A rastreabilidade de produtos da biodiversidade foi um dos principais temas abordados durante o lançamento no Brasil da iniciativa Call to Action (Chamado para a Ação), da Business for Nature, na última terça-feira (18).

Executivos das empresas participantes relataram diversas iniciativas que, por meio do monitoramento das cadeias de produção, buscam assegurar o cumprimento das melhores práticas socioambientais em seus negócios.

O Call to Action é uma iniciativa organizada pela Business for Nature e tem o objetivo de reunir empresas de todo o mundo em torno de ações voltadas para a reversão das perdas naturais até 2030. As adesões aos Call to Action podem ser feitas até 1º de setembro no site  https://www.businessfornature.org/call-to-action.

Até o momento, 30 empresas brasileiras já aderiram ao call to action, sendo cinco delas signatárias do Compromisso Empresarial Brasileiro para a Biodiversidade – AngloAmerican, BRK, Eletrobras, Natura e Suzano.

Consumidores mais exigentes

O presidente da Suzano, Walter Schalka, defendeu durante o evento uma postura mais exigente dos consumidores em relação às origens dos produtos aos quais têm acesso. No caso da Suzano, o executivo citou como exemplo o fato de a empresa de papel e celulose não utilizar em sua produção insumos oriundos de áreas que tenham passado por intervenção depois de 1994.

“A Suzano está 100% engajada nesse projeto. Estamos muito motivados para que esse assunto passe a ser cada vez mais relevante para a sociedade e incentivamos os consumidores para uma questão fundamental, que é a rastreabilidade de produtos”, disse Schalka.

O executivo citou iniciativas de outras empresas, como a Marfrig, que é uma das maiores fornecedoras de carne bovina do mundo e anunciou a criação de um sistema de rastreamento de gado criado em áreas críticas da Amazônia. Outro exemplo citado por Schalka foi a Natura, cujos produtos da linha Ekos contam desde 2018 com o selo da UEBT, sigla em inglês de União para BioComércio Ético, associação internacional sem fins lucrativos.

“Rastreabilidade é fundamental. A Natura tem o exemplo de um selo de fair trade que olha não só o impacto ambiental como o social positivo. Cada vez mais vamos promovendo esse movimento. A pandemia nos tornou mais conscientes e esta é a melhor hora para mostrarmos a para o consumidor a empresa que nós somos”, disse Denise Hills, diretora global de Sustentabilidade da Natura.

Cerco ao desmatamento

O vice-presidente de Relações Institucionais do Carrefour, Stéphane Engelhard, avaliou que os consumidores já começaram a mudar a forma como avaliam os produtos que encontram nas lojas. Como forma de atender esse olhar mais crítico, o executivo informou que a empresa vem implementando uma série de iniciativas que buscam aferir o comprometimento de seus fornecedores com boas práticas socioambientais.

Em relação aos frigoríficos, por exemplo, o Carrefour passou a utilizar um sistema de georreferenciamento que tem com finalidade verificar ações de desmatamento nas fazendas. Com base nessas informações, a rede varejista solicita informações e aplica medidas que podem resultar no descredenciamento do fornecedor.

“Hoje temos uma consciência muito grande desses fornecedores, que sabem que podemos parar de comprar. Este ano tivemos um caso emblemático no qual paramos de comprar de um grande fornecedor”, disse Engelhard.