‘Mercado de carbono é um novo pré-sal’, diz Marina Grossi

Data: 16/10/2020
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Hoje, Dia Mundial da Alimentação (16 de outubro), o FoodTech Hub Br organizou um seminário on-line para discutir como os sistemas alimentares podem ser mais sustentáveis. O evento teve três focos: sustentabilidades ambiental, social e econômica. O primeiro painel, que contou com a presença da presidente do CEBDS, Marina Grossi, discutiu a “Segurança alimentar e uma geração sem fome”. A abertura foi conduzida por Paulo Silveira, da FoodTech Hub. Participaram também Fernando Camargo Silveira, secretário de Inovação, Desenvolvimento Rural e Inovação, do Ministério da Agricultura; Lígia Dutra, superintendente de Relações Internacionais da CNA; Rodrigo Santos, presidente da divisão Crop Science para América Latina na Bayer; e Daniel Balaban, diretor no Brasil do World Food Programme, da ONU, projeto que na semana passada venceu o Nobel da Paz.

“O mercado de carbono pode ser o novo pré-sal”, defendeu Marina Grossi. “A oportunidade que este mercado pode trazer para a cadeia de alimentos é fundamental. Temos muitos desafios no Brasil, mas desafios são oportunidades de mudança: 10 milhões de pessoas passando fome, podendo chegar a 14 milhões com a pandemia, o que nos colocaria novamente no mapa da fome mundial; desperdício enorme de alimentos; nutrição inadequada. Se o Brasil conseguir equalizar estas questões mostrará seu enorme potencial. Podemos aliar preservação e produção”, explicou a presidente do CEBDS.

Segundo Marina, o país tem o grande diferencial de ter uma das maiores biodiversidades do mundo. Com a biotecnologia levada aos alimentos, o Brasil poderá se mostrar um provedor de soluções.

“Graças à ação do setor empresarial e à participação da ciência e da sociedade, as mudanças vêm ocorrendo. Combate ao desperdício, combate às emissões, tecnologia de baixo carbono, agricultura regenerativa estão levando o Brasil a trilhar um novo caminho”, contou.

Rodrigo Santos, da Bayer, explicou por que a ciência e a tecnologia são as soluções para que o Brasil continue sendo o grande protagonista na produção de alimentos sustentáveis e nutritivos no mundo:

“O Brasil precisa se conectar com o mundo. Estamos falando da união de diferentes setores para que o país ocupe cada vez mais o espaço de grande produtor sustentável. Já alimentamos mais do que 1,2 bilhão de habitantes do mundo com o que produzimos aqui. Mas há o grande desafio de fazer isso de forma sustentável, preservando os recursos naturais , mitigando as mudanças climáticas. Para isso, o Brasil terá que fazer alianças estratégicas entre inciativas privadas, setor público e organizações não-governamentais . Não existe forma de assegurar alimentos sustentáveis e nutritivos sem parcerias estratégicas. A revolução da agricultura 4.0 vai ser a grande alavanca  de crescimento de produtividade e produção dos recursos naturais”, garantiu.