Preservação e valorização dos recursos naturais é indispensável para nossa sobrevivência

Data: 18/02/2021
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Com a participação dos representantes dos governos do Egito, onde aconteceu a COP 14, e da China, onde acontecerá a COP15 e será definido o novo marco global de Biodiversidade, o evento debateu sobre como os atores não estatais podem apoiar a urgência de ação e ambição no quadro de biodiversidade global pós-2020. Este engajamento, para informar, inspirar e mostrar compromissos voluntários, é a principal função da Action Agenda da Convenção de Diversidade Biológica.

Manuel Vidal, moderador, ex-ministro do Peru e conselheiro do WWF, começou o painel sendo enfático: “Não temos como atingir o nosso objetivo se não for de maneira coletiva”. Colaboração foi a palavra chave do evento. Foi comentado que o Leaders Pledge for Nature  mostra que há vontade política em relação à promoção e conservação da biodiversidade.

Marina Grossi abriu o painel ressaltando a importância do Brasil dentro do contexto global, tendo em vista a nossa grande diversidade de espécies, e de que forma as ações para combater as mudanças climáticas podem ser melhor conjugadas com iniciativas para reverter a perda de biodiversidade. “O ano de 2020 enfatizou que nossa sobrevivência está diretamente ligada à preservação e valorização de nossos recursos naturais”.

O assunto sobre a gestão da cadeia de valor veio à tona e ficou claro que o esforço de proteção, com tecnologias de monitoramento e rastreamento, devem ser combinados com ações de promoção de boas práticas e remuneração das populações que se utilizam da “floresta em pé” para seu sustento, lembrando dos três pilares da convenção: Conservação; Uso Sustentável e Repartição de Benefícios.

Geraldine Vallejo, diretora do programa sustentabilidade Kering, holding francesa com sede em Paris, ressaltou a importância de se compreender a importância do capital natural. Também mencionou o papel da agricultura regenerativa para a manutenção da biodiversidade, debate que também está sendo aprofundado no GT de Sistemas Alimentares do Cebds que planeja levar um posicionamento no UN Food System Summit, um dos maiores eventos mundiais na temática. Vallejo, foi enfática “não se trata apenas de proteger, temos que regenerar a natureza. Além disso temos que ter métricas”.

O painel também abordou o tema de finanças para biodiversidade e contou com a participação de Vicki Benjamin, CEO da Karner Blue Capital, empresa que discute estratégias para financiar a proteção da biodiversidade e ressaltou a necessidade de se ter um conjunto de dados capaz de representar a biodiversidade em escala monetária. 

A mesa também falou tratou do tópico de metas baseadas em ciência e das metodologias para rastrear os compromissos. São muito importantes para saber quais compromissos são bons em termos de linha de base e tempo. Coletar informação não é suficiente, afirmou Erin Billman, diretora executiva do Science Based Targets Network. O processamento desses dados é necessário para se definir o que é ser Nature-positive,  expressão que tem ganho destaque no último ano.  

O evento também contou com a presença do Climate Champion da COP 26 em Glasgow, Gonzalo Muñoz; Neville Ash, diretor do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente, e Carlos Rodrigues do Global Environmental Facility. Remetendo a Visão para 2050 da convenção, foi lembrado que precisamos viver em harmonia com a natureza. Isso é um desafio entre atores. Nosso compromisso depende de colaboração. Setor privado, governo e sociedade civil não conseguirão trabalhar sozinhos, disse Neville Ash,
Diretor da UNEP-WCMC.

Ações para reduzir os fatores de perda de biodiversidade e mudança em direção aos resultados positivos da natureza, ainda nesta década, é o desafio que foi colocado. “Temos de acelerar a capacidade da natureza de restaurar o nosso bem estar”, adicionou  Gonzalo Muñoz. “Temos recursos financeiros a nível global, compromisso político, marcos legais para implementar as ações, ciência e apoio internacional”, completou Carlos Rodriguez em tom otimista.

É o momento para darmos ainda mais protagonismo ao papel dos atores não governamentais e agir em linha com o que CEBDS tem realizado nos últimos anos, a exemplo da iniciativa do Compromisso Empresarial Brasileiro para a Biodiversidade e seu Comunicado do setor empresarial brasileiro que tem como um dos sete eixos temáticos a “valorização e preservação da biodiversidade como parte integral das estratégias empresariais”.

O evento, que contou com a abertura e condução da Secretária Executiva da CDB, Elizabeth Mrema, ressaltou também que precisamos estar conectados com ações voluntárias, mas também políticas públicas.