CEBDS debate equidade de gênero no mercado de trabalho

Problemas como falta de saneamento básico e educação, principalmente para mulheres negras, foram destaques na roda de conversa conduzida por Marina Grossi, presidente do Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (CEBDS)

No Dia Internacional da Mulher, o Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (CEBDS) reuniu em São Paulo três executivas para debater as causas da falta de equidade de gênero no mercado de trabalho. Marina Grossi, presidente do CEBDS, comandou a discussão que contou com Teresa Vernaglia, CEO da BRK Ambiental, Flavia Vergili, diretora de RH da WeWork na América Latina, e Nina Silva, fundadora do Movimento Black Money e destaque na Lista Forbes das Mulheres Mais Poderosas de 2019.

A igualdade de gênero, que inclui equidade de ganhos e oportunidades iguais, é um dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, apontados pela Organização das Nações Unidas como forma de se alcançar um mundo mais igualitário para as futuras gerações. As discussões sobre a baixa presença de mulheres em cargos de liderança são fundamentais em um momento em que o Fórum Econômico Mundial mostra a queda do Brasil no ranking sobre igualdade de gênero.

“A diversidade traz mais competividade para as empresas, pois influencia na tomada de decisões e em como a empresa se posiciona junto ao mercado consumidor. Mas mais do que falar de negócios, devemos destacar também a equidade de gênero como uma das formas de alcançar uma sociedade mais justa”, afirmou Marina Grossi na abertura do debate ao questionar os motivos da falta de equidade de gênero e de outras singularidades nos ambientes de trabalho. Problemas de base, como os impactos da falta de saneamento básico e do acesso à educação, bem como a necessidade de mudança na cultura corporativa nos processos de seleção e promoção, foram destacados pelas debatedoras.

Teresa Vernaglia, CEO da BRK Ambiental, apresentou dados de uma pesquisa realizada em parceria com a Trata Brasil, com dados do IBGE, SUS e ENEM, que mostra como a falta de saneamento básico afeta a vida da mulher e, consequentemente, seu desempenho escolar e profissional.

“Uma em cada sete mulheres brasileiras não tem água em casa. São 4 milhões de mulheres sem banheiro e uma mulher sem banheiro ganha 73% menos.  A falta de acesso a água tratada e esgotamento sanitário afeta diretamente na saúde e na educação. Se a mulher cuida família, é ela que gasta tempo na fila do SUS, perde tempo de trabalho e às vezes o emprego. A criança perde aula. Mulheres autodeclaradas pretas, pardas e indígenas são as que mais sofrem. Esse é um ciclo vicioso perverso, principalmente porque a população não sabe disso”, disse.

Segundo Teresa, o Brasil teria a universalização do saneamento básico em 2033 com o investimento de R$ 20 bilhões por ano. Com a média anual atual (entre R$ 5 e 6 bilhões), o marco seria atingido somente em 2050.

“O investimento privado pode resolver a questão, mas para isso é preciso um marco regulatório que ofereça transparência e segurança para o investidor”, conclui.

Nina Silva começou sua fala emocionada após ouvir os dados da pesquisa citados pela CEO da BRK Ambiental e ao lembrar que sua mãe e avó, mulheres negras, sofreram as mesmas dificuldades com a falta de acesso a direitos básicos. “Minha mãe fez até a 4ª série e hoje tem uma filha na Forbes. A gente precisa do mínimo, como saúde e educação, para fazer grandes mudanças”, destacou.

Executiva da área de Tecnologia da Informação e fundadora do movimento que promove associativismo entre negros e que visa empoderamento por meio do empreendedorismo, Nina destacou que a mulher negra, o maior grupo étnico e de gênero do País (27% da população), ganha apenas 40% do salário de um homem branco com a mesma escolaridade. Para ela, não investir em equidade é um erro.

“Empresas com maior diversidade de gênero lucram 21% a mais. Com diversidade étnica racial, lucram 33%. Não investir em equidade é burrice. Joga-se dinheiro no lixo por não pagar mesmos salários, deixa-se de ganhar por não incluir diversidade em seus quadros”, afirmou.

Questões relevantes como a conciliação de carreira com o desejo da maternidade e a disparidade salarial entre homens e mulheres também permearam a conversa. Flavia Vergili, diretora de RH da WeWork na América Latina, falou da necessidade de excluir o viés de gênero, raça e outras singularidades dos processos de seleção e promoção nas empresas por meio da mudança da cultura das altas lideranças.

“Hoje na América Latina, nos quadros de trabalho da WeWork, temos 53% de mulheres em cargos desde diretoria até júniores. Não foi uma questão de mudar o processo de seleção, mas de instruir os gestores sobre a positividade de temos maior diversidade nos quadros.

O evento foi o primeiro de 2019 do Quebrando Muros, uma inciativa do CEBDS que promove discussões sobre sustentabilidade social e ambiental por meio de temas transversais a todas as áreas de uma empresa. O debate foi transmitido ao vivo e ficará disponível para visualização na página do CEBDS no Facebook.

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