Parceria entre Fundo Vale, Microsoft e Imazon usará Inteligência Artificial para combater desmatamento na Amazônia; o projeto é inédito entre as ações da Microsoft em IA é pioneiro no Brasil

 

O ano de 2020 ficou marcado pelos inúmeros incêndios de grandes proporções que atingiram áreas como o Pantanal e a Amazônia, e também pelo crescimento do desmatamento ilegal na Floresta. A grandiosidade da floresta Amazônica, que tem 60% de seu território localizado no Brasil, dificulta o combate à esse tipo desmatamento, que no ano passado atingiu um triste recorde: oito mil quilômetros quadrados de área verde perdidos, o maior registro dos últimos 10 anos, segundo dados do Imazon  (Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia). Esta perda inclui não somente a vegetação em si, mas toda a biodiversidade de fauna e flora que essa extensão acolhia. 

 

Até o final do ano passado, este monitoramento das áreas desmatadas era feito por satélites e analisado manualmente por técnicos, o que tornava o processo bastante lento. Mas, uma parceria da Microsoft com o Fundo Vale, mantido pela Vale, pretende mudar os rumos dessa história.  A parceria criou uma ferramenta de Inteligência Artificial que tem objetivo de antecipar informações de regiões com maior risco de desmatamento e incêndios na Amazônia. A ferramenta analisa diversos dados, como topografia, cobertura do solo, infraestrutura urbana, estradas legais e ilegais e dados socioeconômicos para identificar possíveis tendências de mudanças no uso do solo. Com isso, o processo que levava até um ano poderá ser feito em um dia.

 

“É um ganho brutal de capacidade de gerar informação. Com a IA, vamos poder capturar de forma mais rápida as estradas, esses pontos de ignição de desmatamento, e obter variáveis preditoras mais robustas. É um modelo muito promissor”, comemora Carlos Souza, coordenador de monitoramento da Amazônia e pesquisador associado do Imazon.

 

Além de identificar as estradas ilegais, a ideia é que a IA também faça a predição de áreas ameaçadas, considerando outras variáveis além das estradas ilegais. 

 

O projeto contou com a participação de mais de 20 instituições que atuam na região amazônica – como prefeituras, ONGs, pesquisadores, advogados, brigadas de incêndio e Ministério Público. Usando metodologia de design thinking, eles definiram os tipos de informações – ou inputs – importantes em relação ao combate ao desmatamento e como deverá ser criado o painel (dashboard) que, ao final do projeto, ficará disponível para a sociedade e exibirá os principais indicadores. 

No momento, o projeto encontra-se em fase de testes dos modelos de predição, que está usando todas as imagens de satélite disponíveis nos bancos de dados públicos. Os próximos passos são aprimorá-lo e fazer sua otimização em nuvem. O painel deve estar disponível no começo de junho.

 

Esta iniciativa é inédita entre as ações da Microsoft em IA e pioneira no Brasil. Um segundo projeto será a criação de um app para trabalhos in loco, com alertas enviados por pessoas e ONGs que estão diretamente em campo, observando e gerando informações.

 

Com informações de Época Negócios.