O podemos esperar em termos ambientais para o Brasil e para o mundo

 

O ano de 2020 foi marcado por queimadas, enchentes, estiagens, nuvem de gafanhotos e por uma pandemia que ficará marcada na história. Foram tantas mudanças que ainda levaremos um bom tempo para digerir todas as tragédias que aconteceram no último ano.

 

2020 também ficou marcado como o último da “Década da Biodiversidade”, período de 2011 a 2020, decretado pela ONU (Organização das Nações Unidas) para preservar a diversidade biológica do planeta.

 

O resultado da década não foi o esperado, pois nenhum dos objetivos internacionais foi totalmente alcançado. Entre os 20 compromissos ambientais firmados pelos 196 países  durante a Convenção da Diversidade Biológica, apenas seis foram “parcialmente atingidos”. São eles: prevenção de espécies invasoras, conservação de áreas protegidas, acesso e compartilhamento de benefícios de recursos genéticos, estratégias de biodiversidade e planos de ação, compartilhamento de informações e mobilização de recursos.

 

Em contrapartida, a pandemia trouxe um grande impacto positivo na redução da poluição atmosférica. Segundo dados da revista científica Natures Communications, houve uma queda de 8,8% nas emissões de dióxido de carbono (CO2) na primeira metade do ano em comparação com igual período de 2019. A redução é maior do que a registrada em crises econômicas anteriores ou na Segunda Guerra Mundial.

 

A chegada de 2021 renova as esperanças e traz importantes eventos relacionados ao meio ambiente como a 15ª Conferência das Partes (COP 15) da Convenção da Diversidade Biológica (CDB), que seria realizada em outubro passado, na China, mas foi adiada por causa da pandemia da Covid-19; e acontecerá de 17 a 30 de maio, em Kunming, mesma cidade onde estava programada inicialmente, na província de Yunnan.

 

O evento será uma grande oportunidade para Chefes de Estado e de Governo e outros líderes mundiais debaterem o desenvolvimento da estrutura de biodiversidade global pós-2020 a ser adotada na 15ª reunião da Conferência das Partes da Convenção sobre Diversidade Biológica (Cop-15). O outro importante evento também adiado e remarcado para este ano é a COP 26, prevista para acontecer de 1 a 12 de novembro, em Glasgow, Escócia.

 

O fim da Década da Biodiversidade marca o início da Década da Ciência Oceânica para o Desenvolvimento Sustentável que tem o objetivo de unir esforços de todos os setores relacionados ao mar para reverter o ciclo de declínio na saúde do oceano e criar melhores condições para concretizar o desenvolvimento sustentável. 

 

No Brasil, foram conduzidas diversas oficinas para a construção do Plano Nacional de Implementação da Década, com participação de diversos atores da sociedade. A criação de um banco de dados on-line, integrado, transparente e acessível a todos, não somente aos espaços de educação formal, foi a principal necessidade identificada para o país.

 

Além dos marcos citados acima, um assunto que deve ganhar ainda mais atenção este ano é a política de proteção à Amazônia que carece de medidas mais rígidas de combate ao desmatamento e preservação dos povos indígenas.

 

Outro tema que devemos acompanhar é o impacto das eleições nos Estados Unidos, e o retorno do país ao Acordo de Paris que deve fortalecer a política ambiental global e influenciar países como o Brasil. 

 

A mudança nos hábitos de consumo acelerada com pandemia também é algo que devemos observar principalmente entre a parcela mais jovem da sociedade ao longo da próxima década.

 

Referências:

 

https://cebds.org/ibnbio/cop-15-da-cdb-e-remarcada-para-maio-de-2021/ 

 

https://www.ecodebate.com.br/2020/12/22/breve-retrospectiva-2020-e-a-perspectiva-ambiental-2021/ 

 

https://climainfo.org.br/2020/05/29/cop26-e-transferida-para-novembro-de-2021/ 

 

https://www.oeco.org.br/noticias/retrospectiva-da-boiada-qual-foi-a-maior-de-2020-e-qual-devemos-temer-em-2021/ 

 

http://meioambiente.am.gov.br/secretarios-de-meio-ambiente-da-amazonia-discutem-prioridades-e-perspectivas-da-gestao-ambiental/ 

https://jornal.usp.br/ciencias/no-fim-de-um-ano-turbulento-cientistas-refletem-sobre-aprendizados-e-perspectivas-para-2021/