Os registros da expansão do novo coronavírus no estado do Amazonas aumenta a apreensão entre especialistas sobre os impactos da Covid-19 sobre os povos indígenas. O principal motivo de preocupação é com as tribos isoladas, cujas populações correm mais riscos de contrair doenças infecciosas, uma vez que não têm as defesas imunológicas que a população geral desenvolveu ao longo dos anos.

Com o objetivo de auxiliar no monitoramento da Covid-19 sobre a população amazônica, a InfoAmazonia desenvolveu o projeto “Monitor Covid-19 na Amazônia”. O objetivo da plataforma é monitorar a doença e os fatores que influenciam a sua evolução nos novo estados da Amazônia Legal.

Os dados apresentados pelo projeto são atualizados automaticamente, em sincronia com os dados abertos disponibilizados pelo Brasil I.O., que compila diariamente as informações das secretarias estaduais de saúde.

Por meio de mapas interativos, o projeto Monitor Covid-19 na Amazônia disponibiliza informações como registros de casos de contágio, mortes, taxas por 100 mil habitantes, população estimada e data da última atualização no município.

Fonte: InfoAmazonia

 

Infraestrutura precária propicia expansão do coronavírus

A situação da expansão do coronavírus na região se torna ainda mais grave se considerada as condições da infraestrutura hospitalar. De acordo com informações disponibilizados pelo projeto, a Amazônia está em uma condição de “deserto hospitalar”, devido aos recursos insuficientes. Para se uma ideia, o Amazonas, maior estado da federação, dispõe de unidades de tratamento intensivo (UTIs) somente em Manaus.

Todos os dados de casos e óbitos relatados pela plataforma são obtidos diariamente do Brasil I.O., que mobiliza uma força-tarefa de 40 voluntários que compilam diariamente boletins epidemiológicos das 27 secretarias estaduais de saúde e os disponibilizam como base de dados aberta. Já os dados de leitos de UTIs e respiradores existentes são obtidos do banco de dados divulgado pelo Ministério da Saúde.

 

Fonte: InfoAmazonia

Fonte: InfoAmazonia

Covid-19 entre indígenas da tríplice fronteira

Entre as áreas cobertas pelo projeto da InfoAmazonia está a da tríplice fronteira entre Brasil, Peru e Colômbia, onde está localizada a Terra Indígena Vale do Javari, a segunda maior do Brasil. Nessa região, no vale do Estado do Amazonas, está abrigada o maior número de povos indígenas isolados do mundo.

Mapas disponibilizados pela plataforma indicam que o município de Tabatinga, com 65,8 mil habitantes, registra até o momento um total de pouco mais de 1.400 casos acumulados e 75 mortes. Outro município entre os mais atingidos é Benjamin Constant, com 42,9 mil habitantes, que já tem 1.462 casos acumulados até o momento, com 27 mortes.

“Se chegar nas comunidades isoladas, uma doença dessas vai dizimar todo mundo”, disse Eliésio Marubo, advogado da União de Povos Indígenas do Vale do Javari (Univaja), em entrevista à Reuters.

De acordo com a reportagem, agências de governos municipais, estaduais e federal no município de Atalaia do Norte (AM) criaram uma comunidade para enfrentar a Covid-19 na região. Uma das atribuições da iniciativa é estabelecer estratégias de combate ao novo coronavírus, como, por exemplo, o treinamento especializado de profissionais de saúde que atuam em Javari.

Além disso, em parceria com o município, o Ministério da Saúde inaugurou três leitos para tratamento de indígenas e uma área de recepção separada para eles no hospital local. A pasta prometeu, ainda, 25 leitos hospitalares novos para indígenas nas próximas semanas.