COP 28 – CEBDS, Igarapé e JGP assinam acordo para destravar recursos para dar escala a projetos estruturantes na Amazônia

O CEBDS realizou na segunda-feira, 4, do painel “Financiamento da transformação ecológica na Amazônia: Soluções de blended finance para aplicação prática no território”, dentro da programação da COP 28, em Dubai.

O painel foi realizado pelo CEBDS em parceria com o Instituto Igarapé, e teve mediação de Ilona Szabó, desse mesmo Instituto, e como participantes, além de Marina, de Peter Bakker, da associação WBCSD; José Pugas, da gestora de investimentos JGP; Natália Dias, do BNDES; e de Valmir Ortega, fundador da Belterra Agroflorestas.

As discussões do painel giraram em torno de blended finance, e sobre como atores empresariais, filantrópicos e estatais podem atuar em coalizão para expandir um fluxo de capital na velocidade e escala necessárias para garantir a transformação ecológica na Amazônia.

Na ocasião, CEBDS, Instituto Igarapé e JGP assinaram um acordo de cooperação para destravar fluxos financeiros para iniciativas sustentáveis que deixem um legado concreto do setor empresarial brasileiro em Belém e/ou na Amazônia Legal, para a COP30, a Conferência do Clima da ONU, que ocorrerá na capital paraense em 2025.

O acordo visa estruturar mecanismos de finanças híbridas para viabilizar essas iniciativas.

Conceito – O ponto de consenso entre os participantes do evento foi sobre como o conceito – e a ação – de blended finance, que pode ser traduzido como “financiamento misto”, um modelo de negócio que visa combinar recursos financeiros de diferentes capitais, sejam públicos, privados ou filantrópicos, chegue ao maior número de envolvidos e possa estimular o investimento em projetos sustentável nos países em desenvolvimento.

Marina Grossi fez uma retrospectiva desde a criação do CEBDS, em 1997, ecoando as novidades trazidas pela conferência Eco 92, no Rio de Janeiro. Em 2012, o Conselho já reunia parcerias fortes do setor privado e dos governos Federal e Estadual. Sete anos depois, o foco do Conselho se voltou à Amazônia, enfatizando o combate ao desmatamento na região.

Segundo Marina, não há como falar de Amazônia, sem citar essa verdadeira mácula que é o desmatamento. Ainda no assunto, Marina falou que o foco atual de todos é a COP 30 em Belém. “O que vemos aqui é que o caminho de Dubai a Belém está em voga e todos falam sobre esse assunto. Nós do CEBDS estamos buscando acelerar o processo junto aos movimentos do setor privado, o que requer uma grande complexidade, mas confiamos no poder de articulação do Conselho, e sabemos que na Amazônia não teremos que construir nada do zero, porque tudo existe por lá”, destacou.

Seguindo a fala de Marina, Peter Bakker destacou o empenho do governo brasileiro que levou a Dubai uma expressiva delegação com cerca de 2.400 integrantes, e isso tem um olhar para COP 30. “Tudo o que queremos é ir ao Brasil e no caminho de Dubai a Belém, o papel dos líderes empresariais é muito importante. Teremos dois anos pela frente e não temos mais tempo para projetos pilotos, mas de trilhar caminhos para escalas estruturais, com impacto na natureza”, disse.

Por outro lado, Ilona Szabó falou sobre mapeamento da economia ilícita, e também destacou sobre como está se pensando bastante no legado que COP 30 deixará para a região. “O foco é sobre o que a COP deixará, principalmente, às pessoas dessa região”. Muito antes de surgir o conceito de blended finance, que alguns chamam de ‘arma secreta’, o Brasil já praticava esse conceito. O Plano Safra é um exemplo de financiamento misto, desde sempre”, iniciou José Pugas.

“A arquitetura do blended finance não é fácil, é complexa. É sentar-se à mesa e convencer a todos que todos podem ganhar, sim. E nesse segmento, o CEBDS tem papel decisivo, porque entende bem do assunto”, destacou.

Valmir Ortega mostrou que na Belterra, um dos desafios é a de entregas concretas, orientando as ações pela restauração florestais. “O desafio do Brasil é combinar os recursos do setor privado em direção às cadeias de produção de sustentabilidade”, opinou.

Marina falou novamente sobre como as ações de sustentabilidade não podem e nem devem deixar de colocar as pessoas no centro dos debates. “A integralidade climática é uma articulação que deve buscar boa parte das soluções no território, em como lucros da economia gerada podem chegar à ponta”, disse.

Natália Dias, do BNDES, falou que essa entidade bancária buscou coalizão com 17 bancos de desenvolvimento do Brasil. “Pensamos em inclusão produtiva, dando foco às cidades amazônicas para que seja tirada a pressão sobre a floresta. O BNDES busca a evolução em blended finance para promover a diminuição de riscos a todos os envolvidos no processo de financiamento”, explicou.

Um outro ponto enfocado é sobre blended finance que, antes apostava apenas em entidades financeiras, agora, pode ter como parceria do setor privado, as empresas, que surgem como avalistas no processo todo.

Assista aqui a gravação do evento.

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