Aprovado nesta semana, mecanismo define critérios para identificar atividades econômicas sustentáveis para investimentos.
A sustentabilidade deixou de ser uma pauta do futuro e tornou-se uma necessidade urgente. No centro dessa transformação está a Taxonomia Sustentável Brasileira (TSB), um instrumento estratégico que define critérios objetivos para identificar quais atividades econômicas são, de fato, sustentáveis.
Com a aprovação da primeira versão do documento pelo Comitê Interinstitucional da Taxonomia Sustentável Brasileira (CITSB), o país dá um passo decisivo rumo a uma economia verde, inclusiva e competitiva, consolidando uma das principais entregas do Plano de Transformação Ecológica do governo federal.
Um Guia para Orientar Investimentos Sustentáveis
A TSB é um sistema de classificação que define, com base científica, atividades econômicas que contribuem para metas ambientais, sociais e climáticas. Seu objetivo é direcionar recursos financeiros para projetos e setores que realmente gerem impacto positivo, evitando o greenwashing e fortalecendo a transparência nas finanças sustentáveis.
“A taxonomia é a base para um novo paradigma econômico que pode colocar o Brasil como protagonista na transição verde global”, afirmou Marina Grossi, presidente do CEBDS, em artigo publicado no Estadão. “Ela diminui riscos de transação, direciona financiamento global e aumenta a atratividade do nosso país para investidores estrangeiros.”
Inspirada por experiências internacionais — como as da União Europeia, China e México —, a versão brasileira traz inovações reconhecidas globalmente, entre elas a inclusão de critérios sociais e raciais inéditos e a consideração de atividades de transição, como a mineração de lítio, essencial para o armazenamento de energia renovável.
A contribuição do CEBDS para a construção da Taxonomia
Desde o início do processo, o Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (CEBDS) desempenhou um papel central no diálogo entre setor privado e governo, assegurando que o instrumento refletisse a realidade e as prioridades do empresariado brasileiro.
2023 – Consulta Pública e contribuições setoriais
O CEBDS consolidou e enviou ao Ministério da Fazenda um documento com recomendações de mais de 10 empresas associadas, reforçando a importância de integrar objetivos sociais e ambientais e de garantir interoperabilidade com outras taxonomias internacionais.
2024 – Comitê Consultivo e guia para o setor privado
Durante 2024, o CEBDS integrou o Comitê Consultivo da Taxonomia Sustentável Brasileira (CITSB), participando da elaboração dos cadernos técnicos e organizando uma oficina técnica com o Ministério da Fazenda, onde foi lançado o guia “Taxonomia Sustentável Brasileira: perguntas e respostas para o setor privado”. O material apoiou empresas a compreender e aplicar os critérios da nova estrutura.
2025 – Engajamento e aprovação final
Na reta final do processo, o CEBDS recebeu 179 contribuições de suas associadas — das quais 101 foram aprovadas total ou parcialmente —, refletindo o envolvimento direto de 14 empresas. O resultado reforça o papel do Conselho como articulador entre o setor produtivo e o governo na consolidação da TSB.
Farol para a Transição Ecológica
A TSB se consolida como um “farol da sustentabilidade”, expressão usada pelo Ministério da Fazenda, capaz de orientar políticas públicas, incentivos econômicos e decisões empresariais. Com a implementação prevista para ocorrer de forma gradual, o sistema abrangerá inicialmente oito setores econômicos, como agricultura, energia, transporte e construção, e será ampliado futuramente para bioeconomia, economia circular e minerais críticos.
“A TSB não apenas classifica atividades verdes — ela cria as bases para um novo modelo de desenvolvimento, que une inovação, justiça social e preservação ambiental”, reforça Marina Grossi.
10 destaques sobre a Taxonomia Sustentável Brasileira
- Primeira edição aprovada em agosto de 2025, com oito cadernos técnicos e mais de 880 páginas.
- Três objetivos centrais: mitigação e adaptação climática e redução das desigualdades socioeconômicas.
- Abrange oito setores econômicos, como agricultura, energia e transporte.
- Primeira taxonomia do mundo a incluir metas raciais e de gênero, alinhadas ao ODS 18.
- Mais de 350 especialistas de 63 instituições participaram da elaboração.
- Integra o Plano de Transformação Ecológica – Novo Brasil, liderado pelo Ministério da Fazenda.
- Caráter voluntário, mas com potencial de uso regulatório e de mercado.
- Aumenta a transparência e reduz riscos de greenwashing.
- Facilita o acesso a financiamentos verdes e mercados internacionais.
- Será destaque do Brasil na COP 30, em Belém, como exemplo de inovação e liderança climática.
Sobre o CEBDS
O Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (CEBDS) é uma associação civil sem fins lucrativos que promove, desde 1997, o desenvolvimento sustentável no Brasil, por meio da articulação junto aos governos e à sociedade civil, além de divulgar os conceitos e práticas mais atuais do tema. Voz do setor empresarial, o CEBDS reúne mais de 110 dos maiores grupos empresariais do país, além de ser o representante brasileiro do World Business Council for Sustainable Development (WBCSD), que está presente em 36 países e conta com 200 empresas associadas no mundo.

