Setor empresarial apresenta cases de eficiência hídrica no Water Business Day

O compartilhamento de experiências, tecnologias e boas práticas de gestão de recursos hídricos é fundamental para o avanço da agenda de água. Essa foi uma das principais mensagens do Water Business Day, evento organizado pelo Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (CEBDS) em parceria com a Confederação Nacional da Indústria (CNI) e a Rede Brasil do Pacto Global. O encontro aconteceu neste domingo (18), em Brasília, e reuniu cerca de 250 lideranças de empresas.

“A crescente importância da agenda da água, sua melhor gestão e o desenvolvimento de soluções para otimizar seu uso e reduzir custos passa necessariamente pelo engajamento do setor empresarial. As grandes empresas têm que assumir o papel de liderar o setor produtivo, com ações como o compartilhamento de sistemas de gestão e tecnologias com sua cadeia produtiva e clientes, ajudando-os a serem mais eficientes e menos dependentes da água”, afirmou a presidente do CEBDS, Marina Grossi, na abertura do evento.

Ela incentivou os empresários a integrarem rede de apoio à eficiência hídrica e falou sobre a Carta Compromisso Empresarial Brasileiro para a Segurança Hídrica, assinada por CEOs de grandes empresas em atuação no país. O documento será apresentado pelo CEBDS nesta segunda-feira (19), no painel de alta liderança​ do 8º Fórum Mundial da Água. Grossi também apresentou a nova publicação do CEBDS, o Guia de Economia Circular da Água.

Para o presidente do Conselho de Meio Ambiente e Sustentabilidade da CNI, Marcos Guerra, a água é um fator essencial para a infraestrutura. “O desafio está na necessidade de superação dos déficits de saneamento básico. Hoje, 34 milhões de brasileiros não têm acesso ao saneamento”, pontuou.

Carlo Pereira, secretário executivo do Pacto Global, destacou que as empresas são as principais parceiras da ONU na implementação da Agenda 2030. “Precisamos ser mais ambiciosos, ter mais iniciativas como a de hoje. Temos o desafio de expandir as boas práticas existentes para todo o mercado e queremos trazer cada vez mais para o Brasil as ferramentas utilizadas pelo resto do mundo”, declarou.

O diretor da Agência Nacional de Águas, Óscar de Moraes Cordeiro Neto, destacou a pertinência da discussão. “A questão da água é um desafio para o século XXI”. O secretário de Articulação Institucional e Cidadania Ambiental do Ministério do Meio Ambiente, Edson Duarte, complementou. “Essa é uma agenda estratégica, pois promove inovações e a gestão mais eficiente dos negócios”.

O Water Business Day produziu uma declaração colaborativa, que será apresentada no dia 22 de março, em sessão especial do 8º Fórum Mundial da Água. Veja mais detalhes.

 

As soluções encontradas pelas empresas

No Painel de Líderes, o público pôde conhecer experiências de boas práticas na gestão hídrica. O vice-presidente Global de Competitividade da Braskem, Roberto Bischoff, falou sobre a implementação do reúso na empresa. “Temos feito muitos investimentos para aumentar o reúso de água. Além disso, consideramos que temos um papel de mobilização na questão da conscientização, relevância e soluções do tema, por isso, a Braskem tem mobilizado stakeholdersimportantes”.

Teresa Vernaglia, presidente da BRK Ambiental, apresentou o case de Limeira, cidade do interior de São Paulo que tem tido sucesso na redução de perdas e combate ao desperdício. “O Brasil tem uma perda equivalente a 7 Cantareiras por ano entre captação e distribuição de água. O avanço do acesso ao saneamento foi muito mais tímido do que o de outros setores, como telefonia e elétrico. Nesse sentido, é importante pensar em um modelo regulatório para o setor de saneamento e água”, sugeriu.

Luís Garcia Prieto, vice-presidente de Operações da Nestlé, destacou que os recursos hídricos estão no cerne das decisões da empresa. “O acesso à água é um direito humano e a água é um dos capítulos fundamentais desde que começamos a atuar no Brasil. A nossa fábrica de Montes Claros (MG), por exemplo, é triplo zero em três dimensões: água, resíduos e emissão de carbono”.

Também participaram do painel Olga Reyes, vice-presidente de Relações Governamentais e Comunicação da Coca-Cola; Ruben Fernandes, presidente da Anglo American Brasil; e Naty Barak, CSO da Netafim.

 

Chamado para ação e desafios práticos da água

O vice-presidente e COO do World Business Council for Sustainable Development (WBCSD), fez um alerta. “A demanda atual de água já extrapola a oferta que temos. Sem água, sem vida. Sem água, sem negócios”, provocou. Na ocasião, White lançou a versão em português do Guia do CEO sobre Água, elaborado em parceria com o CEBDS.

Jason Morrison, presidente do CEO Water Mandate, apresentou ferramentas para gestão da água. A gerente de Segurança Hídrica do CDP, Orlaith Delargy, mostrou como os dados coletados podem ajudar a tomar decisões, reduzir riscos e capitalizar as oportunidades.

Na parte da tarde, foram realizados três workshops sobre os desafios práticos da água. O primeiro abordou casos de economia circular e esclareceu as atuais barreiras e oportunidades para o gerenciamento circular de água. Já o segundo teve como foco os riscos associados aos recursos hídricos. A gestão responsável da água para o alcance dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável e a criação de valor compartilhado foram o tema do terceiro workshop.

Mais informações sobre o Water Business Day estão disponíveis nos sites da CNI e do Pacto Global.