A Amazônia que queremos produz e preserva

Mapeamento inédito aponta caminhos e oportunidades para maior engajamento em práticas sustentáveis

Por Marina Grossi*

Neste início de 2023, a Amazônia segue ocupando o noticiário, mas infelizmente não são boas novas. O desmatamento alcançou novo recorde em 2022, com 10,5 mil km², segundo o Imazon. Trata-se do pior índice dos últimos 15 anos. Entre 2019 e 2022, o total devastado chega a 35,1 mil km², alta de quase 150% em relação ao quadriênio anterior. Também vimos a tragédia humanitária que se abateu sobre o povo indígena ianomâmi, acossado por desnutrição, condições precárias de saúde e avanço do garimpo ilegal e do crime organizado em suas terras.

A floresta também foi notícia no encontro anual do Fórum Econômico Mundial, em Davos, Suíça. O Brasil foi representado por lideranças empresariais, da sociedade civil, do governo federal e governadores. Com agenda intensa de encontros, a ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva, e o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, reafirmaram o que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva já havia anunciado na COP27, no Egito, em novembro passado: que o firme combate ao desmatamento e à emergência climática serão prioridades e receberão abordagem transversal, pautando ações de diferentes ministérios. A candidatura de uma capital amazônica, Belém, para receber a COP30 em 2025, submetida à ONU, é outro aceno nessa direção.

Será preciso somar esforços públicos e privados para enfrentar os elevados índices de perda de florestas não só na Amazônia, mas em todos os biomas brasileiros. A questão é urgente, visto que as mudanças no uso da terra representam 49% das nossas emissões de gases de efeito estufa e contribuem para a perda da biodiversidade, agravando internamente duas das principais crises ambientais do nosso tempo. Cuidar dos biomas, combatendo o desmatamento ilegal, nossa maior mácula, dará ao país meios de promover uma bioeconomia da floresta em pé, gerando novos negócios e prosperidade.

As empresas associadas ao Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (CEBDS) sabem disso e criaram, em 2021, o Movimento Empresarial pela Amazônia, a partir do entendimento de que produzir e preservar não são verbos antagônicos. O movimento reúne grandes empresas para manifestar sua preocupação com a imagem negativa do país em relação às questões socioambientais e reforçar o apoio e a participação do setor empresarial na tomada de ações positivas. No ano passado, levamos CEOs de grandes companhias para uma imersão na floresta e publicamos o Estudo de Boas Práticas Empresariais na Amazônia. Esse mapeamento inédito aponta caminhos e oportunidades para um maior engajamento em práticas sustentáveis na região, com soluções escaláveis e negócios como restauração de áreas degradadas, capacitação profissional, desenvolvimento de startups, agricultura sustentável, bioeconomia e inteligência artificial na prevenção ao desmatamento. São 11 iniciativas, com 50,7 mil beneficiários diretos.

O CEBDS partilha a visão de que é possível frear a perda de biodiversidade e de que os negócios têm papel importante a desempenhar, contribuindo com o poder público na questão. Nosso Conselho de Líderes, formado por 95 CEOs de grandes empresas, receberá neste mês a ministra Marina Silva para debater caminhos para um modelo de desenvolvimento que freie a perda dos ecossistemas e reduza as emissões de carbono. Mais que isso, permita incluir economicamente e gerar prosperidade com a floresta em pé aos 30 milhões de brasileiros que residem na região. É essa Amazônia, pujante e transformadora, que queremos ver nas manchetes.

* Marina Grossi é presidente do CEBDS (Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável), entidade com mais de 100 empresas associadas cujo faturamento somado equivale a quase 50% do PIB brasileiro

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