Estudo liderado por brasileiro mostra que é possível salvar espécies terrestres e combater as mudanças climáticas 

 

Segundo o estudo, a recuperação de 30% da vegetação natural destruída no planeta salvaria 70% das espécies ameaçadas; algo viável para 2050

 

Um recente estudo, feito a pedido da Convenção da Diversidade Biológica (CBD) da Organização das Nações Unidas (ONU), indica que 30% das áreas de vegetação natural convertidas em fazendas no mundo todo poderiam ser restauradas sem afetar a produtividade agropecuária e salvar da extinção 72% das espécies ameaçadas. 

 

Liderado pelo ecólogo brasileiro Bernardo Strassburg, da PUC-Rio, o estudo definiu as áreas prioritárias para que esses números se concretizem e reuniu 27 cientistas de 12 países diferentes que devem subsidiar as negociações no encontro da CBD em 2021 para a adoção de metas de médio prazo, para 2030, e de longo prazo, para 2050.

 

A meta proposta, além de proteger a natureza e salvar potencialmente quase 400 mil espécies terrestres, ajudaria a capturar cerca de metade de todo o carbono jogado na atmosfera nos últimos dois séculos, responsável pelo aquecimento global. Os números mostram ainda que o Brasil, conforme esperado, poderia se tornar uma potência da restauração de ecossistemas. 

 

O custo-benefício de regeneração dessas áreas, porém, varia conforme a região, e a pesquisa apontou onde estão as terras em que a recuperação de vegetação natural custa menos e traz mais benefícios. Um artigo descrevendo as conclusões do estudo sai na edição desta semana da revista científica “Nature”.

 

Para chegar a essa conclusão, os cientistas cruzaram mapas mundiais da agropecuária com dados de espécies ameaçadas compiladas pela IUCN (União Internacional para Conservação da Natureza). linkar  E depois compararam o resultado com o custo de restauração em cada bioma.

 

A definição de áreas prioritárias globais foi importante, porque elas se concentram sobretudo em países de clima tropical. Os pesquisadores compararam a diferença entre escolher 30% de áreas prioritárias no mundo todo, (independentemente do país em que ficam) e escolher 30% de áreas prioritárias dentro de cada país (como se cada nação fosse restaurar 30% de suas áreas convertidas). O custo-benefício da segunda solução, porém, não é tão bom quanto o da primeira,e isso inspira uma negociação diplomática para que os países tropicais sejam compensados pelo trabalho de recompor vegetação natural.

 

Recompor uma área tão grande de biomas exigiria um esforço intenso, mas factível até 2050. Em números absolutos isso significaria a restauração de 860 milhões de hectares, uma área similar a de todo o território do Brasil, mas distribuída entre vários países do mundo. Para que isso seja possível, será preciso criar mecanismos internacionais de compensação às nações que investirem mais em programas de restauração. Para isso as tratativas na CBD de 2021 em Kunming, na China, serão cruciais, bem como as negociações climáticas para redução da emissão de gases do efeito estufa.

 

Com informações de Rafael Garcia para o O Globo.

 

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Leia também https://www.nytimes.com/2020/10/14/climate/biodiversity-farmland-extinction.html