécies endêmicas da região do empreendimento. Uma delas é o Surubim-do-Iguaçu (Steindachneridion melanodermatum), que teve os seus hábitos migratórios monitorados por meio de transmissores de telemetria combinada.

A iniciativa resultou no levantamento de informações inéditas sobre o Surubim-do-Iguaçu, que é considerado ameaçado de extinção na lista do estado do Paraná. Todas as ações foram realizadas em alinhamento com o órgão ambiental responsável pelo licenciamento ambiental do empreendimento.

Política exclusiva para a biodiversidade

As ações desenvolvidas pela Neoenergia na Usina Hidrelétrica de Baixo Iguaçu refletem a linha de atuação da Iberdrola nos países onde atua. Para isso, a Neoenergia conta com uma política exclusiva para a biodiversidade.

As diretrizes foram criadas com o objetivo de conservar o ecossistema como condição essencial para a sustentabilidade global. O documento prevê, entre outras orientações, integrar a preservação da diversidade biológica na estratégia e tomada de decisões da companhia.

Na prática, ao realizar qualquer instalação, a empresa aplica uma série de planos e programas ambientais que permitem conhecer, de forma detalhada, toda a composição da fauna e da flora do entorno.

Durante o processo de licenciamento ambiental de usinas hidrelétricas, subestações, linhas de distribuição, linhas de transmissão e parques eólicos, a Neoenergia já realizou o plantio de mais de 2,5 milhões de espécies nativas.